<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707</id><updated>2012-01-24T10:32:15.862-02:00</updated><category term='gravidade'/><category term='mentira'/><category term='sexo'/><category term='manifesto'/><category term='memória'/><category term='amigos'/><category term='encontros'/><category term='pensamentos'/><category term='realidade'/><category term='modernidades'/><category term='kevin smith'/><category term='vinicius de moraes'/><category term='viagem'/><category term='adeus'/><category term='stars'/><category term='carros'/><category term='perdedores'/><category term='sonhos'/><category term='ironia'/><category term='início'/><category term='charles bukowski'/><category term='saudade'/><category term='música'/><category term='amor'/><category term='vazio'/><category term='homenagem'/><category term='família'/><category term='chico buarque'/><category term='pavio'/><category term='cartola'/><category term='vida'/><category term='álcool'/><category term='infância'/><category term='literatura'/><category term='derrota'/><category term='cinema'/><category term='regras'/><category term='aniversário'/><category term='lionel richie'/><category term='outros seres'/><category term='jack kerouac'/><category term='verdade'/><category term='snow patrol'/><category term='mulheres'/><category term='dos mestres'/><category term='orquestra imperial'/><category term='morte'/><title type='text'>sobre tudo</title><subtitle type='html'>devaneios, pensamentos, cigarros e cafezinhos (now, with a new look)</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>77</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-4597008290873761002</id><published>2011-08-22T21:33:00.006-03:00</published><updated>2011-08-22T22:27:39.371-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonhos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='realidade'/><title type='text'>sobre o acordar</title><content type='html'>existem sonhos que fazem jus ao nome. são aqueles nos quais você consegue tudo o que sempre quis. quando percebe, foi promovido; comprou seu primeiro apartamento; falou mais uma vez com o avô, há muito falecido; ficou, finalmente, com a garota. sonhos que, mais cedo ou mais tarde, mostram ser o que são por serem bons demais. mesmo assim, você se apega a eles, estabelecendo o acordo não oficial de fingir que não sabe ser sonho, e ele fingindo que não sabe que você sabe. continuam todos, assim, felizes em sua ignorância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no entanto, a vida é geniosa e não suporta ser trocada assim tão fácil por algo que nem existe fora de nossas cabeças, jogando algo para nos tirar daquele estado inconsciente. em algumas vezes o despertador toca, em outras, sua mãe bate à porta e avisa que é hora de levantar. você, claro, não desiste assim tão fácil. enfia a cabeça debaixo do travesseiro, puxa as cobertas e tenta, apertando os olhos de tal maneira que eles poderiam jamais abrir novamente de tão forte, voltar àquela realidade irreal. mesmo sabendo que na maioria das vezes ela não volta. situações estas que se repetem tantas vezes ao longo de nossa existência que acabamos nos acostumando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;contudo, se tivermos sorte, em algum momento chegamos a conhecer o aconchego de um sonho neste mundo aqui de fora, vivendo todos os dias em um estado aparentemente perpétuo de plenitude, podendo até mesmo fazer pouco de tamanha graça. nestas horas, ignoramos que este é um universo paralelo cujo fim já estava estabelecido em seu começo. e assim dá-se continuidade àquele acordo, ninguém me belisque pra saber se é verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como todo sonho, no entanto, o amanhecer não tarda a chegar e a vida, invejosa, tem pressa de continuar. você pode lutar, pode se debater e enfiar a cabeça debaixo do travesseiro, tentando voltar àquela irrealidade arredia. mais cedo ou mais tarde, não importando o que faça, acaba por se aceitar o inevitável. resta, então, apenas deixá-la partir, como tantas outras antes. mesmo sabendo que, dessa vez, toda vez em que se deitar, rezará calado para que ela volte.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-4597008290873761002?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/4597008290873761002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=4597008290873761002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4597008290873761002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4597008290873761002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2011/08/sobre-o-acordar.html' title='sobre o acordar'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3052786783283186228</id><published>2011-08-16T02:09:00.006-03:00</published><updated>2011-08-16T02:57:10.499-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>sobre as pessoas ao meu lado</title><content type='html'>curiosamente, ali estavam apenas o médico, um homem com seus 30 e poucos anos, cabelos castanhos cheios e olhar gentil que lhe dava um ar respeitável, e a enfermeira, já uma senhora que claramente havia visto suas dezenas de primaveras e que usava um suave suéter cor de rosa por baixo do avental creme do hospital. ela perguntou se havia alguma coisa que podia fazer por mim. perguntei-lhe se ela tinha uma caneta e papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cerca de quinze minutos antes, o doutor havia me informado que minha condição era crítica e que, assim que possível, eu deveria passar por uma cirurgia para tentar remover o coágulo que pressionava meu cérebro contra o crânio causando, sem meu conhecimento, a enxaqueca que já durava dias. a notícia não havia sido processada apropriadamente ainda, apenas o suficiente para que tudo o que eu conseguisse pensar era em escrever. eu ainda não sabia exatamente o que, mas me parecia uma obrigação deixar registrado meus últimos pensamentos caso, você sabe, eu não tivesse êxito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;estava sozinho numa cafeteria a poucos quarteirões da minha casa quando desmaiei, vítima de um episódio súbito e mais violento do que aqueles que vinham acontecendo. talvez por isso me encontrava sem alguém conhecido naquele quarto de hospital. acho que, por estar tão só naquele que provavelmente seria o momento mais importante da minha vida, só conseguia me concentrar naqueles que eu gostaria que estivessem comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seguindo essa linha de raciocínio entrei em uma área obscura que provavelmente deveria ter evitado. nestes meus 47 anos, quantas pessoas pensariam em mim caso se encontrassem na mesma situação? quantas vidas eu havia realmente marcado a esse ponto, de fazer a diferença na hora de um fim iminente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;***&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordei três dias depois e haviam duas pessoas ao meu lado, meu irmão e pedro, meu melhor amigo desde a adolescência. talvez a única coisa que supere minha felicidade ao perceber que ainda estava vivo seja a alegria presente nos olhos dos dois. um sentimento contido, reservado, de quem não quer que você perceba o quão perto da morte esteve. os dois haviam lido meu bilhete, minhas ex-últimas palavras, e me asseguraram que haviam entregue o recado à terceira pessoa, a mulher da qual eu tinha me divorciado anos antes. ela passara para checar meu estado um dia antes, mas tinha de viajar para fora do estado a trabalho, torcendo pela minha recuperação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;jamais entenderei por que, naquele momento, resolvi que devia buscar esclarecimento com ela. pedro e meu irmão, claro, ambos ainda eram as pessoas mais presentes em minha vida, mas ela? trocávamos e-mails vagos e superficiais a cada dois meses, mais ou menos, apenas para não nos tornarmos estranhos. pelo jeito, havia algo dentro de mim que ainda não a havia esquecido com o assinar dos documentos do divórcio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conversamos distraidamente por algumas horas os três, sempre evitando o elefante no quarto que havia sido minha quase morte. dias depois descobri que havia ficado em coma durante dois dias, acordando brevemente no terceiro, fato que não me recordo. o almoço chegou acompanhado do doutor, que disse ao dois que eu precisava descansar. pedro, sempre reservado, acenou da porta e disse que voltava no dia seguinte, caso eu não resolvesse ter outra dorzinha de cabeça. meu irmão ainda tentou em vão conter o abraço apertado que quase me arrancou a gaze. com lágrimas nos olhos (tanto nos dele, quanto nos meus) me fez jurar que jamais armaria outra palhaçada daquelas. pouco antes de atravessar a porta, se lembrou. ela havia deixado uma resposta. entregou o papel amassado que havia passado as últimas 24 horas em seu bolso, me beijou a testa e saiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;depois de almoçar a comida surpreendentemente saborosa, não apenas por se tratar de ser um hospital, mas porque eu também não sentia o gosto das coisas há algumas semanas, ainda assisti um pouco de televisão, agradeci à boa e velha enfermeira por ter entregue meu recado e enrolei mais um pouco até ter coragem de ler o que minha ex-mulher havia respondido. sucinta como lhe era característica, a resposta era constituída por apenas uma palavra. "sim".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e você? já marcou de verdade a vida de alguém? às vezes não vale a pena esperar momentos como este para descobrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;____&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;levemente inspirado neste belo texto: &lt;a href="http://bit.ly/r3FIvd"&gt;http://bit.ly/r3FIvd&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3052786783283186228?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3052786783283186228/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3052786783283186228&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3052786783283186228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3052786783283186228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2011/08/sobre-as-pessoas-ao-meu-lado.html' title='sobre as pessoas ao meu lado'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-4677085779009852272</id><published>2011-07-17T03:17:00.004-03:00</published><updated>2011-07-18T03:23:19.015-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='ironia'/><title type='text'>sobre viagens de negócios</title><content type='html'>poligamia é uma daquelas coisas cujo próprio ato já deveria ser considerado punição suficiente. joão moura, popularmente conhecido como jomo, discordou durante anos desta afirmação. aos 23 anos, se casou com maria cláudia, sua primeira namorada, quando esta engravidou. ao contrário do que se pode imaginar em se tratando de um casamento motivado pela gestação, foram muito felizes por sete anos, com mais dois filhos pelo caminho, até que a chama pareceu se apagar. passou a chegar sempre cansado do trabalho, maria cláudia estava sempre com dores de cabeça, foi praticamente um milagre que didi, o terceiro filho do casal, pudesse ter sido gerado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um dia, no entanto, tudo mudou radicalmente. jomo voltou de uma viagem de trabalhos carregado de presentes para todos. um video game para o primogênito, um carro de controle remoto para o filho do meio, três macacões do santos para didi e uma noite quente para maria cláudia, começando com as crianças com a babá, um jantar romântico em seu restaurante favorito e a superação de qualquer enxaqueca na cama - por quatro horas seguidas. ela não podia acreditar na súbita mudança de humor do marido, e nem estar tão feliz que nem reparou que suas viagens de negócios passaram a se tornar cada mais constantes e longas. afinal, jomo voltava sempre tão amoroso e dedicado que valia a pena as duas semanas por mês que ele tinha que passar longe de casa por causa de sem emprego como representante de vendas de uma fábrica de ligas metálicas. mal sabia ela que, em ribeirão preto, joão moura tinha outra mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo havia começado como uma mera relação profissional. maria cristina trabalhava como secretária de um dos clientes de jomo e atraiu sua atenção durante um dos almoços de discussão de preços. era uns bons oito anos mais nova que sua patroa, bonita, ambiciosa e admirava aquele homem que vinha mensalmente conversar com seu patrão. saíram para jantar um dia e só deixaram o quarto dois dias depois, quando joão tinha que voltar pra casa. um ano depois, uma cerimônia pequena reunindo apenas os amigos mais chegados, no cartório mesmo, oficializava a união entre maria cristina rondón e joão de carvalho moura (de carvalho era o sobrenome de solteira da mãe de joão), que passou a ser conhecido nos círculos de conhecidos do casal como "joca", ironicamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, durante uns bons três anos, a vida não poderia ser melhor para jomo/joca. conseguia levar bem sua vida dupla, afinal seu emprego realmente o forçava a viver nessa "ponte aérea" santos-ribeirão preto. sempre que chegava em casa, era recebido por amores e saudades, e ainda conseguia ir embora no exato momento em que começavam os atritos da convivência. vivia, então, como um convidado em seu próprio lar, onde fosse, e era tratado com toda a pompa por suas esposas. a vida não podia ser melhor para joão moura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até o dia em que ele reparou que as coisas não eram mais como antes. suas mulheres, não imporando onde estivessem, se comportavam de forma irracional, temperamental, ditatorial e selvagem. conseguia fugir de uma, às vezes, sob desculpas de uma viagem imprevista e urgente, apenas para ser recepcionado por patadas, unhadas e lágrimas. jomo/joca havia conseguido, por anos a fio, intercalar o fenômeno da TPM de suas mulheres, de forma que nunca estivesse na respectiva casa quando o incidente começasse. por uma dessas ironias da natureza, o ciclo de suas mulheres, mesmo a  a 430 quilômetros de distância, haviam se alinhado. agora ele não tinha de encarar apenas UMA mulher chorando, agredindo, xingando e esbravejando, mas um ataque conjunto e coordenado. isso, pois mesmo que estivesse longe, enfrentando a artilharia de uma, recebia os ataques da outra por celular, e-mail ou sms.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o pobre joão moura não sabia mais o que fazer. estava prestes a se entregar à mercê de ambas as fúrias e pedir por perdão, rezando para que a morte fosse rápida e indolor. nesse momento de fraqueza suprema, quando nenhuma conclusão parecia se aproximar e os ciclos não davam indicação de que se desligariam em um futuro próximo, jomo/joca conheceu sua resposta. joão moura, casado há dez anos com maria cláudia e há três com maria cristina, surpreendeu a si mesmo ao perceber que não teria outra solução - casou-se pela terceira vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-4677085779009852272?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/4677085779009852272/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=4677085779009852272&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4677085779009852272'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4677085779009852272'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2011/07/sobre-viagens-de-negocios.html' title='sobre viagens de negócios'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6288902753480326408</id><published>2011-03-21T23:25:00.007-03:00</published><updated>2011-03-22T01:07:08.230-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='derrota'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre a derrota do amor cinematográfico</title><content type='html'>acabo de voltar da mais malfadada tentativa cinematográfica de conquista de que se tem notícia. quando digo cinematográfica, não quero dizer daquele tipo kate winslet nua com apenas uma jóia no pescoço enquanto leonardo dicaprio traça seu retrato com carvão. quero dizer aquela tentativa na qual você chama a pequena praquele filminho seguido de jantar. uma aproximação clássica, aliás. "qual a película?", ela pergunta. "qualquer um, oras", você responde. se ela aceitar, é meio caminho andado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;existe algo nas salas de cinema que as tornaram ideais para essas  situações, esses primeiros encontros, ficadas, amassos, trocações de  saliva. o primeiro fator é que evita a presunção que é  assumir, logo assim de cara, que ambos realmente estão interessados um  no outro. pode ser apenas que os dois realmente curtam muito o cinema  experimental iraniano, vai saber. o segundo é o escuro que oferece uma  privacidade psicológica considerável (isso porque, convenhamos, em uma  sala lotada todo mundo sabe o que você, com a guria ao lado e olhar  ansioso, foi fazer ali). o terceiro, e mais determinante, são aqueles  breves segundos de silêncio enquanto aparecem os créditos das produtoras  e distribuidoras, quando a luz da tela é suficiente para que você olhe  para o lado e, com um olhar, determine se o bote será infalível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;infelizmente os tempos já não são mais os mesmos e os percalços cada vez maiores. quase não se encontra mais aquelas salas de rua com aqueles carrinhos de pipoca em frente, aqueles filmes chatérrimos europeus que te obrigam, durante a sessão, a achar algo melhor para fazer. não, hoje você é obrigado a se dirigir a um shopping abarrotado de gente, com crianças correndo pelos corredores pedindo por mais balas, chocolates ou manteiga, acompanhadas de seus pais com profundas olheiras e esperando que o filme seja movimentado o suficiente para permitir uma soneca. não me entenda mal, não tenho tantos problemas assim em assistir a um longa hollywoodiano cheio de explosões e efeitos especiais nesses lugares. nada contra, mas vale lembrar que a última das intenções, neste caso debatido agora, é realmente acompanhar qualquer enredo. por fim, o desafio final. qual seria a hora exata em que você levanta o braço entre as duas cadeiras e deixa claro, finalmente, que dali ela não sairá ilesa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;apesar de tudo isso, ainda me mantenho um fiel amante cinematográfico. talvez não consiga largar destes velhos hábitos, e devo dizer que eles me têm sido de grande valia até os dias de hoje. uma velha rotina que apresenta números ridicularmente pequenos de falha, alguns de execução, outros de alvo. por estes motivos que persisto, e eis que, há dois dias atrás, o convite para um filme qualquer foi aceitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos encontramos na praça de alimentação e fomos diretamente à fila do cinema, onde decidiríamos qual o filme com menor probabilidade de lotação e atração de pessoas abaixo de 14 anos. os 20 minutos habituais de conversa jogada fora, comentando os principais acontecimentos da atualidade, foram cumpridos com perfeição. logo os trailers já haviam terminado, e eu colocava uma pastilha de menta na boca, daquelas compradas com um único objetivo. nessa hora, abortar a missão era algo impensável. estiquei o braço por trás de seus ombros como quem não quer nada, o movimento mais antigo do manual, e ela havia aceitado sem protesto. com a luz diminuta da tela, me virei lentamente para encará-la e... desabei a rir. aqueles óculos, aqueles malditos óculos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;erro crasso, de amador. nunca haveria de imaginar o poder que a cara abobada formada por aqueles infelizes óculos 3-D teriam sobre mim. não pude me conter. ela encarava a tela de forma um tanto apaixonada, ansiosa, esperando meu próximo ato, e tudo que consegui fazer foi desatinar a rir sem controle, quase cuspindo a bala em sua cara e rezando a deus que nenhum perdigoto tivesse atingido-lhe a face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assistimos o filme até o fim. 134 minutos de tortura interminável até que eu pudesse sair correndo dali. no final, ao deixá-la em casa, ela ainda tentou fazer piada. "esquisitos aqueles óculos, né? você até que não ficou tão bobo com eles...". eu só pensava em dar o fora. havia sido derrotado pelo cinema estereoscópico. maldito seja james cameron.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;---&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;agradecimentos à querida &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;julia ayres vieira&lt;/span&gt;, pelo debate que originou a idéia do post e alguns de seus principais argumentos&lt;/span&gt;.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6288902753480326408?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6288902753480326408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6288902753480326408&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6288902753480326408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6288902753480326408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2011/03/sobre-derrota-do-amor-cinematografico.html' title='sobre a derrota do amor cinematográfico'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-585613821541411348</id><published>2011-01-31T01:55:00.003-02:00</published><updated>2011-01-31T03:13:45.994-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mentira'/><title type='text'>sobre coisas não ditas</title><content type='html'>queria poder escrever uma história bonita, reconfortante e calorosa. infelizmente, o único calor gerado no relato a seguir vem dos cigarros acesos por tiago, um após o outro, alguns até ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você talvez consiga imaginá-lo com uma jaqueta de couro com a gola virada para cima, camisa xadrez e barba por fazer, mas a verdade é que ele lhe surpreenderia. tiago era, na verdade, um camarada dos mais sem graça. estava sentado na beirada da janela de seu quarto no apartamento 607, com uma velha camisa branca gasta enfiada pra dentro da calça cor de burro quando foge, barba feita pela manhã e cabelo preto e quadrado. era a velha e clichê imagem do jovem que parece mais velho do que realmente é, sentado no parapeito à noite com apenas a luz da lua inundando seu quarto e aquele pontinho luminoso do cigarro flutuando na semi-escuridão. a iluminação branca refletia em seus óculos que, por sua vez, refletiam no vidro, formando um tedioso círculo vicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lá estava ele sentado, pensando em tudo, mas quase adormecido e não conseguindo se concentrar em nada. foi quando veio a imagem de uma lembrança de uma vida tão distante que mais parecia sonho. isso mesmo, a imagem de uma lembrança de uma vida. pode parecer confuso, mas esforce-se que conseguirá entender o que digo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não era uma lembrança propriamente dita, era como uma foto, um frame de memória, congelada e imóvel. no entanto, por mais que nada se movesse, era possível experimentar cada aroma e ouvir cada som daquela cena de uma maneira que era vívida demais para ter sido apenas um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sonho definitivamente não o era, pois ele se lembrava que, um dia, aquilo realmente acontecera. de certa forma, acontecera por anos, numa rotina diária que raramente era interrompida. e não havia acontecido há tanto tempo atrás, apesar de parecer ser outra vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ali, naquela imagem, tiago se reconhecia na figura do rapaz abraçado na cama a uma jovem mulher de não mais de 17 anos. ele conseguia ver a si mesmo segurando com a força de alguém que não pretende soltar nunca mais, sentia borbulhar novamente aquelas emoções há muito esquecidas, se entregava àquele perfume que por tanto tempo infestou seu travesseiro, mas não conseguia se colocar naquele lugar, naquela cama, com aquela guria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e haviam se passado apenas cinco anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele parou então para finalmente se concentrar naquele momento em que uma vida deixou de existir para dar lugar a outra. em que o antigo tiago se despediu do mundo e apresentou o novo. a noite em que tiago, o primeiro, não disse nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela gritava, jogava coisas pelo quarto. no presente, aquele jovem sentado na janela conseguia ver onde sua edição original de 1984 caía, próxima ao pé da cama, e contava em quantos pedaços havia se despedaçado seu abajur azul marinho, presente de sua mãe. naquela noite, ele também apenas olhava, mas atônito. havia sido pego de surpresa e ainda não conseguira se recuperar do baque. tinham terminado há duas noites, mas ela ainda não devolvera as chaves do apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele havia tomado a iniciativa em terminar, apesar de ainda sustentar sentimentos que alguns podem chamar de amor. o relacionamento entre os dois já se desgastava há alguns meses e, apesar dos momentos de paz após o sexo, logo acabavam se lembrando de tudo que não toleravam um no outro. ele gostava de acreditar que era o mais forte entre os dois, o mais maduro. logo, se alguém teria de tomar uma atitude não seria ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo em uma relação que resistia apenas pela inércia, o fim não foi dos melhores. ele falou que a amava, mas que era melhor dar um tempo, pensar melhor nas coisas. ela, a princípio, ficou enraivecida, xingou, gritou, esbofeteou até acabar arrependida. dizia que iria mudar, que os dois poderiam sobreviver, mas ele se manteve irredutível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no dia seguinte, ela o procurara, queria conversar, reatar, transar até tudo aquilo ficar pra trás, mas encontrou um tiago diferente do que aquele que conhecia. ainda não era o segundo, mas já tentava ser. obviamente, para ele não era a coisa mais fácil a se fazer. queria com todas as forças sofrer essa transformação, pobre coitado, mas seres humanos não podem apenas fabricar casulos para saírem novos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele precisava de um empurrão, um combustível, um reagente que o fizesse abandonar de vez a outra vida. ela veio na forma de uma força feminina irresistível que abriu a porta de seu apartamento de um só vez e indagou a plenos pulmões: "a minha amiga, seu filho da puta?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em seu quarto, cinco anos depois, ele desejava ter conseguido responder alguma coisa. pensando agora, preferia até ter mentido, continuado naquela outra vida, aquela que parecia apenas um sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;gostaria de ter dito que não, que era coisa da cabeça dela, que jamais havia nem tocado em outra mulher, mas aquela era sua chance de mudar, de fugir, de se tornar outro. ele observava, em seu sétimo cigarro, seu semblante mais jovem mudo, sem saber o que dizer, enquanto seu quarto era revirado pela fúria de uma vida passada, que, após tentar com todas as forças se manter viva, finalmente o abandonava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;existem esses momentos nas histórias das pessoas. instantes em que você pode ir para a balada ou estudar mais um pouco; voltar para casa dirigindo ou tomar mais um whisky; pegar o telefone para pedir uma pizza ou perdão; correr ou ficar na chuva; esquerda ou direita. nós os vivemos diariamente. toda hora uma vida se desfaz para dar lugar a outra. no entanto, poucas são as ocorrências assim tão claras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tiago se deu conta disso ao acender o nono cigarro. o novo tiago, pelo menos. este aqui que vos fala, que habita uma mente quase adormecida há pouco menos de cinco anos, percebeu isso enquanto ficava calado e pode dizer: hoje nós dois gostaríamos de ter dito alguma coisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-585613821541411348?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/585613821541411348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=585613821541411348&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/585613821541411348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/585613821541411348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2011/01/sobre-coisas-nao-ditas.html' title='sobre coisas não ditas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6722392995834919876</id><published>2010-11-19T02:56:00.004-02:00</published><updated>2010-11-19T03:58:23.651-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>sobre o homem que tinha amigos demais</title><content type='html'>entre os corredores, alunos e funcionários da universidade albuquerque, localizada na zona oeste de são paulo, existia apenas uma unanimidade: rambo nogueira era o ser humano mais amigável que já havia frequentado aquela nobre instituição de ensino superior. apesar do nome, rambo tinha tamanho poder cativante que, mesmo cinco anos após sua formatura, ainda existiam dezenas que garantiam ser alguns de seus amigos mais íntimos, não lhe poupando elogios. obviamente que existiam aqueles mal intencionados que apenas queriam pegar carona no mítico carisma do veterano, mas a grande maioria enchia suas bocas de sinceridades ao falar da amizade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rambo passava pela puberdade quando percebeu o poder que exercia sobre as outras pessoas. sempre tivera amigos, mas, repentinamente, todos pareciam querer lhe fazer favores, dar-lhe uma mão, ajudar como pudessem. claro que isso implicava em expectativas de reciprocidade, como acontece em qualquer relação afetiva platônica. mas isso não era nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o porteiro tomou súbito interesse em sua vida e, curiosamente, passou a lhe contar todos os detalhes de suas últimas conquistas amorosas no bailão. a professora de história tolerava seus atrasos na entrega de trabalhos, fazia vista grossa para as breves adormecidas durante a aula. até seu cachorro, que sempre preferira seu irmão mais novo, agora ficava à porta esperando seu retorno da escola, com o par de chinelos do dono na boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rambo era amigos de todos, e todos o amavam. e ele odiava isso. não suportava tamanho carinho e atenção, queria gritar a cada sorriso compreensivo. desejava, acima de tudo, fugir desesperadamente de cada indivíduo que, apesar do nome lhe ser desconhecido, o cumprimentava não com um aperto de mão, mas com um abraço apertado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;seus amigos de verdade, aqueles que já o conheciam antes da estranha maldição ser lançada, se divertiam com a situação. observaram, em primeira mão, a evolução gradual de rambo para um dos seres mais agressivos que já caminharam sobre este planeta. e gargalhavam com isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;logo, a saudação do jovem não passava de um grunhido e o seu nome do meio passava a ser sarcasmo. a cada palavra de incentivo, a resposta era um palavrão - de fato, foram tantos ao longo dos anos que muitos nem existiam ainda. hoje, habitam as páginas de qualquer dicionário informal. mesmo assim, seu carisma perdurava. as pessoas acreditavam que aquele era apenas o jeito dele. e aquele era um jeito divertidíssimo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ahahaha! tá certo, bambão! eu enfio esse desenho assim que você me disser se a perspectiva está real ou não... o que?? parece a minha mãe fazendo o que?? porra! não é que tu tá certo? valeu, bambão! sabe tudo, moleque!" - enquanto isso, rambo agonizava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para piorar seu humor, que já não era dos melhores, rambo, aos 25 anos, nunca tinha conseguido dar uma trepada. aliás, beijo mesmo, só roubado. de amigas. "aaah, bambo. claro que eu vou ao cinema contigo. não, é sério! eu adoraria! qual filme? não importa! faz tempo que eu queria sair com você, mesmo... ah, que ótimo! vou levar o carlos, assim você me diz se aprova o namoro e...".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o lado bom, que ao menos o acalentava, era que esse seu poder o fizera escalar rapidamente os degraus do mundo corporativo. em apenas três anos trabalhando no banco américa, era o primeiro funcionário com menos de 30 anos promovido a diretor. seus chefes se encantavam com seu poder de liderança e sua franqueza. o projeto, aquele que tinha 23 pessoas dedicadas exclusivamente a ele nos últimos sete semestres, realmente era uma bosta, um cu sem tamanho. com seu fim, não só pouparam ainda mais tempo, mas também conseguiram cortar todo um setor da folha de pagamento. o jovem era um talento!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;considerado um gênio, era a maior prata da casa desde a sua fundação. pelo menos até a tarde de 27 de outubro, em que seu chefe o chamou para uma conversa. rambo estava sendo, infelizmente, desligado da corporação. não, não haveria como poder dar boas referências. ele sentia muito, tinha rambo como um filho, um irmão, até!, mas a diretoria andava preocupada. não acreditavam que o senhor rambo nogueira tivesse a postura necessária para o agressivo mundo das finanças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rambo estava na rua, com um apartamento de R$700 mil ainda para pagar. o motivo? amigável demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6722392995834919876?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6722392995834919876/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6722392995834919876&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6722392995834919876'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6722392995834919876'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/11/sobre-o-homem-que-tinha-amigos-demais.html' title='sobre o homem que tinha amigos demais'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2554055128830980488</id><published>2010-10-19T01:14:00.007-02:00</published><updated>2010-10-19T18:53:03.814-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre os amores dos outros</title><content type='html'>ela abre a porta e dá de cara com daniel, que entra esbaforido.&lt;br /&gt;- eu te amo, marina.&lt;br /&gt;a declaração a pega despreparada.&lt;br /&gt;- sério?&lt;br /&gt;- sério, pombas! quem inventaria algo assim?&lt;br /&gt;- ah, querias que eu dissesse o que? puta surpresa, inferno!&lt;br /&gt;- tá, tá! desculpa. é que eu precisava tirar isso do peito o quanto antes e... - ele ouve o burulho do chuveiro ligado e finalmente repara que ela está de roupão, mas com os cabelos secos. - putz! desculpa, mesmo. não queria invadir desse jeito e interromper teu banho, mas...&lt;br /&gt;- agora já foi! desde quando tás apaixonado por mim?&lt;br /&gt;- apaixonado, não! eu te amo! pelo o que a carlinha disse, há uns três meses!&lt;br /&gt;- foi quando a gente ficou a primeira vez, né?... - ela nota que há algo errado - peraí. "pelo o que a carlinha disse"?...&lt;br /&gt;- é! mas o joca começou a dizer isso há dois anos atrás. lembra como eu vivia grudado em ti e tals?&lt;br /&gt;- lembro... mas calma. desde quando, afinal?&lt;br /&gt;- ah, disso eu não tenho certeza, não! sei só o que me disseram. você conhece o joca. quando ele mete algo na cabeça, fica martelando o tempo todo.&lt;br /&gt;- então deixa eu ver se entendi. você me ama, mas não sabe desde quando. sabe apenas o que a carlinha e o joca dizem?&lt;br /&gt;- isso aí, boneca. no começo achei que era viagem deles, mas eles repetiram tanto que eu pensei "acho que não custa nada tentar, né?". agora vem cá que temos tempo pra recuperar até o casório.&lt;br /&gt;- casório?! que mané 'ório?!&lt;br /&gt;- ah, nós temos que fazer tudo direitinho, né. namora uns quatro meses, noiva por um ano, casa e, depois de um tempo, tem os dois filhotes!&lt;br /&gt;- que porra que tu tá falando, daniel??&lt;br /&gt;- porra, não! é tudo nos conformes. mamãe sempre disse que...&lt;br /&gt;- tava demorando. agora é tua mãe que quer que a gente case.&lt;br /&gt;- não exatamente a gente, eu e você. mas ela sempre pregou que tudo deve ser feito com ordem e planejamento. afinal... - silêncio. ele nota que o chuveiro foi desligado - tem alguém aqui contigo?&lt;br /&gt;- ...&lt;br /&gt;- dani, meu filho! que diabos tás fazendo aqui, moleque? - pergunta uma cabeça masculina saindo pela fresta da porta do banheiro.&lt;br /&gt;- joca?... - ele procura por uma resposta vinda de marina que, a essa altura, já está jogada no sofá, declarando a derrota.&lt;br /&gt;- olha, daniel. desculpa, mas tu escolheu a hora errada de declarar amores. eu to apaixonada pelo joaquim.&lt;br /&gt;-ahá! sabia!!! eu sempre te disse que eras apaixonada pelo joca e você vinha com uma história que era ciúme e... ah, caralho. eu sempre te disse, não é?&lt;br /&gt;- isso aí, espertinho. eu cansei de afirmar que era coisa da tua cabeça, mas tu insistiu tanto que... "achei que devia tentar, né?". agora dá o fora daqui. como a &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;minha&lt;/span&gt; mãe sempre dizia: dois é bom, três é putaria.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2554055128830980488?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2554055128830980488/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2554055128830980488&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2554055128830980488'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2554055128830980488'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/10/sobre-os-amores-dos-outros.html' title='sobre os amores dos outros'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-491217557707646615</id><published>2010-10-05T22:12:00.004-03:00</published><updated>2010-10-16T02:53:45.170-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sexo'/><title type='text'>sobre a pressa divina</title><content type='html'>seu nome era ricardo nogueira e ele nasceu com pressa. bateu no médico ao ser parido. não conseguia entender a demora de nove meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sua mãe reclamava das fraldas mal colocadas. trocava as próprias, já que ninguém percebia o cheiro em menos de dez minutos. também esquentava as mamadeiras sozinho e, antes que a mãe pudesse se preparar, abria sutiãs.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aos quatro anos, comemorou dois aniversários em duas semanas. aos oito, comeu um hot pocket congelado por não conseguir esperar um minuto e meio. aos doze, saiu com o carro do pai para buscar uma pizza que não chegava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentava-se apenas para levantar, deitava-se na ânsia de acordar. se andava, queria correr. se corria, desejava galopar. se galopava, era apenas para estar lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;posso não estar a resumir muito bem, mas era basicamente isso. sua vida era uma busca inquieta pelo próximo instante. a pressa marcava quase todos os aspectos de sua vida, com a excessão de um. as mulheres, em constante rodízio em sua vida, viviam a reclamar que era lento demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não tinha iniciativa, não corria atrás, não declarava seus óbvios sentimentos. quando um beijo era o único caminho, recuava, dava dois passos para trás e pensava mais uma vez. isso, como qualquer homem com o mínimo de conhecimento de vida, só podia ser fatal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e assim foi a adolescência inteira, de passagem pela vida, mas parando no portão dos relacionamentos. não houve uma que tolerasse sua calma e frieza durante os trailers no cinema, seu estrategismo ao deixá-las em casa, sua racionalização perante um torso nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;obviamente, sua falta de habilidade com o sexo feminino não lhe havia passado despercebido. certa vez, resolveu conversar a sério com uma guria que lhe atraía a atenção. impressionantemente, como uma espécie de deus ex machina desta tragédia moderna, ela explicou ponto a ponto todos os aspectos que o tornavam tão impossível. vai entender, às vezes se dá sorte nessas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;consciente de todos os seus defeitos, mais uma vez ricardo nogueira se via impaciente em remediar a situação. assim, superou a pressão do primeiro beijo em tempo recorde, aceitou prontamente subir para um cafezinho e já havia espalhado as roupas de ambos pelo chão antes que a porta do elevador conseguisse se fechar totalmente. um milagre se anunciava. anjos pelos céus afinavam suas trombetas e harpas para a maior sinfonia climática da criação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo se encaminhava muito bem até que deus, que de misericordioso e piedoso nada tinha, resolveu tornar pública sua já conhecida ironia, que se declarava para a infelicidade de nosso intrépido herói. apesar de toda a enrolação superada, deitado ali, na cama, ele ainda tinha pressa, muita pressa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-491217557707646615?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/491217557707646615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=491217557707646615&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/491217557707646615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/491217557707646615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/10/sobre-pressa-divina.html' title='sobre a pressa divina'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3645988060993415307</id><published>2010-09-18T05:19:00.008-03:00</published><updated>2010-09-18T18:37:13.057-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='álcool'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>sobre uma mulher abandonada</title><content type='html'>éramos todos, cinco ou seis, perdidamente apaixonados por ela. como haveríamos de evitar? cabelos loiros, olhos claros, seios fartos. desafio aquele que diga que a poderia resistir. não poderia. simplesmente não poderia. digo isso com a mais firme e persistente das convicções.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;éramos todos dos mais variados tipos. uns velhos, outros magros, outros metaleiros. se havia um único ponto de convergência era ela. reuníamos nos bares da vida para debatê-la, mistificá-la, endeusá-la. os recém chegados à turma nos diziam loucos, malucos. não havia nesse mundo ser que pudesse ludibriar por tanto tempo uma turma de membros tão díspares quanto aquela. opinião que durava até os primeiros balançares das curvas de um corpo sem falhas em uma pista de dança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;éramos todos fantoches, reféns de um ser acima do tempo, da razão e da teoria. confesso até que aprecíavamos tal posição. "melhor amar e não ter, do que não ter o que amar", não é o que dizia o antigo ditado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;éramos todos apaixonados irremediáveis. o éramos, pelo menos até o caso do primeiro. pois eis que o primeiro decidiu, e não me pergunte o por quê, que era &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gay&lt;/span&gt;. sim, tamanha reviravolta também nos pegou de surpresa e não havia um que pudesse crer no que ouvia. era coisa da cabeça dele, dizia um. a negação era tamanha que ele havia se confundido, dizia outro&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não. não era coisa da cabeça nem negação. ele simplesmente havia percebido que se deixara levar por pensamentos que não os dele. sentia, e sempre sentira, atração por outros homens, e não havia argumento que o fizesse passível a mudar de idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;éramos, então, não mais todos, mas apenas cinco. cinco que logo se tornaram quatro. duas semanas depois o segundo se declarou enamorado. claro, dizia um, todos a amamos. não, dizia ele, cansei. amo terceira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim, com o tempo, a vida e o cansaço foi nos abatendo, um a um. logo o terceiro se declarou pai. mero mês depois, o quarto se confessou celibatário. o quinto, que frequentava um terapeuta, não demorou a se admitir medicado. e enfim sobrei eu, o sexto e último, em um antro de descrentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as reuniões regadas a álcool logo não se mostravam mais as mesmas. como podia eu conviver com um bando de infiéis? tempo passou, esse tempo que não perdoa, e me tornei sóbrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;anos depois, ainda nos encontrávamos no mesmo boteco de antes e éramos, todos, não mais apaixonados, nem por ela, nem por nossas eventuais namoradas, apenas pela cerveja à nossa frente. ríamos ante a velha obsessão sem propósito por um belo par de mamas. não podíamos crer que já havíamos discutido tanto por mera lactose.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto isso, ela também ria, abandonada por seus fiéis seguidores, mas muito bem acompanhada de seu belo marido, o milionário, 78 anos, sem grandes perspectivas de sobreviver ao câncer de próstata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;éramos, todos, vencedores. pelo menos até o celular de alguém tocar, quando podia se vislumbrar em cada olhar a lembrança de esperanças passadas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3645988060993415307?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3645988060993415307/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3645988060993415307&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3645988060993415307'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3645988060993415307'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/09/sobre-coisas-que-nao-podemos-evitar.html' title='sobre uma mulher abandonada'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8706067688660396863</id><published>2010-08-20T02:06:00.010-03:00</published><updated>2010-08-29T19:48:21.112-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='verdade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><title type='text'>sobre o dia em que conheci a verdade</title><content type='html'>outro dia fui numa dessas lojas de verdades. você sabe, aquelas que vendem as coisas nas quais gostaríamos de acreditar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conceito curioso, esse. gostaria de conhecer o fundador da primeira representante do setor. deve ser um sujeito dos mais interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, entrei sem um desejo específico. havia marcado de encontrar uma amiga nas redondezas e, enquanto esperava, resolvi dar uma olhada no que tinha de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a loja, muito bem arrumada com sua decoração moderninha, não estava muito cheia. "mas é que ainda são apenas três da tarde, meio da semana. você precisa ver isso aqui depois das sete horas, quando o pessoal sai do expediente. perto das festas de fim de ano, então! não dá pra passar pela porta...", foi o que me contou a vendedora, quando questionada sobre o baixo movimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;expostas em longas prateleiras metálicas presas às paredes, artigos dos mais variados, com preços que iam do mais mundano ao exorbitante. logo na parte da frente, os produtos em promoção. coisas como "nunca fui corno", "eu lavo essa louça mais tarde" e "um chocolate a mais não vai fazer diferença" sofriam de uma grave falta de prestígio, evidenciada pelos poucos reais cobrados, alguns por falta de procura, outros por uma oferta em demasia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mais adiante, encontrei maior variedade. diálogos inteiros à venda, cada qual com a sua verdade pessoal imbutida, alguns de tamanha originalidade que surpreendia que fossem levados a sério. "é, ele não estava olhando para ela. deve ser esse maldito torcicolo, outra vez. inferno, já é a quinta vez só essa semana!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha curiosidade aumentava a cada segundo passado. logo não aguentei mais e retornei à vendedora. "nosso produto mais caro? só um segundo", e me guiou a um pequeno embrulho localizado perto da caixa registradora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sobre o papel dourado e empoeirado que envolvia o produto, liam-se as palavras "ele(a) me ama".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquilo me tocou profundamente. fazia sentido. algo que poucos gostariam de ter de comprar, mas que, quando preciso, qualquer preço seria aceito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto chegava a tais conclusões, olhei rapidamente meu relógio e percebi que havia perdido a noção do tempo e estava atrasado. assim, corri imediamente para completar minha compra e fui de encontro a minha amiga, muito contente por finalmente acreditar que tamanho não é documento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8706067688660396863?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8706067688660396863/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8706067688660396863&amp;isPopup=true' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8706067688660396863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8706067688660396863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/08/sobre-verdades-que-se-compra.html' title='sobre o dia em que conheci a verdade'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3313222755475176507</id><published>2010-06-19T02:28:00.004-03:00</published><updated>2010-06-19T03:05:03.399-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adeus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagem'/><title type='text'>sobre aqueles que transitam</title><content type='html'>existe um universo particular nas pessoas que transitam por um aeroporto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chegou à tal conclusão enquanto comia uma coxinha fria empurrada por coca no saguão de embarque. não tivera tempo de comer antes de sair, o táxi chegara em cima da hora. por isso estava, naquele momento, sentado, esbaforido, duas malas a tiracolo, tentando impedir o infarte fulminante provocado pelo óleo presente no salgado apressado que consumia. triste substituir os INCRÍVEIS cookies dados pela companhia aérea por algo do gênero, mas teria de servir. afinal, usar o plural no caso dos biscoitos oferecidos em vôo era um uso desnecessário do que deveria ser considerado hiperlativo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mastigava, na tentativa vã de salivar a salvação de sua vida - de seu estômago, ao menos -, botava os pensamentos em ordem e, mesmo assim, encontrava tempo para observar. conseguia classificar brevemente os diferentes tipos que estavam ao seu redor, e julgava que tais rótulos poderiam ser usados na maioria das ocasiões, na maior parte dos aeroportos pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as pessoas que transitam em aeroportos podem ser separadas, com alguma margem de erro, entre aquelas que partem e aquelas que chegam; entre os que se despedem e os que recebem; entre o adeus e o bem-vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele se despedira a não mais que trinta minutos, enquanto esperava o elevador. devem estar errados aqueles que dizem que, antes de morrer, se vê toda a vida diante dos olhos. ele a observara no trajeto entre sua casa e congonhas, sentado no banco de passageiro do táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;via momentos de felicidade e de angústia, marcados em relacionamentos familiares que viriam a se tornar tão distantes quanto o tamanho físico da separação entre ele e sua cidade-natal. podia sentir novamente perfumes marcados nas roupas, abraços e carinhos trocados com antigas namoradas. celebrava, pela última vez, mais uma garrafa de cerveja que chegava à mesa com os amigos, e toda a alegria que este acontecimento tão ínfimo podia proporcionar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto se perdia nas lembranças, quase perdia também a última chamada de embarque. chegou, então, um tanto irritadiço ao portão 9, respondendo com poucas palavras a bronca que a atendente lhe direcionava. não pretendia lhe dar o prazer de ocupar um espaço sequer em sua mente. a braveza, no entanto, não era direcionado à comissária ou aos passageiros que reclamavam de seu atraso, e sim a ele mesmo. sabia que, como pertencente ao grupo do adeus, não podia se permitir adentrar tão profundamente em trilhas esquecidas. às vezes, ele podia sentir muito ciúme de seu próprio passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não chegou a reclinar sua poltrona, dormindo a viagem inteira. em sua nova cidade, onde esperava estabelecer novo lar, observava os bem-vindos sendo recebidos. naquele momento, deixava de ser o adeus. não tinha intenções de mudar sua nova condição em um futuro próximo. se tornava, finalmente, naquele que chega.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3313222755475176507?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3313222755475176507/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3313222755475176507&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3313222755475176507'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3313222755475176507'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/06/sobre-aqueles-que-transitam.html' title='sobre aqueles que transitam'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6494853522370167943</id><published>2010-05-29T03:47:00.008-03:00</published><updated>2010-05-29T16:13:00.572-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='álcool'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mulheres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='regras'/><title type='text'>sobre matemática e olhos azuis</title><content type='html'>definitivamente, há mulheres que desconhecem o poder que alguns mililitros de álcool podem exercer. tornamo-nos submissos, servos, escravos do imenso poder feminino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um tio meu já me dizia, com sábias palavras:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"carinha, tu não é muito bonito. quisera eu que tu fosse, mas não é. pelo menos tu não é feio. enfim, o máximo que tu vai conseguir pegar é uma guria nota sete, numa escala de beleza que vai de zero a dez. o segredo é pegar uma guria nota cinco, meio gordinha, meio desesperada, e beber até ela se tornar uma nota oito, talvez uma nove. depois disso, é simplesmente a manutenção da ebriedade até o fim do relacionamento."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu tio era um sábio, mas relevava o poder que alguns olhos azuis têm sobre a mais forte das forças de vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;basta encará-los que estarás vencido. impossível resisti-los. e que não me deixem citar os decotes - ah! os decotes! - que enfeitiçam, ludibriam e tanto encantam. mesmo que nos declarem culpados a encará-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, proclamo que, nesta noite, estou perdidamente apaixonado por uma dez. sou uma vergonha aos ensinamentos de meu tio; uma desgraça para minha família.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, de qualquer forma, posso aqui confessar que, caso o sol dê as caras no horizonte, e a ressaca em minha mente, hei de manter-me feliz - mesmo que ela não passe de uma sete.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6494853522370167943?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6494853522370167943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6494853522370167943&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6494853522370167943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6494853522370167943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/05/sobre-matematica-e-equacoes.html' title='sobre matemática e olhos azuis'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5074808858803565831</id><published>2010-05-04T01:55:00.006-03:00</published><updated>2010-05-04T02:33:34.392-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='adeus'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>sobre o pouco que sobrou</title><content type='html'>eram cinco, mas já haviam sido três.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mudaram-se para lá logo após a cerimônia e, por um tempo, existiu a felicidade. felicidade que cresceu quando, com o passar dos anos, juntaram-se a eles os outros dois, que encheram de vida o local. e nada parecia dar errado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no entanto, a convivência foi se tornando difícil, dura, áspera. o ar se tornara carregado de palavras curtas e ríspidas e o clima só se dissipou quando o primeiro foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com a normalidade, os quatro restantes conseguiam ver o futuro novamente, um futuro que não tardaria a chegar. assim, com os sonhos e ambições, o segundo se foi. mesmo que seu coração desejasse alguns segundos a mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algumas estações haviam se passado e era chegada a hora do destino seguir seu rumo. as desculpas para ficar não sobrepunham as oportunidades de seguir em frente, e foi com lágrimas nos olhos que o terceiro partiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;restavam, assim, dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas os dois não eram mais suficientes um para outro. o vazio deixado era muito grande e o pó assentava sobre as lembranças. não havia mais motivos para se ater a dias que não voltariam. o quarto deles manteve um breve olhar de adeus pela porta entreaberta antes de embarcar para sua última jornada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim ficamos agora com o último. aquele que nunca poderia partir. aquele que nunca se esqueceria, mesmo que as marcas deixadas fossem cobertas por tinta e argamassa. nada restava da família que ali morara, que ali compartilhara segredos e mistérios de uma vida inteira. sua existência se manteria real e eterna, como parte dos tijolos das próprias paredes. as paredes que sobravam, em um apartamento abandonado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5074808858803565831?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5074808858803565831/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5074808858803565831&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5074808858803565831'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5074808858803565831'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/05/sobre-o-pouco-que-sobrou.html' title='sobre o pouco que sobrou'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3253647233529819719</id><published>2010-04-05T23:34:00.006-03:00</published><updated>2010-04-06T11:55:30.235-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagem'/><title type='text'>sobre a terra da libertação</title><content type='html'>a terra da libertação é cheia de mulher feia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo sob o efeito de psicotrópicos pesados. pelo menos é isso que pude perceber nesta visita a são thomé das letras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por isso clamo a vocês, mulheres: deixem seu namorados, noivos, maridos, viajarem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não vamos a um lugar desses para caçar, espreitar o mulherio; vamos para reforçar aqueles velhos laços de amizade, encher a cara, passar frio e calor no mesmo dia, ouvir música tocada por pessoas mais loucas do que nós mesmos, conhecer pessoas mais loucas que nós mesmos, dividir o aperto de uma barraca inundada pela chuva, derrubar mitos, derrubar garrafas, derrubar a própria realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não visitamos uma cidade cheia de maconheiros porque esperamos encontrar um amor para toda a vida ou apenas uma trepada passageira; visitamos porque desejamos fugir da rotina, fugir da sobriedade, correr desenfreadamente na direção oposta das responsabilidades e apenas viver aqueles breves instantes que levam para que a seda queime completamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não acampamos em meio a centenas de machos com seus cabelos rastafari porque procuramos a essência da beleza feminina; mas sim porque precisamos fugir de todas as pressões, queimar neurônios logo acima da delegacia, perder as habilidades motoras necessárias para se manter em pé, perder as habilidades motoras para se alimentar, encher a cara às nove da manhã (em algum lugar do mundo deve ser quatro da tarde), encontrar mensagens escondidas em pinturas de dali ao percebemos que somos verdadeiros especialistas em arte numa sorveteria às seis da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, vamos a um lugar como são thomé das letras exatamente porque queremos, desejamos, precisamos fugir de vocês. mas não me entendam mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;já dedicamos cerca de 90% de nosso coração, cérebro e concentração a vocês. permitam, por favor, que possamos sentir sua falta, encher a cara com os amigos e sermos homens primitivos e sujos por um fim de semana que seja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois é apenas com o nível de sinceridade e percepção que só atingimos quando reforçamos aqueles velhos laços de amizade - e usamos uma certa quantidade de artigos legais e ilegais - que podemos perceber e aceitar que a terra da libertação é cheia de mulher feia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3253647233529819719?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3253647233529819719/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3253647233529819719&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3253647233529819719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3253647233529819719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/04/sobre-terra-da-libertacao.html' title='sobre a terra da libertação'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8269010762274221986</id><published>2010-03-23T03:33:00.009-03:00</published><updated>2010-03-25T16:07:37.730-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='modernidades'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre mulheres e meninas</title><content type='html'>tudo bem, então talvez aquela não fosse a melhor abordagem para uma mulher como aquelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o problema é que eu tinha um problema, sabe? e o problema, dessa vez, era que eu não sabia como chegar em alguém como ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na verdade, o problema verdadeiro era aquele que acomete nove entre dez dos homens de minha idade: seria ela mulher, ou seria ela garota?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;creio ter atraído a simpatia da maior parte dos leitores masculinos deste texto. parte essa que sabe o que é não saber como reagir às reações do alvo - neste caso, alguém por volta de seus vinte anos. como saber se devemos desenvolver uma estratégia para quebrar as defesas de uma mulher ou de uma adolescente? que atire a primeira pedra quem souber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entramos, pois, em terreno nunca dantes desvendado. singramos sitios estranhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo bem, posso concordar que tudo que remete ao sexo feminino seja algo desconhecido àqueles que buscaram singrar mares não navegados - pois há de concordar, aquele que tenha o mínimo de sabedoria, que não há certeza no eterno reino do cortejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim, uso palavras antigas e esquecidas. também me desventuro por correntes nas quais muitos aventureiros jamais retornaram. mas ouso dizer que não me importo com tais coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que me importa é que eu mandei. mandei mesmo. enviei uma mensagem de texto à qual temo jamais receber resposta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma tempestade em copo d'água, poderia o mais destemido me esbravejar? concordo. mas peço encarecidamente que, aquele que souber todas as respostas, por favor, mande-me um e-mail. um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;scrap&lt;/span&gt;, que seja. adentramos agora no reino do xaveco moderno. o cortejo online. que me adicione no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;facebook&lt;/span&gt; quem tiver as respostas. e que me esclareça: seriam elas meninas ou mulheres?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;em breve: o guia do xavecador online.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8269010762274221986?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8269010762274221986/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8269010762274221986&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8269010762274221986'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8269010762274221986'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/03/sobre-mulheres-e-meninas.html' title='sobre mulheres e meninas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5583657129891489254</id><published>2010-01-31T04:30:00.007-02:00</published><updated>2010-01-31T05:01:45.220-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pavio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre os puros de espírito</title><content type='html'>certa vez me achava em uma daquelas situações que muitos podem achar incômodas: estava sentado em uma mesa de bar com uma guria com a qual havia tido relações íntimas - sim, vamos chamar de "relações íntimas" -, seu namorado e um amigo daqueles famosos por não conseguirem calar a boca e entregarem detalhes sórdidos melhor deixados em caixinhas esmagadas em algum lugar do poeirento sótão que chamamos de lembranças. alguns podem achar tais momentos incômodos, talvez até mesmo embaraçosos, mas eu os chamava de inferno carmático.&lt;br /&gt;olá, meu nome é pavio e, sim, eu já me relacionei casualmente com mulheres. antes que me acusem de misógino, acho válido salientar que foram, no máximo de minhas possibilidades casanovianas, umas duas.&lt;br /&gt;pois bem, estávamos lá e a cerveja, conhecida por não conhecer grandes afetos, não parava de chegar.&lt;br /&gt;a noite seguia alta e meu amigo não parava de comentar a leves brados:&lt;br /&gt;- ela é gostosa, hein? mas sou mais você do que esse pirralho do lado dela.&lt;br /&gt;é, ele é daqueles que tentam agradar, mesmo quando essa é uma possibilidade tão distante quanto pegar um avião para katmandu e se alistar no primeiro mosteiro budista enfiado em alguma pedra milenar.&lt;br /&gt;a conversa não saia daquela breve troca de idéias sobre entorpecentes ilegais, comuns a qualquer um de nossa idade - tenho 22 anos - que tenha tido algum passado válido a se comentar, ou sobre os diversos deslumbres conhecidos em nosso curto tempo neste campo astral.&lt;br /&gt;e é isso. eles eram, na mais sincera das minhas intenções, perfeitos um para o outro. não importa quão novo fosse ele, eles se encaixavam, combinavam. seus encantos com momentos dos mais mundanos era algo que simplesmente não cabia em minha mente. e eu só conseguia pensar em dar o fora dali, ao mesmo tempo em que ficava lembrando de certos momentos bíblicos que não merecem ser contados aqui.&lt;br /&gt;o tempo passava e a troca de olhares era inevitável - como haveria eu de negar um breve contato ocular quando as memórias inundavam cada palavra e pensamento que cruzava a minha mente? sim, sou um cara e ainda estou atrás de sexo, oras.&lt;br /&gt;no entanto, eu me mantinha firme. tomava mais cerveja, jogava sinuca e procurava continuar minha vida naqueles instantes tão duradouros quanto o tempo que se leva para apagar um cigarro e procurar outro no maço.&lt;br /&gt;pois bem, a saidera chegou e a despedida era inevitável e bem vinda. não podia ser de outra forma. não podia ser de melhor forma. pelo menos até o momento em que íamos ao supermercado sacar dinheiro para que outro conhecido pudesse pagar seu táxi para casa, quando meu amigo, tão querido pela noite que se aproximava de seu término, virou para mim e disse:&lt;br /&gt;- isso aí, meu velho. tá certinho. como foi mesmo? comeu uma noite e ficou de boa depois, né?&lt;br /&gt;- não. como eu ia te dizendo, eu era tão apaixonado que até terminei com minha namorada pra ficar com ela.&lt;br /&gt;silêncio, como era de se esperar. finalmente ele havia atingido tamanho mal-estar que me garantiria paz suficiente para curtir minha fossa.&lt;br /&gt;ledo engano:&lt;br /&gt;- mas tu comeu, não comeu?&lt;br /&gt;deus abençoe os puros de espírito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5583657129891489254?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5583657129891489254/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5583657129891489254&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5583657129891489254'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5583657129891489254'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2010/01/sobre-uma-noite-duradoura.html' title='sobre os puros de espírito'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3026529040052979549</id><published>2009-11-06T16:56:00.006-02:00</published><updated>2009-12-09T13:04:36.912-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><title type='text'>sobre pensamentos VI - vai se foder</title><content type='html'>outro dia liguei o msn e vi, no &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nickname&lt;/span&gt; de alguma guria com a qual nunca troquei mais do que cinco palavras, os dizeres "voooo ligar o rádio e vou dizerrrrrr, arrumei outro mais gostoso que vce. vai se foder". na minha transcrição, cortei alguns O's e R's que estavam sobrando, até porque eles não importam. procure também ignorar o pequeno erro de português e a linguagem de internet. a mensagem mais importante ultrapassa tais detalhes. o que importa na mensagem, não dirigida à minha pessoa, obviamente, é a parte "arrumei outro mais gostoso que você".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;olha, não sei como a pessoa que deveria receber o recado reagiu, mas imagino que a maioria gritante dos homens cagariam. quero dizer, eu não me acho gostoso.&lt;br /&gt;nunca pensei em ser gostoso.&lt;br /&gt;caguei pra ser gostoso.&lt;br /&gt;logo, não seria grande mérito terem arrumado alguém mais gostoso que eu. na verdade, acho que eu teria vantagem por tê-la comido sem ser gostoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse cara, sim, que rala. coitado. não deve ser fácil ser gostoso. e quando ele deixar de ser gostoso, então? tá na merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque de uma coisa eu sei, não serei gostoso nunca na minha vida - como isso aconteceria, com tanto cigarro e cerveja? - mas ainda tenho minhas vitórias esporadicamente. vitórias essas que nada têm nada a ver com meu nível de gostosura. se tivessem, é certo que logo acabariam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3026529040052979549?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3026529040052979549/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3026529040052979549&amp;isPopup=true' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3026529040052979549'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3026529040052979549'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/11/sobre-pensamentos-vi-vai-se-foder.html' title='sobre pensamentos VI - vai se foder'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5245049522583893616</id><published>2009-10-26T11:18:00.003-02:00</published><updated>2009-10-27T22:28:29.648-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre o verdadeiro romântico</title><content type='html'>o verdadeiro romântico demorou a se apaixonar. desde sua puberdade era um romântico, amando sempre a idealização da mulher. assim, o verdadeiro romântico não conseguia encontrar alguém que se encaixasse em seus padrões altíssimos, não conseguia amar apenas uma mulher, quando era apaixonado por todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verdadeiro romântico, não se sabe se por cansaço ou se por estar verdadeiramente interessado, finalmente conheceu alguém e se comprometeu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verdadeiro romântico lhe dava flores diariamente, a levava para jantar em lugares dos mais caros e finos, dizia que a amava incondicionalmente, e que ficariam juntos para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verdadeiro romântico realmente acreditava em tudo o que dizia. infelizmente, o relacionamento não durou muito tempo. ele ainda amava a perfeição inexistente de sua companheira e, quando a própria, em toda a sua realidade de carne e osso, não conseguiu manter a ilusão, o namoro acabou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verdadeiro romântico, no entanto, não se deixou abater por esse contratempo e logo voltou à luta. se envolveu com uma, duas, três, vinte mulheres, algumas simultaneamente. sua gana por encontrar aquele ideal feminino que tivera em mente durante toda a sua adolescência só fazia aumentar e, com isso, acabava por anuviar alguns de seus princípios éticos. não era sua culpa, não podia sê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verdadeiro romântico, assim, amava profunda e eternamente todas as mulheres com que se relacionava, que já havia se envolvido, que ainda iria conhecer. talvez fosse por esse motivo que era virtualmente irresistível à maioria da população feminina. enquanto estivesse com uma mulher, ele era todo e completamente seu, apaixonado, devotado. bem, pelo menos até a próxima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verdadeiro romântico percebeu esse seu poder. entendeu que sua condição era um verdadeiro afrodisíaco sobre todas as mulheres. como não podia deixar de ser, ele então começou a se aproveitar conscientemente disso. antes que alguém o acuse de insensível, vale lembrar que ele fazia isso não por maldade, mas por um senso próprio de justiça. durante tantos anos, fora um refém da perfeição feminina e, agora, finalmente tinha meios para equilibrar a balança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o verdadeiro romântico não se continha mais. desejava e possuía todas as mulheres que cruzavam seu caminho e elas não pareciam se importar muito. algumas reclamavam, outras exigiam exclusividade, poucas batiam o pé e brigavam por seu amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finalmente, a verdade caiu como uma pedra sobre sua cabeça. depois de tanto tempo, de tanta idealização e amor, o verdadeiro romântico era um verdadeiro canalha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5245049522583893616?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5245049522583893616/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5245049522583893616&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5245049522583893616'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5245049522583893616'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/10/sobre-o-verdadeiro-romantico.html' title='sobre o verdadeiro romântico'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6302738971141821917</id><published>2009-10-19T02:05:00.002-02:00</published><updated>2009-10-19T02:18:55.875-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><title type='text'>sobre o som que habita o silêncio</title><content type='html'>fiquei observando-o ali, sentado no fundo do ônibus, aparentemente imóvel. apenas um olhar mais atento para perceber que seu coma era uma farsa. os dedos se moviam sutil e lentamente, acompanhando o ritmo da música que era emitida por seus fones de ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;desde a primeira vez que saíra de casa com as próprias pernas, tinha sempre posicionado em sua cabeça o par de aparelhos auriculares. ganhara um &lt;i&gt;walkman &lt;/i&gt;de seu pai ao completar três anos, com uma fita cassete da dupla sandy &amp; júnior. não conseguia desgrudar do aparelho. ia à escola, ao treino de futebol nas manhãs dos sábados, ao supermercado com sua mãe, invariavelmente com os fones ligados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim, crescera. e, mesmo que o aparelho mudasse (de um &lt;i&gt;walkman&lt;/i&gt; para um moderno &lt;i&gt;Ipod&lt;/i&gt;) e a música nele contida (os filhos de xororó, ou chitãozinho, sei lá, não mais lhe apeteciam, como era de se esperar) o cenário era o mesmo. enquanto estivesse em movimento, nas ruas ou em lugares fechados, tinha seus companheiros sonoros conectados quase diretamente a seu próprio cérebro. já virara uma rotina. ao sair de casa pegava carteira com documentos e dinheiro, relógio, chaves e sua música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao contrário do que poderia se supor, tinha uma vida normal. o colégio, vivia sempre rodeado de amigos. conhecera sua parte de interesses amorosos. a preocupação inicial dos pais, que viam o filho se desligar do mundo ao sair de casa, passara com os relatos de diretoras e professores de que seu filho nutria uma relação social saudável - até mesmo invejável - com as pessoas ao seu redor. claro que o fato de que, em muitas vezes, os fones estarem posicionados em suas orelhas até durante as aulas causou certa apreensão, mas suas notas não apresentavam motivos para suspeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sem maiores contratempos teria sido sua vida até aquele momento em que eu o observava no ônibus. o forte transe que o mantinha desligado do mundo por mais de vinte minutos pareceu cessar de súbito. de repente, aquele jovem e tranquilo garoto, mais novo do que eu por não mais do que quatro anos, apresentava uma exasperante inquietação. inicialmente, procurou manter a calma, examinando minuciosamente seu aparelho de armazenamento musical. sem encontrar respostas satisfatórias, passou a investigar seus antigos companheiros, os fones. quem o observasse naquele momento podia perceber, estampada em sua cara, que suas suspeitas se confirmavam: estavam quebrados, algo no fio, provavelmente. sua angústia era aparente, mas não havia nada que pudesse fazer ali, naquele momento. então, após praguejar e soltar algumas palavras de baixo calão por alguns segundos, finalmente pareceu resignar-se a completar aquela viagem em um silêncio desconhecido por anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o problema maior, no entanto, não era o silêncio. na verdade, o silêncio nem ao menos existia. subitamente, sua mente era inundada por vozes desordenadas e confusas, que gritavam milhares de sentenças por segundo. vozes que não pertenciam a terceiros, sentados nos bancos ao redor ou de pé no corredor, mas sim a seus próprios pensamentos. pela primeira vez em sua vida como ser humano pensante e inteligente aquele jovem se via obrigado a conviver consigo mesmo, pela primeira vez se deparava verdadeiramente com sua própria vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o jovem poderia ter experimentado um período sem música, sem fones, apenas com seus pensamentos. em uma semana, já teria vivido mais do que o resto de sua vida inteira, imerso em ciclos de pensamentos que nunca havia aprendido a organizar, soterrado por seus próprios erros e acertos, atacado constantemente pelas palavras que nunca dissera, pelas brigas que não havia tido. ele poderia, mas, se tivesse de apostar, diria que não foi isso que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;chegando em casa, depois de se deparar com uma vida inteira que tinha pela frente, o rapaz chegou a conclusão que teria de fazer o que fosse necessário para que aquela situação nunca mais acontecesse. como poderia ter chegado até aquele momento sem nunca ter se confrontado daquela forma?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no dia seguinte, comprou novos fones de ouvido. novos e vários. tantos, para nunca tivesse que passar por aquilo novamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6302738971141821917?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6302738971141821917/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6302738971141821917&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6302738971141821917'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6302738971141821917'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/10/sobre-o-som-que-habita-o-silencio.html' title='sobre o som que habita o silêncio'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6730671243180744035</id><published>2009-09-24T02:44:00.005-03:00</published><updated>2009-10-26T18:06:41.382-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='homenagem'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>sobre o homem que não morreu</title><content type='html'>meu vô foi um grande homem. aprendi muito com ele. como me portar com outras pessoas, como mostrar respeito, como se orgulhar de viver minha vida sendo feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu vô cometeu muitos erros. alguns mais graves, outros passageiros. alguns marcaram a vida das pessoas, outros podem ter até mesmo marcado a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu vô, mesmo quando errou, me ensinou demais. cada erro seu ficará para sempre em minha memória e, podem ter certeza, viverei procurando desviar de tais armadilhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu vô era um homem feliz, um homem alegre, e não havia como não se contagiar com sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu vô conquistou uma cidade inteira, muitas vezes sem nem sair de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu vô bebia e fumava muito. mas esse é o lance de meu avô, ele não procurava esconder essas coisas que poderiam ser consideradas defeitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu vô não tinha vergonha de ser do jeito como era, não tinha vergonha de ser feliz de formas pouco ortodoxas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oswaldo soto martinez era um grande homem. este homem morreu dia 22 de setembro de 2009 e foi enterrado no dia seguinte. em seu enterro, familiares e amigos que já eram da família lamentavam sua perda, pessoas que sentirão pelos restos de suas vidas a ausência de alguém que lhes proporcionou tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oswaldo soto martinez morreu dia 22 de setembro de 2009. meu vô continua vivo. afinal, como poderia morrer um homem que morreu e renasceu tantas vezes em sua longa vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho orgulho de dizer que o tinha como meu avô. como nosso avô. cabe a nós que ficamos provarmos com nossas vidas que merecemos tal honra, e que ele tenha orgulho de dizer que nos tem como seus netos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6730671243180744035?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6730671243180744035/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6730671243180744035&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6730671243180744035'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6730671243180744035'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/09/sobre-o-homem-que-nao-morreu.html' title='sobre o homem que não morreu'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-4906491118458276311</id><published>2009-09-18T04:11:00.007-03:00</published><updated>2009-09-20T05:32:18.506-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manifesto'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre o que vamos fazer</title><content type='html'>vamos fingir que estamos em algum outro lugar; um pasto verde em algum país distante da europa mediterrânea, ou sobre as colinas geladas que cobrem territórios sagrados na china imperial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vamos fingir que somos dois, você e eu, e que não há mais ninguém a ser lembrado sobre a face da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vamos fingir que existe, em algum lugar, um espaço em que realmente possamos fingir tudo isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vamos fingir que seus sentimentos são reais. vamos fingir que não estás fingindo sentir tudo isso que deveras não sente. vamos, os dois, nos fazer de tontos e fingir que a atuação não existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vamos fingir que eu não sei disso. vamos fingir que vale a pena se arriscar novamente, pular sobre uma superfície tão distante. vamos fingir que eu ligo, que não penso que talvez seja melhor navegar sobre águas mais tranquilas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, vamos fingir que o resultado compensa o risco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vamos fingir que não são tão somente palavras lidas aqui. vamos fingir que o que se lê é real. vamos, podemos. quem sabe assim possamos viver plenamente o que, até agora, apenas se fingiu ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-4906491118458276311?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/4906491118458276311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=4906491118458276311&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4906491118458276311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4906491118458276311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/09/sobre-o-que-vamos-fazer.html' title='sobre o que vamos fazer'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3844024962582357426</id><published>2009-09-04T02:29:00.008-03:00</published><updated>2009-09-04T11:40:10.160-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre o conto e a moral</title><content type='html'>façamos o seguinte: imaginem um campo amarelado, com diversos matagais brotando aqui e ali. você já viu essa paisagem antes, apesar de se tratar de uma totalmente nova. estamos falando de um campo chinês. um campo chinês iluminado pelo sol de fim de tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imaginem agora uma montanha; nem tão alta para estar coberta de neve, nem tão baixa para não valer o simples desafio de escalá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no alto de tal montanha que se localiza próxima a um campo amarelado pelo sol do fim de tarde, encontramos o cenário para nosso próximo conto, um monastério simples, daqueles de telhas azuladas e arquitetura quadrada com paredes vermelhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se você já assitiu a qualquer filme de kung fu chinês ou de hong kong já consegue vislumbrar a obra arquitetônica a qual me refiro. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;kung fu panda&lt;/span&gt; também serve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, no meio do campo de tal monastério, cercados por bonecos de treinamento construídos na mais fina madeira oriental, um aprendiz discute a vida com seu mestre:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mestre, consegui. voltei com ela. e dessa vez é para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- gafanhoto, deixe-me ver se entendi. você voltou com ela? a mesma que pediu um tempo para pensar na vida e, dois dias depois, ficou com shi fu, seu melhor amigo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sim, mestre. ela jura que dessa vez será diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- imagino o que ela jura, jovem gafanhoto. só estou tentando entender a situação. seria ela a mesma que, depois de jurar que nunca mais faria algo como aquilo novamente, tratou de se entregar a dois jovens guerreiros apenas um mês depois de você ser convocado para defender a província de bu-ho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sim, mestre. mas eu a amo de todo o meu coração. sei que tal amor não poderá ser desconsiderado novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- jovem gafanhoto, aproxime-se. - o jovem guerreiro chinês se aconchega próximo ao mestre, debaixo das folhas de uma respeitosa figueira. - já ouviu a história do sábio rato e o fosso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não, mestre. não ouvi. mas não consigo ver a sua importância agora. imploro seu perdão. estou apaixonado e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- isso não importa, aprendiz. ouça com atenção às palavras de seu mestre. há gerações que se conta essa história, de pai para filho. por se tratar de um órfão, creio ser meu dever passar-lhe tamanho ensinamento. havia uma vez, muito tempo atrás, um jovem rato, que não sabia mais da vida do que um tolo de 22 anos. certa ocasião, ele voltava para casa, distraído após um dia de roeções e outros deveres característicos a ratos e acabou caindo em um fosso. o fosso se tratava de um buraco profundo, íngrime, escorregadio, que poucos sobreviveriam. em seu fundo, o próprio rato encontrara diversos restos de seres que haviam acabado por ser tragados. no entanto, com perserverança e honra, dignos de um verdadeiro guerreiro, o rato acabou por conseguir sair, mesmo custando-lhe uma de suas presas que usava para o tão importante trabalho de roer sementes. você entende, jovem gafanhoto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- entendo, mestre. mas ainda não sei como isso se aplicaria ao meu caso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- tenha paciência. enfim, um dia, meses depois de se salvar das garras do terrível fosso, apesar de se achar imune às suas armadilhas, o rato acabou por se embriagar em uma festa. voltava então para casa ébrio, e não percebia a aproximação gradual e fatal do terrível buraco. foi assim que o fosso lhe envolveu com um braço, laçou-lhe com o outro e acabou por puxá-lo para seu ventre. naquela ocasião, no entanto, o rato se encontrava ainda mais vulnerável, pois estava bêbado. mesmo assim, com dignidade e força, o roedor conseguiu se livrar da horrível armadilha, o que lhe custou as garras que usava para a defesa contra seus inimigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sim, mestre. - neste momento, o jovem aprendiz concentrava toda sua atenção ao incrível conto do rato guerreiro que não se entregava aos planos da morte. - como, então, escapou o rato da terceira vez que caiu no fosso, sem garras e sem presas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- aí que te enganas, gafanhoto. nunca houve uma terceira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas como, se é certo que o fosso se tratava de uma força da natureza tão ardilosa que poderia enganar o mais sábio dos ratos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- digo-lhe que a terceira vez nunca aconteceu, jovem aprendiz. sabes por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não imagino, querido mestre. como haveria o rato de se salvar de uma vez por todas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- porque, por mais ébrio que estivesse nas vezes seguintes, amado jovem, o rato já havia se salvado. quero que prestes bem atenção ao que te direi agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sim, mestre. sabes que minha vida é segui-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- o rato se salvou, de uma vez por todas, porque tomou a atitude que falta à maioria dos seres, sábios ou ignorantes. aquele animal pequeno e tolo por natureza tratou de se salvar da única forma possível; tratou de dar uma porra de um pontapé na bunda daquela vadia de buraco!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não entendo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- simples, seu imbecil. - e aí o mestre já havia abandonado completamente conto ou moral para se impacientar com o jovem gafanhoto - seja homem para fazer o que até um rato fez antes de ti e manda aquela puta daquela tua namorada pras &lt;span style="font-style: italic;"&gt;putas que a pariu, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;que até a mim ela já tentou dar&lt;/span&gt;!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se existe algo que a História nos ensinou, é que não há como discutir com a sabedoria milenar chinesa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3844024962582357426?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3844024962582357426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3844024962582357426&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3844024962582357426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3844024962582357426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/09/facamos-o-seguinte-imaginem-um-campo.html' title='sobre o conto e a moral'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-4111421364864774395</id><published>2009-08-10T22:53:00.005-03:00</published><updated>2009-08-18T01:01:38.158-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='literatura'/><title type='text'>sobre o leitor que é</title><content type='html'>as pessoas lêem livros por dois motivos: para somar algum conhecimento às suas existências ou para, por algum momento, fugir delas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;posso afirmar categoricamente que pertenço ao segundo grupo. leio para visitar novos lugares, novas realidades, novas mentes. leio para tudo isso, e acabo me entregando à obra. me transformo no livro que estou lendo, enquanto estivê-lo fazendo. neste período sou autor, história, protagonista, tudo ao mesmo tempo e, como não posso deixar de sê-lo, sou também eu mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com isso, fica até fácil de identificar o que leio em determinadas épocas. se estou desleixado, cínico e cruelmente realista, sou também henry chinaski de bukowski. caso esteja direto, humanizado e um tanto epopéico, grandes são as chances de estar acompanhando saramago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes gosto de me aventurar por imaginar o que aconteceria ao ler algo como shakespeare. sou, por natureza, um dramático inveterado e um romântico amador. teria eu o fim em sangue? sei que, quando estou a ler stephen king, me transformo em um ser das sombras, soturno e perturbado, com uma personalidade mutável e volúvel, tal qual o seu palhaço pennywise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;certa vez, eu era james joyce. confuso, elaborado, profundo e nunca terminei de lê-lo. também, com tantas páginas... decidi-me então por ser a existência humana, partindo de um caso único e extrapolando-o para tudo e todos. poderia ser dito que experimentava uma vontade crônica de ser breve. ou talvez que vivia uma vontade breve de ser crônica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, posso dizer, quem sabe, que sou um leitor vivo, sendo tudo o que leio e lendo tudo o que sou o tempo todo. mesmo que isso mude com a editora ou com o autor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-4111421364864774395?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/4111421364864774395/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=4111421364864774395&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4111421364864774395'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4111421364864774395'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/08/sobre-o-leitor-que-e.html' title='sobre o leitor que é'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2008415838130680137</id><published>2009-08-08T02:09:00.002-03:00</published><updated>2009-08-08T02:59:54.119-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='carros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre o que sempre existirá</title><content type='html'>sempre existirão garotas que se interessarão por caras exclusivamente por causa de seus carros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e sempre existirão caras que sabem que seus carros lhes ajudam com essas garotas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a relação homem/mulher/veículo automotor se vê coberta por uma sombra nefasta. não me entendam mal. essa relação sempre existirá, assim como sempre existiu. no entanto, a modificação e, talvez, modernização dos carros nos últimos anos acabou com uma das maiores lembranças que uma pessoa poderia ter em vida: a de saber e até mesmo conhecer o carro em que foi concebido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;carros que duram anos e anos a fio não existem há, pelo menos, uns 20 anos. ou seja, há toda uma geração, talvez até mesmo duas, que não conhece aquele canto especial no banco traseiro em que, um dia, papai e mamãe se envolveram com tamanho fervor que acabaram por selar uma relação eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim, caros amigos, houve uma época mais feliz, uma época mais simples, em que os recreios eram momentos de discussões como:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- papai disse que eu fui feito na nossa brasília.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- sério? eu fui feito num gurgel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e eu numa mercedes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- caramba! teu pai era rico?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não. motorista...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ah!...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ...de ônibus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje em dia, não podemos mais testemunhar uma conversa tão pura e, ao mesmo tempo, tão reveladora. quem tem o pai cujo carro está na família há mais de três anos? desvalorização no mercado, flutuações cambiais, modelos 2000, quintas gerações e, acima de tudo, motores vagabundos são os principais motivadores da perda de nosso passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pertencemos, meus caros, a uma geração sem ninho, sem um carro-natal, sem uma kombi para para chamar de sua. até hoje, gosto de imaginar que sou fruto daquele uno que me lembro ter andado um dia. enfim, creio que nunca saberei com certeza. sei que nem mesmo meus pais poderão se lembrar qual carro tinham na época. não com tantos kadets, monzas, kas e derivados no caminho a enevoar as memórias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mesmo assim, se ficarmos no mais absoluto silêncio e aguçarmos bem a audição, poderemos ouvir uma camisinha estourando no banco de trás de algum 206 por aí. lutemos para não ficarmos tristes por mais um que não conhecerá suas origens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sim, sempre existirão os carros para facilitar a aproximação de interesses entre os sexos. só não existe mais aquele pedaço de passado que tanto alegrou a nossos pais e avós  em outros tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aprofundando um pouco e distorcendo um tanto mais, pode-se dizer que, por desconhecermos nosso passado, perdemos um pouco também de nosso futuro. mas talvez isso seja ir um pouco longe demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é, isso com certeza seria ir longe demais. honremos os bancos traseiros, então. e respeitemos as caronas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2008415838130680137?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2008415838130680137/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2008415838130680137&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2008415838130680137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2008415838130680137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/08/sobre-o-que-sempre-existira.html' title='sobre o que sempre existirá'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6614328611113687997</id><published>2009-08-01T02:05:00.005-03:00</published><updated>2009-08-02T00:41:20.957-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mentira'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>sobre a verdade ou sobre uma chupada</title><content type='html'>confiança é um assunto delicado. como alguém pode se propor a ler um texto sobre o assunto sem confiar no autor?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;contudo, há um aspecto dentro de toda a questão envolvendo a confiança que, creio, intriga, ao mesmo tempo em que é comum a todos. que confiança perdida é justificadamente difícil de ser recuperada, ninguém discorda - acho que podemos estabelecer um ponto comum nisto; mas e quando se quebra uma confiança injustificada, algo que nem se sabia existir, algo que você nem ao menos pediu? enfim, é correto ser alvo do ódio da namorada daquele seu amigo apenas porque ela descobriu que, ao contrário do que você - "crápula" - confirmou, ele - "filho da puta" - não estava te ajudando a levar sua avó ao hospital, e sim estava traçando aquela vizinha do sétimo andar vestido de zorro e gritando "hi ho, silver"?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;afinal, não era VOCÊ comendo aquela delicinha de mulher em cima da centrífuga; não era VOCÊ o namorado que passara para trás a pobre e ingênua criatura que, pobrezinha, nem merecia tamanho descaso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na verdade, se havia algum culpado era ELE, que não conseguira manter a mentira, tão bem elaborada pela sua pessoa, de pé. mais que isso, ela devia era ficar orgulhosa de você que, afinal, provara ser um verdadeiro amigo. amigo dele, claro, mas não eram essas as funções estabelecidas no começo da relação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você, o fiel escudeiro; ela, a jovem e inocente donzela que, futuramente, descobriria que aquele não era seu príncipe encantado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aliás, pensando a respeito, ela devia era se envergonhar de lhe fazer uma pergunta daquelas - "assim... ele já me traiu? ontem, você saiu com ele?" -, de ter presumido que você deveria dizer a verdade. a ti, coube apenas o seu papel inicial; quem veio a querer mudá-lo fôra ela. como ela se sentiria se um dia você pedisse a ela um boquetinho? assim, nada de mais, só uma língua e coisa e tal. a traição seria a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na verdade, a traição de um amigo é muito maior que de uma namorada. chifre se perdoa. apunhalada nas costas, jamais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou seja, ela deve engolir o orgulho calada, e você deve manter o queixo erguido. a traidora, dentre os dois, era ela. pois, no fim, mais vale uma chupada que dizer a verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6614328611113687997?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6614328611113687997/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6614328611113687997&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6614328611113687997'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6614328611113687997'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/08/sobre-verdade-ou-sobre-uma-chupada.html' title='sobre a verdade ou sobre uma chupada'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2660098739314803644</id><published>2009-07-15T02:38:00.003-03:00</published><updated>2009-07-15T03:52:25.734-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre expetativas frustradas</title><content type='html'>virei a dose de uma só vez e bati o copo na mesa, imitando aquele estilo bem macho. algumas gotas voaram pelo ar e caíram bem em cima do meu caderninho. três, para ser mais exato. limpo com as costas da mão e levanto a cabeça e, ao mesmo tempo em que combato o enjôo ocasionado pela terceira dose de cachaça, dou uma escaneada no bar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a noite mal começou, o que explica a falta de movimento. o bar escuro dificulta a visão, e a fumaça acumulada de cigarro não é um fator que ajuda. nem as paredes pretas, mas tudo bem. a situação do ambiente é quase a mesma de todas as noites. atrás do balcão, pinguelo seca alguns copos com seu avental amarelado; na mesa do canto esquerdo, alguns jovens barbudos com óculos intelectualóides discutem as velhas verdades universais promovidas pela cerveja e pelo vinho; mais ao fundo estou eu na minha mesa de sempre, aquela que oferece o melhor campo de visão do bar inteiro. somos seis ao todo, e todos os seis se viram para olhar em direção à porta quando ela entra e se senta em um dos bancos próximos ao balcão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentada bem à minha frente, não consigo ver o seu rosto. all star branco rabiscado, saia jeans rasgada e uma camiseta justa, branca. mulheres não são comuns por aqui. na verdade, mulheres nunca entram nesse lugar. acho que é por isso que frequentamos esse bar. a liberdade de poder falar alto, arrotar e coçar o saco; o tipo de liberdade que um ambiente livre do sexo feminino proporciona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;logo, como se flutuasse em algum lugar no ar bem acima à minha cabeça, observei enquanto essa figura barriguda de um jornalista de meia idade, vestindo uma camisa branca velha e com algumas manchas de queimadura, se endireitava na minha cadeira. consertei também a postura e limpei rapidamente a mesa, em uma tentativa patética de parecer mais austero. quero dizer, dava pra ver alguns pêlos fugindo por entre os botões, e a minha barriga se dobrava por cima da calça de uma forma um tanto obcena. como melhorar uma imagem dessas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por cima do balcão, pinguelo acenou pra mim depois de servir à nossa mais nova frequentadora uma dose de whisky. acenei de volta, e nem percebi que ele não estava olhando pra mim. tampouco notei que ela vinha em minha direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sentou-se na cadeira vazia da minha mesa e eu então notei que estava correto: de fato, mulheres nunca vêm a esse bar, mas para tudo há uma primeira vez. no entanto, essa não seria uma delas. mulheres não vêm a esse bar, mas talvez meninas... bem, eu tinha, bem ali, à minha frente, um exemplar feminino de não mais que uns 15 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela abriu a boca para falar e eu pensei "raios, essa merda dá cadeia", mas ela não disse uma só palavra, apenas engoliu todo o resto de bebida em seu copo. levemente corada, ficou me observando por uns cinco minutos e eu, ao invés de incomodado ou constrangido, apenas meditava sobre a situação. aquela era pra ser uma noite como outra qualquer. depois de sair da redação, eu iria ao bar, pediria uma cerveja, três cachaças e um whisky. dois, se o dia tivesse sido puxado demais. depois, ficaria sentado na mesa como sempre, fazendo o velho inventário do expediente, com meu velho caderninho de anotações. o caderninho, pra variar, estaria intacto no momento da chegada, e em frangalhos quando chegasse em casa, levemente embriagado. ao invés disso, ela insistia em ficar ali. ela, aquela menina, que mal saíra da puberdade, me investigando e devorando com os jovens olhos manchados pela maquiagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem seria ela? talvez uma fã, apesar da idade. de vez em quanto eu conseguia vingar uma matéria na capa ou até mesmo uma coluna. não tinha conhecimento de ninguém que acompanhasse ou admirasse meu trabalho, mas tinha certeza de que eles deviam estar por aí, em algum lugar. e agora estava ali, sentada na minha mesa, parecendo toda jovem e serelepe. e eu só pensava que isso podia dar cadeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finalmente, ela sorriu incomodamente e, olhando diretamente nos meus olhos, perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"você é joão eduardo rosa? o jornalista?" - é, meu velho. mais uma vez, seus instintos se provavam corretos. uma fã, quem diria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"sou eu, sim. como posso ajudá-la, minha querida? talvez mais uma dose de..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"acho que você é meu pai."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"...whisky?..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquela era pra ser apenas mais uma noite, porra.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2660098739314803644?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2660098739314803644/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2660098739314803644&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2660098739314803644'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2660098739314803644'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/07/sobre-expetativas-frustradas.html' title='sobre expetativas frustradas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5392057032159394046</id><published>2009-06-25T02:38:00.010-03:00</published><updated>2009-06-25T15:44:25.398-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos mestres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='lionel richie'/><title type='text'>sobre amor de verdade</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: left;"&gt;prédio no jardins. 15h, 37min. vinda de algum lugar, ouve-se uma voz melosa que canta:&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"hello, is it me you're looking for?&lt;br /&gt;I can see it in your eyes&lt;br /&gt;I can see it in your smile&lt;br /&gt;you're all I ever wanted, and my arms are open wide&lt;br /&gt;'cause you know just what to say&lt;br /&gt;and you know just what to do&lt;br /&gt;and I want to tell you so much, I love you..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;em outro apartamento, um filme termina e o aparelho de dvd é desligado. ela tem estado estranha a semana inteira; ele tenta começar uma conversa:&lt;br /&gt;- e aí, gostou?&lt;br /&gt;- é... não é mal, mas...&lt;br /&gt;- pô, e a parte que eles tão no deserto, e aquele robozão sai debaixo da areia e começa a atirar...&lt;br /&gt;- a gente precisa terminar.&lt;br /&gt;-...pra todo lado e...? - ele é pego de surpresa. - como assim "terminar"?&lt;br /&gt;- você sabe. eu sigo minha vida, você segue a sua.&lt;br /&gt;- mas, assim, do nada?&lt;br /&gt;- não. você sabe que a gente tem andado com problemas há meses... você com essa sua obcessão imbecil por robôs gigantes, eu com toda aquela merda no trabalho...&lt;br /&gt;- tá, mas logo depois de transformers? você podia ter me preparado um pouquinho. não se muda de um estado de extrema felicidade depois de assistir um puta filme desses pra uma separação, porra. é tipo um choque térmico, saca? tem gente que morre disso.&lt;br /&gt;- tá, desculpa. caguei. mas isso não muda o fato que a gente precisa terminar.&lt;br /&gt;- eu sei que a gente tem enfrentado uns problemas, mas o que te fez decidir isso, assim, logo hoje?&lt;br /&gt;- você me sufoca, cara.&lt;br /&gt;- como assim?? a gente não se vê há uma semana!&lt;br /&gt;- eu sei. e de repente você tem porque tem que me ver. puta saco...&lt;br /&gt;- caralho, só achei que hoje seria legal da gente se ver. afinal, é só o aniversário de um ano de namoro...&lt;br /&gt;- que brega isso!... te falei que você precisa relaxar mais. não ligo pra essas coisas.&lt;br /&gt;- como assim não liga? um ano, porra! 365 dias... isso é, tipo, um vinte-avo das nossas vidas!&lt;br /&gt;- nossa! quanto, hein??&lt;br /&gt;- deixa de ser besta, você entendeu.&lt;br /&gt;- foda-se. to indo embora.&lt;br /&gt;- não, peraí!... - ele se sente mal, doente, fraco.&lt;br /&gt;ela também, mas é porque se levantou rápido demais. - você realmente achou que nós íamos ficar juntos pra sempre?&lt;br /&gt;- não, mas... - a pergunta o deixa sem reação. obviamente, ele não tinha pensado nisso. - ...mas também não pensei que íamos terminar hoje. hoje, e logo depois do primeiro filme!&lt;br /&gt;ela, que já ia enfiando seu maço de cigarros na bolsa, pára. - por que? quantos filmes cê pegou?&lt;br /&gt;ele sente que tem um trunfo. algo com o qual ela não contava. - tem mais três aqui. um godard, um almodóvar e um fellini.&lt;br /&gt;- tudo bem. não preciso ir embora agora. mas assim que esses três terminarem, a gente segue com nossas vidas. cada um pra um lado.&lt;br /&gt;- cada um pra um lado. certo. cê viu que vai sair transformers 2?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se a televisão estivesse desligada, eles poderiam ouvir as sábias palavras que vinham de um rádio qualquer:&lt;br /&gt;"...&lt;span style="font-style: italic;"&gt;hello, I've just got to let you know&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;'cause I wonder where you are&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;and I wonder what you do&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;are you somewhere feeling lonely, or is someone loving you?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tell me how to win your heart&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;for I haven't got a clue&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;but let me start by saying, I love you..."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lionel richie; esse sim sabe o que é amor de verdade.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5392057032159394046?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5392057032159394046/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5392057032159394046&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5392057032159394046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5392057032159394046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/06/sobre-amor-de-verdade.html' title='sobre amor de verdade'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-9115741928969820396</id><published>2009-06-12T04:07:00.005-03:00</published><updated>2009-06-12T04:44:27.863-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre apenas dois</title><content type='html'>ele acorda, desliga o despertador e decide que dormirá mais alguns minutos. ela já está saindo do banho, e pensa nas roupas que vestirá e qual caminho tomar para desviar do típico engarrafamento das dez da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele sai de casa correndo, com uma maçã na boca por estar, mais uma vez, atrasado para o trabalho. ela aperta o botão do nono andar e troca conversa pequena com um cara do jurídico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele ouve the cure no carro, pois está de ressaca e esse trânsito é uma merda. ela se distrai com o ritmo de marisa monte, quando deveria estar concentrada no trabalho; afinal, esses números não vão se computar sozinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele decide ir pelo jardins, já que a porra da doutor arnaldo vai estar parada. ela pensa seriamente em mandar o chefe tomar no cu por lhe cobrar os relatórios mais uma vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele muda de rádio mais uma vez e estaciona o carro ao som das palavras do profeta gentileza. ela cantarola, em direção ao banheiro, uma canção sobre a carta a elise.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele começa a se resignar a respeito da bronca que levará da chefe, ao mesmo tempo em que esquece do fim de um namoro de quatro anos. ela troca palavras com uma colega e amiga de trabalho sobre homens e a carreira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele ouve às reclamações da empregadora e pensa em outras coisas. ela, enquanto fuma um cigarro, só quer saber de pensar em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele ajeita o teclado do computador, estala os dedos e puxa a primeira pauta. ela já está terminando a última planilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele pega o celular e marca com amigos a que bar irão mais tarde. ela se ressente por saber que não terá tempo de acabar os relatórios e que terá trabalho em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele decide, enfim, que é hora do almoço. ela pede uma moqueca de camarão e uma água mineral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele atravesa a rua na hora errada, distraído com uma garota que, ele jura, poderia ser a mãe de seus filhos. ela desvia o olhar bem a tempo de não guardar na memória, para o resto de sua vida, a visão de um homem sendo atingido por um carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele fica lá, caído no concreto, lutando para respirar com um dos pulmões perfurados. ela corre para socorrer o jovem que acabou de ser atropelado a poucos metros de si, que arfa em busca de ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele, em poucos minutos, não passará de uma estatística. ela, em algumas horas, chorará a morte de um desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eles poderiam ter sido protagonistas de qualquer história. se romance, comédia ou drama, não cabe a nós dizer. no entanto, foram não mais que personagens de um conto que descreve apenas o fim; mesmo quando todos iriam preferir que se tratasse apenas do começo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-9115741928969820396?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/9115741928969820396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=9115741928969820396&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/9115741928969820396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/9115741928969820396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/06/sobre-dois.html' title='sobre apenas dois'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8898007836781852484</id><published>2009-05-22T23:33:00.010-03:00</published><updated>2009-05-23T01:56:36.283-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>sobre conversas que não deveriam existir</title><content type='html'>idéia para uma possível montagem de crônica em curta-metragem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o cenário é de uma rua familiar, repleta de pequenas casas com seus portões metálicos. dois amigos e vizinhos de longa data, já ficando grisalhos, por volta de seus 40, 50 anos, conversam em frente ao portal da garagem de um deles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ali vai meu filho. olha como o moleque é grande e forte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;observando a baixa estatura do companheiro, o outro apenas responde sarcasticamente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- é... vê-se que puxou a mãe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e tu? o que tens?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- posso não ter filhos, mas pelo menos controlo minha mulher quando quero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não foi o que me disse ontem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas não lhe falei nada, muito menos ontem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- conjuguei o verbo na terceira pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ah, e posso saber quando falasse com minha mulher?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- oras, pois ontem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- como ontem? e eu, onde estava?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- comendo a tua secretária...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- e quem lhe disse isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- tua mulher... irônico, não?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o silêncio se posta entre os dois. cada um contrariado com o outro. permanecem calados por alguns minutos, até que o de menor estatura finalmente quebra o vazio com uma pergunta:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- peraí, quando falasse do meu filho, tavas insinuando que sou baixinho???&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o corno apenas permanece calado. vira-se e caminha em direção à sua casa, deixando o amigo com seus próprios complexos; parte, então, vitorioso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8898007836781852484?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8898007836781852484/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8898007836781852484&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8898007836781852484'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8898007836781852484'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/05/sobre-conversas-que-nao-deveriam.html' title='sobre conversas que não deveriam existir'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8463017988248718155</id><published>2009-05-19T02:28:00.015-03:00</published><updated>2009-05-20T10:25:19.405-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='perdedores'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>sobre o maior dos clubes</title><content type='html'>"tenho um namorado". - foi o que ela me disse, ao se levantar e me dar um leve beijo, daqueles que não se sabe se é destinado aos lábios ou à bochecha.&lt;br /&gt;e eu fiquei ali, observando-a partir, ligeiramente enraivaceido - enraivecido... eu tava é puto! - ao imaginar os sentimentos que ela poderia sustentar por um terceiro. quatro meses haviam se passado desde que eu a conhecera. três meses desde que eu havia percebido o quanto era linda. dois desde que reparara como seus olhos também brilhavam de forma fora do comum quando depositados sobre a minha pobre pessoa. um, um mês inteiro, desde que eu percebi que estava perdidamente apaixonado.&lt;br /&gt;eu, um jogador, não por natureza, mas por formação; e estava lá, assistindo-a partir para talvez nunca mais voltar, incapaz de correr atrás dela e segurá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;num bar, dois amigos discutiam já brevemente embriagados. o mais velho parecia sê-lo ainda mais do que realmente era; e o mais jovem fingindo ser mais experiente do que a realidade, talvez apenas para enganar ao colega de cerveja, talvez mentindo para si mesmo.&lt;br /&gt;discutiam, como invariavelmente essas situações de dois amigos conversando ebriamente em um bar acabam, sobre mulheres.&lt;br /&gt;ambos já haviam sofrido sua cota de desilusões e alegrias, de rejeições e felicidades, mas, acima de tudo, ambos estavam absolutamente na merda.&lt;br /&gt;talvez você já tenha lido um livro de stephen king chamado "a coisa", talvez não tenha. o que importa saber sobre esta obra é que é protagonizada por um grupo de jovens párias da sociedade, auto-intitulados "clube dos perdedores".&lt;br /&gt;senhoras e senhores, apresento a vocês, aqui, nesta mesa de bar, o verdadeiro clube dos perdedores. ainda haverão de inventar algo que combine mais com um clube de perdedores do que ser constituído de apenas duas pessoas. há quem discuta que, melhor do que serem chamados de clube, talvez devessem receber a alcunha de dupla.&lt;br /&gt;sim, dupla de perdedores.&lt;br /&gt;no entanto, e aqui ambos podem testemunhar a seus favores, os dois eram tão extremamente perdedores que suas experiências poderiam encher a vida de mais meia dúzia de indivíduos. assim, temos aqui novamente formado o clube dos perdedores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"costeletas, velho. o cara tem costeletas!" - dizia entusiasmadamente um deles, ou melhor, bradava. se lamentava por ter sido, de acordo com uma lógica só sua, trocado por um sujeito que cultivava uma quantidade um tanto obscena de pêlos nas extremidades das bochechas.&lt;br /&gt;"ela tem um namorado, bicho. depois de tudo o que passamos, ela tem uma porra de um namorado" - respondia o outro. talvez não respondia, mas relatava, sem se importar muito com as lamúrias do companheiro.&lt;br /&gt;para os não muito vividos entre mesas de bar, principalmente neste estágio de bebedeira, poderia parecer que os dois contavam suas próprias histórias sem dar muita importância para o que o outro dizia. chegaria um observador a tal conclusão e não poderia estar mais enganado. é assim que funciona a dinâmica do clube dos perdedores. problemas e contos são jogados ao ar de forma aparentemente aleatória,  e a conversa não segue necessariamente uma linha de raciocínio que uma mente comum conseguiria acompanhar. o que não significa, de forma alguma, que um não está prestando a mais profunda atenção no outro.&lt;br /&gt;conforme os relatos vão se aprofundando, tomando forma, se solidificando, a competição se acerra. sim, pois um compete com o outro pelo título de maior dos perdedores. &lt;br /&gt;a essa altura, a cerveja já foi esquecida, e são depositadas na frente de ambos doses cavalares de whisky.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"e teve aquela vez que eu, por medo de terminar, falei pra ela que tinha ficado com sua melhor amiga. o resultado foi melhor do que eu havia planejado. a gente não se fala até hoje..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"isso porque tu nunca deu um soco na cara do pai dela, meu velho. teve uma vez que o velho entrou e ela tava chorando, daí começou a falar um monte pra mim... não tive dúvidas..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"tá, e o vaso passou raspando na minha cabeça. eu gritei 'tá louca, sua vaca!?' e saí batendo a porta..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"ela ficava falando dos ex dela. mandei tomar no cu, mas agora acho que eu deveria ter sido mais paciente..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"falei 'vanessa', bicho. VANESSA! daí a samantha ficou olhando pra mim e, quando eu vi, tava me estapeando e ameaçando morder o..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"e eu to lá, olhando pra baixo, rezando a deus que um milagre enverta a porra da força da gravidade e tudo o que tá caído, suba..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;conforme a madrugada vai clareando, fica claro que a disputa terá de ser decidida um outro dia. mais leves e relaxados, nosso clube dos perdedores formado por dois dos mais exemplares espécimes da humanidade já paridos se levanta, encerrando esta sessão. apoiados entre si, com pernas cambaleando para todos os lados, ambos se dirigem para o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sei que, em tempos de lei seca e o caramba, este não é o final mais politicamente correto para qualquer história, mas essa é a minha verdade e eu ficarei com ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8463017988248718155?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8463017988248718155/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8463017988248718155&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8463017988248718155'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8463017988248718155'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/05/sobre-o-clube-dos-perdedores.html' title='sobre o maior dos clubes'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5705829768399486269</id><published>2009-04-17T03:29:00.010-03:00</published><updated>2009-05-23T02:00:41.308-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pavio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><title type='text'>sobre pensamentos V - rádios, ondas e pavio</title><content type='html'>imaginemos, por um segundo, que o texto a seguir se trata, não de um um ser, mas de ondas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe, aquelas ondas. não daquelas que ameaçam levar aos entes querido em feriados religiosos - ou não; não daquelas que ameaçam com seu tamanho a costa da tailândia, ou até mesmo aos estúpidos banhistas cariocas, com seu quebrar espumoso sobre praias repletas de placas de bombeiros que buscam alertar sobre os perigos de banhar-se em areias enganosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas ondas que enganam aos olhos. enganam aos olhos e à mente, explicadas por professores de física que buscam passar aos seus alunos conhecimento necessário para que ingressem em faculdades de renome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, imaginemos, todos, ondas que se transportam pelo ar, atravessando paredes e a própria imaginação. imaginemos, por falta de opção a que imaginar, ondas de rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e imaginemos um locutor que chegara, às três e meia da manhã, bêbado em sua humilde residência, citando o já esperado comercial de chinelos, tentando explicar tal situação. obviamente, pede-se ao intrépido leitor paciência para com as idas e voltas de tal autor incapacitado em sua ebriedade, esperando, agora, para que o disco do kings of leon seja finalmente baixado na internet - atitude, à qual, famigerado escritor espera e roga para que nenhum leitor repita, tendo em mente as severas leis internacionais de copyright.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imaginenos, ora, rogo para que imaginemos, respeitando todos àqueles que já tiveram imaginação suficiente para encarar um louva-deus deus, que nosso corajoso herói, pequeno em sua estatura e limitado por esta, seja um pequeno rádio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rádio daqueles de pilha, daqueles que não carregam em sua existência grandes ambições, como a de ser ouvido, um dia, em um estádio lotado por torcedores fanáticos que buscam toda e qualquer informação por seu time do coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe? rádios pequenos, que se carregue em bolsos castigados pelo uso. rádio azul-marinhos arranhados pelo uso de anos, e invejados por aqueles mais modernos, que lêem mp3 e arquivos de computador, mas que mesmo assim não podem ser levados a qualquer lugar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois bem, nosso herói agora é um rádio de pilha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e, por mais que, com os anos, ele tenha sido tentado a transmitir as partidas alvi-negras de seu dono, lutou e resistiu. pois, por mais que a natureza de um rádio transmissor seja a de passar a seu senhor as notícias e as vontades a que é submetido, este era um aparelho dos mais singulares e teimosos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era, então, um aparelho com paixão e teimosia. um aparelho que transmitia uma única sintonia. não importava quantas ameaças sofrece, de quanto ódio fosse alvo. por anos a fio, transmitia uma única onda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e tal onda havia ele aprendido anos antes, quando ainda era um rádio de fábrica, daqueles que não desafiam nem mesmo a garantia das grandes indústrias. havia aprendido, então, e apaixonado-se por ela, pobre coitado. pois mesmo em organismos onde reinam circuitos e eletricidade pode reinar a emoção, e este não conseguia fugir de sua realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim, por muito tempo, prendeu-se nosso herói à mesma situação, negando-se a abrir seu sinal a ondas alheias, piratas até, que pudessem contanimar, pela sua própria existência, sua realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;peço que imaginem, agora, que há outros que louvam tal motivação. quem nunca atravessou uma situação na qual a simples força de vontade é motivo de admiração? de certo que há aqueles que pensem que isso é bobagem, mas, e nesse caso devo ressaltar autor e aparelho eletrônico, não somos destes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois bem, coube um dia para que esse aparelho, seja por motivação de seu dono, perseverante em não deixar um bem defeituoso para trás, seja por razões próprias, sintonizar, enfim, em ondas quaisquer que não aquelas a que se mantinha preso por gerações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imaginemos, agora, que tal aparelho não é, senão, um rádio, e sim e um ser humano, e que tal homo sapiens responda pela alcunha de pavio, não seu nome de batismo, mas de vivência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e imaginenos sua alegria ao vislumbrar novas ondas. e sua liberdade com isso. pois há de se tolerar a existência daqueles que se viram presos por toda a vida. e - sei que há muitos que não podem imaginar tal situação, mas peço que meus caros leitores esforcem-se por manterem-se com as mentes abertas - a liberdade que isso propõe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o caso é que, finalmente, pavio era verdadeiramente livre. como ser, como personagem deste absurdo conto sobre a condição humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;livre como somente um aparelho que se vê aberto a novas sintonias, ou como este autor se vê diante das novas possibilidades de entender a si mesmo e àqueles que que têm algo a dizer em sua vida pode sentir-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;imaginemos, acima de tudo, compreensão suficiente em vossos corações para não sentir desprezo por este autor, que disse o que tinha a dizer em tamanhas linhas e tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pavio era, enfim, livre. e isso ninguém, nem mesmo este escritor que aqui vos fala, poderia tirar dele. (confessando, enfim, que o inveja. como o inveja)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ou seja: ondas não podem ser visitadas por aqueles que se mantém fechados à sua propria existência. e alegria não é conhecida por quem não se dá conta disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finalmente o autor pode transcrever, em palavras, sua própria liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não a sua; a de pavio. imaginemos, agora, o sorriso do autor ao digitar tais palavras. posso dizer, pois conheço a fundo o escritor, que é dos sorrisos mais sinceros que já transmitiu em vida. e em textos de pavio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5705829768399486269?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5705829768399486269/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5705829768399486269&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5705829768399486269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5705829768399486269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/04/sobre-o-enfim.html' title='sobre pensamentos V - rádios, ondas e pavio'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2986100924053259410</id><published>2009-03-22T02:02:00.013-03:00</published><updated>2009-03-22T13:46:13.020-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pavio'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre conversas noturnas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt;a história a seguir retrata, embora não tão profundamente quanto possa parecer, o momento em que pavio encontrou deus.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe aqueles momentos, logo antes de dormir, em que sua mente parece acelerar a 200 quilometros por hora e você simplesmente não consegue adormecer? então, pavio, nosso jovem anteriormente conhecido, transitava exatamente por esse misterioso mundo da mentes aceleradas. um olhar mais atento através da escuridão de seu quarto revelaria suas finas e pálidas canelas, que sempre ficavam para fora da cama - pavio devia medir mais de dois metros - inquietas embaixo das cobertas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que fazer nessas horas? você relaxa, tenta descontrair cada músculo de seu corpo, controlar a respiração, desfocar a mente de qualquer assunto em específico, mas isso dá tanto trabalho que, no final, você acaba ainda mais desperto do que antes. eu disse desperto, e não energizado, ou até mesmo acordado, como pavio estava. é como se cada um de tais procedimentos fosse inútil, e você acaba percebendo que, não importa o que faça, haverão duas forças que não podem ser controladas: seu coração e sua mente. e a última insiste em visitar cada situação do dia, semana, mês, ano, horas, minutos ou segundos. são faces e momentos que transitam a velocidades exorbitantes, de forma desconexa, incabível, impensável, intransitável, impossível. na verdade, possível apenas naqueles momentos que antecedem o adormecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas já basta de divagações sobre tal instante. (divagações que, garanto-lhes, passaram todas pela cabeça do pobre pavio, não importando o quanto ele estivesse exausto) foi olhando para o quadro do "paquiderme comendo bambu", trazido por sua amada mãe em sua última visita, que pavio se deu conta dos leves e constantes ruídos vindos da janela de vidro em seu quarto. eram barulhos baixinhos, que lembravam aqueles que fazem pequenas pedras ao serem atiradas de encontro às janelas de amantes, com uma cadência que se assemelhava a sons produzidos por galhos de árvores embaladas pelo vento, perturbando o ser humano adormecido abrigado em seu quarto, que só cedem quando abrem-se as janelas ou quando tais galhos são arrancados à força por um pobre insône frustrado. foi com tal pensamento que pavio decidiu conhecer a origem dos ruídos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao abrir a janela, pavio deu de encontro com o maior grilo que já havia visto em sua vida. certamente, haveria de ter algo de errado com o inseto, uma mutação, o que fosse. o verde de seu exoesqueleto, iluminado pela lua cheia, lembrava aqueles usados em canetas marcatexto e o bicho devia medir quase 50 centímetros. o assombro deu lugar, brevemente, ao pânico, quando o animal invadiu seu quarto tão rapidamente que pavio apenas imaginou ter sido com um pulo, já que nem mesmo conseguiu observar o gigantesco grilo mover-se. antes que pudesse reagir, o grilo rezadeiro já se encontrava em sua cama. rezadeiro, pois suas patas dianteiras se uniam, como em uma espécie de louvor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;isso, burro, não é um grilo. é uma porcaria de um louvadeus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"nunca mais", disse o louvadeus, como que em uma resposta à conclusão de pavio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ficaram os dois ali, observando-se na escuridão do quarto de pavio, quarto esse que estava ocupado pelo jovem há menos de um ano, quando mudara-se para sua nova cidade, longe de família e amigos. havia sido um bom ano, concluiu pavio, apesar das mudanças. na verdade, pensava, havia sido um bom ano &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por causa&lt;/span&gt; das mudanças. cada experiência era uma nova experiência, tudo era novidade. lugares, situações, amigos. tudo novo. nada se encaixava ou se encaixaria em sua antiga vida, que ainda esperava por ele e por seu retorno, guardados naquele lugar onde ficam as antigas lembranças de um passado que se olha com carinho. há quem chame tal lugar de coração, mas pavio gostava de pensar diferente. não coração,&lt;span style="font-style: italic;"&gt; alma.&lt;/span&gt; era lá onde guardava seu passado. mas isso tudo não mudava o fato de que havia um louvadeus em sua cama, encarando-o em silêncio após proferir as &lt;span style="font-style: italic;"&gt;poescas &lt;/span&gt;palavras. um cigarro depois, o clima misturado com fumaça que habitava o espaço entre jovem e inseto era quase tangível o suficiente para ser cortado com uma faca, cortado então pelas palavras do animal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"apenas brincando. achei que ia ser legal começar assim, todo corvo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;nunca mais&lt;/span&gt;. pffft. nunca entendi aquela porra de conto. quer dizer que corvos só sabem falar aquilo? vou te dizer uma coisa, se há uma coisa que eu sei, é que corvos são animais muito falantes. isso é, logo antes de te devorar. 'você sabia que ontem eu peguei aquela galinha que tava dando sopa e...' ZÁZ, sua vida acaba antes que possa perceber. perdi muito amigos assim. 'nunca mais'... acho que nunca é uma palavra que não consta em seu vocabulário..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era verdade, então. aquele louvadeus realmente estava ali, em sua cama, após forçar sua entrada pela janela, falando com ele. não parecia se importar muito pelas horas avançadas da madrugada, ou pela fumaça do cigarro já apagado de pavio, ou até mesmo pelo vento gelado que entrava por sua janela, ou, certamente, pelo fato de que louvadeus &lt;span style="font-style: italic;"&gt;não fala.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"tudo bem, um louvadeus não fala mesmo. são animais calados por natureza. quero dizer, todos os animais são calados por natureza, exceto pelos humanos, os quais achei por bem incentivar o dom da fala. achei que, talvez, caísse bem com sua suposta inteligência. por que me olhas com essa expressão de espanto? 'criei'? sim. criei, diabos! ou você é desses metidos a espertinho que acreditam naquela baboseira de evolucionismo? merda, construo a existência em seis dias, SEIS DIAS, e vem um branquelo metido a esperto e dá créditos à maldita natureza, aquela putinha... como se fosse difícil fazer tudo isso em MILHÕES DE ANOS. vou te dizer uma coisa, me dê só meio milhão e você verá o que eu construo com isso... evolucionismo... de qualquer forma, me desvio do assunto. prazer, jovem pavio. eu sou deus."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era o que faltava, um louvadeus com mania de grandeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"vai ficar aí quieto, porra? você tá aí, sentado no meio da noite, com a porra de DEUS no seu quarto, na sua cama, e vai ficar quieto? e eu falei que esse negócio de inteligência era algo superestimado... olha as formigas, por exemplo, burras feito uma porta, mas dão conta do recado. carregam animais cinco vezes o seu tamanho, abrem caminhos que os humanos levariam anos para abrir e não precisam construir arranha-céus para isso. na verdade, uma vez conheci uma que tava meio decidida a ser arquiteta, mas nós logo sabíamos que isso só podia dar errado e..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e como falava, o filho-da-putinha! talvez fosse mesmo mais fácil pavio simplesmente dar uma sapatada nele e voltar a tentar dormir. mas isso faria uma puta de uma sujeira, o bicho estava bem no meio de sua cama. talvez pavio devesse ir dormir na sala, deixando o animal falando sozinho. mas isso seria de uma tremenda grosseria e se havia algo que pavio não era, era mal-educado. pois bem, por ora, iria responder aos caprichos do animal "divino".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"epa, nunca falei que era divino, ô grandalhão. isso soa meio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gay&lt;/span&gt;. não que haja qualquer coisa de errado em ser &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gay&lt;/span&gt;, amo todas as minhas criações da mesma forma, apesar de que isso soa meio &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gay&lt;/span&gt;, também."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pavio se perguntava agora como o animal sabia o que havia pensado. cacete, aquela era uma noite estranha. ele gostaria de ter um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;do verde&lt;/span&gt; para espairecer um pouco ou, quem sabe, esquecer muito. quem diria, deus preocupa-se com sua masculinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"pode ter certeza que eu me preocupo com minha masculinidade. não nos preocupamos todos? quero dizer, mesmo as mulheres se preocupam com sua masculinidade, por que não haveríamos nós de fazer o mesmo? enfim, talvez estejamos nos desviando da tarefa à mão. vim aqui esta noite, pois você tem o direito a fazer uma pergunta a deus, meu jovem. mas não enrole e..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma pergunta, então? pavio, como todo bom jovem na casa de seus vinte anos, tinha muitas perguntas. sobre tudo, sobre qualquer coisa. talvez não tantas quanto crianças de três a sete anos, fase de nossas vidas em que tudo é uma enorme marca de interrogação, mas pavio certamente tinha muitas dúvidas. o engraçado era que, logo agora, nada lhe vinha à mente. o inseto começava a olhar impaciente. tudo bem, foda-se, tudo não devia passar de um sonho mesmo... "qual o sent..."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"...e não me venha com aquela baboseira clichezinha de merda de 'ai, senhor meu deus, qual o sentido da vida?' que eu não to com saco pra essa porra sentimentalóide hoje. a verdadeira questão, meu jovem pavio, é a questão em si. como eu vi em um filme, certa vez, uma boa resposta não é uma boa resposta sem uma boa pergunta por trás dela. 'e o que é uma boa pergunta?' questionava um dos estudantes que assistia à aula fictícia na película. '&lt;span style="font-style: italic;"&gt;essa&lt;/span&gt; é uma boa pergunta.', respondia o professor, triunfante. 'então, qual a boa resposta?', 'a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;minha&lt;/span&gt;', ainda mais triunfante, tambores, aplausos, risos e regojizos. todo mundo fica feliz. era um bom filme, se não me engano, mas não consigo me recordar o nome. eu sei, eu sei, não é fácil ser onisciente. na verdade, enche o saco tanta coisa na cabeça da gente. você acha que tem dificuldades para dormir? devia ver o meu cérebro quando deito na cama...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"e aqui vou eu, saindo do eixo, novamente. enfim, caro pavio, lembre-se que tens apenas uma pergunta a ser feita e eu, cercado de toda a minha sabedoria infinita, tentarei responder da melhor forma possível. não há pressão. se a sua pergunta for qual a hora em bangkoc neste momento, eu responderei. devo dizer que será um tempo muito mal aproveitado, para você e para mim, e provavelmente nunca nos veremos novamente depois disso, mas eu responderei. pegue todas as suas dúvidas, todas as suas incertezas, aquelas que habitam os lugares mais empoeirados de sua mente, os cantos mais escuros de sua alma, o lugar mais apertado de seu coração, e busque algo que possa definir sua vida. acredite em mim, você não vai querer olhar para trás um dia e, ao se lembrar deste momento, ficar com vergonha da pergunta. eu sei disso, já não comentei que sou onisciente?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e com isso pavio virou do avesso. afundou-se em si mesmo buscando todas aquelas imagens que transitavam em sua mente minutos antes. imagens que o próprio pavio não tinha muita certeza de que se tratavam. lembrou-se da visita de sua mãe e de seu irmão menor, no mês anterior, e de como tinha sido difícil deixa-los partir novamente, e de como deveria ter sido difícil para eles deixarem-no ir, também. visitou o momento em que, anos antes, havia negado o amor que queimara em seu peito; ele gostava de acreditar que havia sido pelo bem dos dois, mas não podia deixar de imaginar se não teria sido apenas egoísmo. caminhou pelas vielas da cidade onde seu pai morava, um homem que já não era mais tanto seu pai, mas que ainda era venerado pelos eternos olhos de criança que dominam a todos nós quando olhamos nossos pais. observou decisões difíceis, escolhas cobertas de alegria, despedidas com lágrimas ou abraços, brigas armadas de palavras ou de punhos. sentiu cada dor que era possível sentir e o gosto de sangue que as acampanha, sejam nas costelas ou na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"por que tudo o que vale a pena ser lembrado e guardado é acompanhado de dificuldades, incertezas ou dor?", finalmente perguntou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"agora &lt;span style="font-style: italic;"&gt;essa&lt;/span&gt; é a verdadeira boa pergunta. porque, senão, como saberíamos que elas merecem ser lembradas e guardadas? melhor ainda, que graça teriam elas?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pavio então conseguiu lentamente deslizar para o adormecer, deitado em sua cama, como sempre estivera. no entanto, observando-se atentamente pela escuridão de seu quarto, através das cortinas e da janela, um olho mais experiente encontraria, em meio à folhagem, um pequeno grande inseto cor de jade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2986100924053259410?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2986100924053259410/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2986100924053259410&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2986100924053259410'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2986100924053259410'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2009/03/sobre-conversas-noturnas.html' title='sobre conversas noturnas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6517565476198324811</id><published>2008-12-28T06:07:00.004-02:00</published><updated>2009-03-22T13:31:09.348-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pavio'/><title type='text'>sobre a estranha situação do elefante</title><content type='html'>seu nome era joaquim garbusco, mas ele também era conhecido como "pavio". não mentirei para vocês, ele era assim chamado por um único motivo: eu o quis dessa forma.&lt;br /&gt;como autor, locutor e genioso por natureza, sinto que é meu dever avisá-los de antemão: minha vontade será magnânima e a explicação para diversos eventos bizarros que acontecerão nas próximas linhas. outro dia mesmo, eu analisava, sabe-se lá deus por quê, a palavra "pavio" e decidi que seria um apelido peculiar para alguém. como alguém eu não poderia criar, decidi escrever um breve conto sobre o jovem joaquim, estudante e preguiçoso, apelidado de pavio. talvez sua mãe tenha o chamado assim por algum motivo obscuro, talvez tenha sido algum amigo malicioso, o fato é que eu não me importo.&lt;br /&gt;pavio acordou certa manhã e observou que havia algo de errado com seu quarto, algo que não se encaixava à habitual paisagem composta por seu guarda-roupas bege, sua escrivaninha de compensado e seus pôsteres de filmes coreanos. o objeto que distoava do mundano era um enorme elefante acinzentado que comia tranquilamente o que parecia ser um bambu. tudo bem, não era um objeto, era mais um gigantesco paquiderme com olhar tolo e despreocupado.&lt;br /&gt;pavio não sabia como lidar com esta situação. quero dizer, o que haveria alguém de fazer ao acordar e se deparar com um elefante em seu quarto? por um breve tempo, pavio e o animal se encararam e se analisaram à distância, sem imaginar que tudo isso era a mais pura obra de um autor frustrado e insône, que decidira tomar mais uma taça de vinho antes de se retirar aos seus próprios aposentos.&lt;br /&gt;infelizmente, a taça de vinho (periquita, português, tinto seco. recomendo, aliás) acabara, e deixara o jovem escritor e locutor desse estranho conto em uma sinuca de bico. deveria ele continuar a escrever e se arriscar a um final infeliz e sem sentido ou simplesmente jogar a toalha a admitir que toda essa situação, todas estas palavras não passaram de um capricho seu, uma simples desculpa para escrever sobre um personagem conhecido como pavio que acordou certa manhã com um elefante em seu quarto?&lt;br /&gt;sim, talvez a segunda opção pareça mais tentadora aqui, colocada em palavras. sim, acho que esse conto realmente foi apenas para a realização de um desejo incomum. na verdade, esse conto não era nada demais, mal tinha um começo, não deve merecer um fim. na verdade, e cito luís fernando veríssimo agora, este conto termina aqui.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6517565476198324811?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6517565476198324811/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6517565476198324811&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6517565476198324811'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6517565476198324811'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/12/sobre-estranha-situao-do-elefante.html' title='sobre a estranha situação do elefante'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8591221765501793234</id><published>2008-11-09T20:06:00.005-02:00</published><updated>2008-11-16T22:44:47.844-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='morte'/><title type='text'>sobre o último minuto</title><content type='html'>você abre os olhos e só vê branco. a lembrança de um romance de saramago passa brevemente pela sua cabeça. no entanto, você não está cego, acometido pela cegueira branca. está, sim, em um pálido quarto de hospital, como pode ser percebido pela aparelhagem característica e a famosa máquina que emite "beep".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sua respiração está mais pesada do que o costume. puxar o ar para dentro dos pulmões prova-se algo extremamente complicado. é difícil raciocinar. tubos saem de seus braços, ligados a bolsas com líquidos transparentes penduradas ao lado da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sua cabeça roda, parece pesar 30 kilos. o branco dos lençóis se mistura com o bege claro das paredes e o cinza da televisão. uma mulher entra e mexe nos tubos. sai antes que você possa perguntá-la o que faz ali, o que está acontecendo. aliás, você percebe que não consegue falar, dói demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;falando em dor, agulhas penetram lentamente seu peito, espalhando-se por suas costas, ao longo de toda coluna. não é a melhor sensação do mundo. talvez até se assemelhe ao que você imagina ser a morte ou o inferno. felizmente, a agonia passa, tão logo você desiste de mover qualquer parte do corpo. agora já sabe: até mesmo o mindinho pode funcionar como gatilho para dor tão profunda. parece uma boa idéia permanecer imóvel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a imobilidade é seu santuário de calma e paz, mas isso ainda não responde o que raios está fazendo naquele quarto de hospital. algo no fundo de sua mente lhe diz que, de alguma forma, você sabe a resposta para tal pergunta, porém esta está guardada em um lugar distante o suficiente para que suas mãos não possam alcançá-la. cansa pensar muito a respeito e, se há algo de que você tem certeza, é de estar profundamente, completamente, exaurido de qualquer energia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sua cabeça ainda pesa os 30 kilos, e só então percebe o travesseiro macio e fofo com leve cheiro de hortelã com detergente na qual está depositada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a agonia volta. dessa vez, não é a dor que a ativa, mas a falta de motivos, dos por quês de estar ali, preso àquela cama e aos tubos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;lentamente, as memórias começam a pipocar em sua cabeça, como não poderia deixar de ser. estranha e tortuosa é a psique humana. às vezes falha com o homem, exita em funcionar e exercitar os propósitos pelos quais existe. contudo, há os momentos em que decide lhes fornecer pequenas pistas a respeito do que acontece à sua volta, mesmo que, na maioria das vezes, não façam idéia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você então vislumbra os vultos dos fantasmas que estiveram ali, naquele mesmo quarto, chorando e aguardando por boas novas. uma mulher com camisa rosa claro, cabelo castanho e olhos azuis cheio de lágrimas. ela olha para a sua figura fraca e doentia na cama e seu desespero é verdadeiro e profundo. você gostaria de poder acalentá-la, dar garantias de que tudo ficará bem, mas não tem poder para tanto. o simples fato de continuar vivo já é um fardo grande demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;crianças entram correndo pela porta. a mulher olha para elas com ternura e tristeza. a mais nova delas, uma menina loira com sardas pela face, brinca com as flores depositadas em um vaso sobre a mesinha ao lado do seu leito. ela não parece saber muito o que significa sua estadia ali. o mais velho, no entanto, exibe os olhos marejados e procura desviar o olhar de onde você está deitado. a dor da consciência de sua tristeza é maior do que a das agulhas, e você chega a desejar que ele não estivesse ali para vê-lo naquele estado. infelizmente, não há nada que você possa fazer. não há nada que você possa fazer há muito tempo, aliás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;os três, entes querido de uma vida há muito passada,  se movem como espíritos etéreos, cujo lugar é qualquer um, exceto aquele pálido quarto de hospital. eles deviam estar mundo afora, procurando seus próprios destinos, e não sofrendo por um moribundo sem a menor perspectiva de poder sorrir, cantar ou dançar novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a onda de luz que inunda suas dúvidas neste momento é mais intensa do que a experiência de olhar para um eclipse solar sem qualquer proteção. a cegueira vem de verdade dessa vez, vindo, no entanto, como uma cegueira que lhe abre os olhos para a verdade. você vê, pela primeira vez. vê o médico, com seu jaleco branco e óculos de lentes grossas determinando, com poucas palavras, o fim de seu caminho, de sua vida. na verdade, ele não necessitaria de mais de uma palavra para tal. câncer. terminal. não há nada que possamos fazer. sinto muito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você gostaria de chorar neste momento. aliás, se já houve algum momento perfeito para as lágrimas desde a criação do mundo, seria este. você quer chorar e seus olhos permanecem secos. nenhuma gota desce por sua face, não importa o tamanho da dor que tome conta de seu coração. a tristeza é tão profunda que seria egoísta não fosse um detalhe: márcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você se lembra do nome dela, afinal. consegue até se lembrar daquela pequena lanchonete no interior em que estava no dia em que a conheceu. recorda-se do gosto do café, do cheiro das flores sobre a mesa, da aparência mal-encarada da garçonete rude que o atendeu. a luz do sol que invadiu o ambiente quando a porta dupla foi aberta por márcia era suficiente para queimar levemente sua íris, mas sua beleza o impediu. aquele era o momento de uma vida inteira juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para seu espanto, alguém aperta sua mão, ali, naquele quarto de hospital. a cabeça está caída sobre o braço esquerdo, depositado a seu lado na cama. os cabelos começam a clarear e há um quê de derrota naquela cena. você sente sua perna úmida e salgada por um choro de dias. ela nunca saíra dali, nunca deixara de rezar e rogar por melhoras, mas a esperança se esvaía.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algo então acontece dentro de sua doença, de seu estado, de toda a dor causada pelo tumor instalado em seu peito. você o sente regredindo, perdendo força, desistindo de derrotá-lo, até que, finalmente, ele se retira. você se sente completo novamente. poderia se levantar neste exato momento, agarrar aquela mulher que nunca desistira de ti e dar-lhe um beijo que poderia, nos livros, até mesmo ser chamado de "beijo da vida". você está pronto para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu saio das sombras. poderia ser de trás da cortina, de debaixo da cama, ou de dentro do guarda-roupas. você sente um novo aperto, dessa vez no ombro, autoria de minha esquálida mão. com seus olhos, você procura sua amada, sua mulher e companheira, mesmo sabendo que, em seu sono, ela não poderia ter chamado sua atenção de tal forma. sempre admirei isso nos homens. como, mesmo nas situações mais impossíveis, procuram força e esperança em sentimentos intangíveis como o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finalmente, você me localiza e, pela primeira vez, o olhar que vejo não é de terror ou espanto, e sim da mais profunda aceitação pelo que viria a acontecer. você certamente foi um ser humano admirável. não tentou barganhar, implorar ou subornar. simplesmente pediu mais um minuto para se despedir. de pé novamente, depois de meses naquela cama, você calmamente inclinou-se e beijou ternamente a testa daquela que ainda demoraria anos para me conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;juntos, deixamos aquele pálido quarto de hotel. meu trabalho estava feito e você teria toda uma nova vida pela frente. nada mudou no seu antigo mundo, só a máquina, que passou a emitir um longo e fulminante "beep".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8591221765501793234?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8591221765501793234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8591221765501793234&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8591221765501793234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8591221765501793234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/11/sobre-o-ltimo-minuto.html' title='sobre o último minuto'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2988520881408357943</id><published>2008-11-03T04:44:00.007-02:00</published><updated>2008-11-03T05:38:46.051-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><title type='text'>sobre segundos de euforia</title><content type='html'>na última vez em que assisti a uma corrida inteira de fórmula 1, do ínicio ao fim, airton senna morreu. lembro de poucas coisas da ocasião. na verdade, acho que só me lembro realmente de alguma coisa, qualquer que seja, porque foi nesse dia em que vi meu avô chorando pela primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;neste domingo, anos depois, acabei acompanhando o gp de interlagos. não sei bem o que foi. nunca fui um grande entusiasta do automobilismo. talvez fosse a torcida dos meus amigos e do resto do país, talvez fosse porque eu realmente simpatizo com felipe massa, o zacarias da ferrari. de qualquer forma, às 15 horas, lá estava eu defronte ao televisor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a corrida começou morna e logo se tornou entediante como sempre. tive de resistir bravamente à tentação de mudar de canal, mas confesso que fui me distraindo com outras coisas, apesar de manter a tv sintonizada. acho que o fato de não ter mais nada que preste nos canais abertos aos domingos (tudo bem, talvez não só aos domingos) tenha sido um forte motivador a manter-me firme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;massa foi o líder do campeonato por alguns instantes, é verdade, mas eu sabia que aquilo não duraria. nenhum outro motor tinha potência para rivalizar com os da ferrari e da mclaren. havia apenas um fator que poderia dar o título ao brasileiro: o talento individual dos pilotos. infelizmente, eu sabia que não havia tanto talento para garantir a colocação de hamilton atrás o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deus, como é bom às vezes estar enganado. foi assim que, faltando apenas duas voltas para o fim, vettel, alemão que já não tinha nenhuma chance ao título, parte para cima do inglês e dá o campeonato a felipe massa. nesse momento eu já estava na beira do assento, praticamente de pé, rezando para todas as divindades que conheço, e até a algumas inventadas, só para garantir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o brasileiro, depois de liderar desde o começo a corrida, cruza a linha de chegada campeão do campeonato. tudo o que havia para fazer tinha sido feito. o impossível tinha se transformado em possível e o país verde-amarelo era então vermelho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até a penúltima curva da última volta. quis o destino que o jovem piloto da escuderia italiana não conhecesse a vitória. não neste ano, pelo menos. timo glock, com pneus para pista seca, não conseguia tração suficiente para manter sua quarta posição debaixo da chuva que caía sobre interlagos. assim, com a curva, nada pôde fazer para impedir a ultrapassagem de sabastian vettel, seguido por, sim, senhoras e senhores, lewis hamilton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a inglaterra conseguia um novo campeão depois de doze anos. o brasil perdia o seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que não trago muita sorte ao automobilismo brasileiro. pensando bem, não temos tido muita sorte mesmo nesse tempo em que passei ausente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deveria acompanhar o campeonato no ano que vem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a verdade é que eu buscava manter minha confiança baixa antes da corrida simplesmente pelo medo de não me decepcionar. fazemos muito disso, todos os dias. aliás, estamos tão acostumados que já nem percebemos. deve ser algo da natureza humana, sei lá. por alguns segundos, na última volta, na última reta, eu me permiti acreditar, gritar, festejar. está certo que a decepção veio, forte e ligeira, deixando-me atordoado, até mesmo atônito por alguns minutos. minha mente processava o que havia acontecido, meus olhos haviam sido testemunhas da ultrapassagem derradeira e, mesmo assim, meu coração relutava em ceder à lógica. sim, a decepção e a tristeza foram grandes. mas não troco o que senti naqueles poucos segundos de euforia por muitas coisas nessa vida. ao medo, então? nunca mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2988520881408357943?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2988520881408357943/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2988520881408357943&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2988520881408357943'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2988520881408357943'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/11/sobre-segundos-de-euforia.html' title='sobre segundos de euforia'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-1700034050920465889</id><published>2008-10-21T02:02:00.009-02:00</published><updated>2010-04-06T02:30:31.370-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cinema'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><title type='text'>sobre uma história familiar</title><content type='html'>temos aqui duas pessoas: um homem e uma mulher. talvez, em outra versão, pudessem ser chamados de dois jovens, um garoto e uma garota, mas neste caso seguiremos com "homem e mulher".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ambos eram amigos há muito tempo. quem sabe até se conhecessem desde crianças, tendo sido vizinhos em um daqueles subúrbios americanos - grandes casas com varanda, quintal e uma bela cerca branca - ou em um conjunto habitacional criado pela prefeitura paulistana - prédios de estatura mediana, com a pintura descascando em contraste com as pixações ilegíveis nos andares superiores. eram amigos por tanto tempo que já conheciam todos os gostos um do outro, suas paixões, seus temores, suas expectativas e aquelas pequenas manias que todos temos, perceptíveis apenas por aqueles com quem convivemos a maior parte de nossa vida. exato, esse é o nível de intimidade que ambos compartilham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de qualquer forma, é um espanto que os dois tenham se aturado por tanto tempo. isso porque, mesmo se conhecendo há anos, os dois não têm absolutamente qualquer coisa em comum. está bem, talvez ambos dividam a mesma opinião sobre a saúde pública - aliás, quem não tem a mesma opinião sobre a saúde pública? - mas, de resto, são completos opostos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela gosta de rock, tatuagens, preto, piercings e grandes concertos internacionais. ele prefere seu jazz, suas artes e seus livros, além de, é claro, a gostosona da faculdade. mais uma vez: se a história fosse outra, estaria ela apaixonada pelo vocalista gótico daquela banda de heavy metal, mas esse não é o caso. e, dessa vez, ela reprova frontalmente as escolhas relacionamentais dele. existem mais de mil mulheres inteligentes e interessantes somente na vizinhança em que moram, por que raios ele tinha de gostar justo daquela piranha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nem ele sabe, mas ela não consegue se conformar. tenta dissuadi-lo da idéia - onde já se viu pensar em casamento sem nem ao menos ter a coragem para chamar a guria pra sair? como pode se falar em cachorro e gêmeos se os dois nem ao menos foram apresentados? - mas ele se mostra irredutível. e é óbvio que ela gritará com ele, tentará pôr um ultimato nessa loucura, e ele ficará lá, com aquela cara de bocó, tentando entender por que as mulheres estouram por qualquer besteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então ela sai com lágrimas nos olhos, borrando o lápis preto que os envolve e esbarrando o ombro com força na porta, para marcar sua saída dramática. por sua vez, ele desiste de entendê-la e, na mesma noite em que consegue um jantar com a tal boasuda da faculdade, não pode imaginar que sua antiga e querida amiga de infância está se entregando, finalmente, àquele vocalista gótico da banda de heavy metal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alguns meses se passam, vamos dizer uns três, e ambos seguem sem se falar. não é preciso dizer que tudo em que os dois pensaram nesses meses foi em como sentiam a falta um do outro. aliás, também não irei entrar em detalhes aqui, mas vocês podem imaginar o quanto sofreram na mão de seus respectivos parceiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele, usado por motivos materiais, como caronas para o shopping, carregador de sacolas e financiador de compras. ela, usada por motivos bíblicos, como sexo, pedaço de carne sem sentimentos e boneca inflável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finalmente, o reencontro dos dois acontece, e de longe pode se perceber, pelo modo como se olham e se comportam, que o distanciamento serviu para que percebessem que eram feitos um para o outro. sobe música romântica, algo como kiss me, do sixpence none the richer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto a música inunda o ambiente da festa ou do show cenário do reencontro, os dois se trancam em um quarto arrancando suas roupas com todas as mãos, dentes, unhas e utensílios à disposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;neste mesmo momento, seus antigos parceiros fúteis se dão mal de alguma forma. talvez batam o carro e a polícia leve os dois sob a alegação de tráfico de drogas, algo do qual o antigo vocalista gótico da banda de heavy metal realmente é responsável. enquanto esperam pelo seu direito a uma ligação, são estranhamente mantidos na mesma cela e descobrem também serem perfeitos um para o outro. afinal, não podemos culpá-los inteiramente por serem as pessoas fúteis que são, e eu realmente acho que ambos merecem um pouco de felicidade nesse mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;esse deve ser o enredo da sua comédia romântica assucarada favorita, ou então de todo um gênero que você odeie. no entanto, a história já é conhecida. mesmo com pequenas variações - em um filme de kevin smith, teríamos escatologias, lesbianismos e dois pequenos traficantes que serviriam para manter a trama junta; por sua vez, caso fosse uma produção de nora ephron, teríamos tom hanks e meg ryan - a moral é sempre a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;para falar a verdade, conheço um número muito maior de "gostosonas da faculdade" ou de "vocalistas góticos daquela banda de heavy metal" do que  pessoas que poderiam se encaixar como nossos intrépidos protagonistas. raios, aposto que você já deve ter passado por uma situação parecida com a dos "parceiros fúteis" - eu sei que eu mesmo já me vi usando esses sapatos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez tudo isso seja apenas dor de cotovelo. pode ser que realmente haja uma história dessas por aí, em algum lugar. por enquanto, seguimos apenas sonhando com algo assim tão simples, mas tenho minhas suspeitas de que, quando encontrarmos, não acharemos a menor graça, perdendo o interesse na trama bem antes da grande reviravolta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;afinal, qual a graça de uma história da qual já se sabe o final?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;na manhã seguinte, ambos acordam, provavelmente com uma ressaca fenomenal. não conseguem mater contato visual por mais do que dois minutos. vestem suas roupas e seguem para suas casas sem trocar uma palavra. mais tarde, no mesmo dia, vão jantar juntos e nenhum dos dois tem coragem de tocar no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por muitos anos, aquela noite segue sem ser lembrada, pelo menos em voz alta, por nenhum dois, como um pacto estabelecido. um pacto que nunca precisou ser firmado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele, enfim, se casa com uma jovem corretora de imóveis, passando a frequentar ambientes mais familiares e se afastando gradualmente de seu passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;passado esse que inclui ela, que se tornou uma escritora não muito conhecida, mas com admiradores fiéis e sem uma vida pessoal  das mais animadas, regada por taças de vinho degustadas em sua solidão, altas horas da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um pode realmente ter sido a pessoa perfeita para o outro, mas a vida tem dessas coisas e isso eu não posso mudar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-1700034050920465889?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/1700034050920465889/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=1700034050920465889&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/1700034050920465889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/1700034050920465889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/10/temos-aqui-duas-pessoas-um-homem-e-uma.html' title='sobre uma história familiar'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2791831647325944659</id><published>2008-10-20T04:20:00.007-02:00</published><updated>2008-10-20T04:56:25.967-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><title type='text'>sobre pensamentos IV - os clichês de um desabafo</title><content type='html'>recentemente, passei por uma situação de confronto direto. não fui capaz de seguir em frente, e desde então não tenho conseguido fazer as pazes comigo mesmo. tenho dito que as coisas fugiam ao meu controle, que não havia como encará-las, talvez esse seja o motivo da minha inquietação. isso pois tudo é uma grande mentira. e não posso ignorar o fato de que não há mentira pior do que as que contamos para nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com isso, venho aqui pedir perdão por este texto, que deve fugir do padrão e do conceito estabelecido desde o começo deste meu "projeto". assim será, porque esta é a primeira publicação muito mais voltada para mim mesmo, para minha paz interior, do que para os leitores. assim, minhas mais sinceras desculpas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho minha história, como todos vocês. sempre evitei tratá-la como algo a ser divulgado ou contado neste blog, mas creio que não há como dar fundamento a tudo o que será dito sem que antigos fantasmas sejam trazidos à tona, licença seja dada ao clichê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o caso é que eu posso ver, talvez verdadeiramente pela primeira vez, o quanto mudei nestes últimos meses, e o quanto eu venho lutado para que isso não acontecesse. tenho lutado tanto que até minto para mim mesmo, muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabem, não sou tão velho assim, nem ao menos saí da adolescência, mas já há momentos do meu passado que olho com certo saudosismo. sei o quanto isso não é saudável em alguém que nem entrou na casa dos vinte anos, mas não consigo evitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tive uma infância comum, cheia de desenhos, brincadeiras, correrias e amores. no entanto, há parte desse passado que não deixo ficar tão transparente para quem me conhece, um lado que eu preferia que nem soubessem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é esse meu lado que fica martelando minha mente desde o confronto citado no início deste relato. nunca fui alguém de ignorar um embate. cacete, nunca fui alguém nem de deixar passar uma boa briga, e tenho as cicatrizes para provar. talvez não cicatrizes no termo literal, mas meu corpo certamente exibe as marcas de um passado do qual, vendo agora, não me pertence mais. em contrapartida, não posso dizer que sinto vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas confesso que, desta vez, fiquei com o orgulho ferido. e, pra piorar, por motivos opostos: primeiro porque me sinto covarde por ter deixado passar a situação de cabeça baixa. segundo porque não deveria me sentir assim. não é covardia renegar um passado que seja infantil e imaturo. na verdade, vejo agora o quanto alguém tem de se orgulhar em perceber que cresceu, que a vida finalmente atingiu certo propósito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;talvez isso seja tudo resultado do meu aniversário que se aproxima. talvez seja apenas besteira criada por uma insônia. ou talvez seja tudo verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de qualquer forma, obrigado. escrever tudo isso me ajudou a colocar as idéias no lugar, embora possa não parecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes é bom se lembrar com saudosismo do passado, não me envergonho das coisas que fiz. até fico feliz em lembrá-las. mas tenho ainda mais orgulho em saber que elas ficaram para trás, e que eu tenho toda uma vida com novos atos e atitudes pela frente, licença seja dada ao clichê.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2791831647325944659?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2791831647325944659/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2791831647325944659&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2791831647325944659'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2791831647325944659'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/10/sobre-pensamentos-iv-os-clichs-de-um.html' title='sobre pensamentos IV - os clichês de um desabafo'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8036809209315028319</id><published>2008-10-14T01:49:00.005-03:00</published><updated>2008-10-14T02:53:25.949-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre o jogo</title><content type='html'>eu?&lt;br /&gt;sempre acreditei no amor. no amor e nessas outras coisas bonitinhas e coloridas que se mostram nos filmes americanos de mulherzinha e nas novelas brasileiras, não mais tão de mulherzinha assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha vida era boa, não tinha muito do que reclamar. o dinheiro ficava curto no final do mês, meus sanduíches ficavam cada vez mais preguiçosos e a poeira se acumulava nos cantos da minha casa, mas eu vivia como queria, quando queria, da forma como queria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu estava na faculdade, bicho. eu estava morando sozinho, bem longe de casa. tinha a rotina que sempre desejei. fazia meus próprios horários. chegava bêbado altas horas da madrugada sem ninguém me encher o saco a respeito. faltava nas aulas sem peso na consciência nem ter que inventar desculpas. levava quem eu quisesse para "passar a noite" e não tinha que me preocupar com a cara de desaprovação na mesa de jantar no dia seguinte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é óbvio que eu tinha de conhecê-la. era a guria mais linda a apaixonante que eu já tinha visto. caí de quatro, literalmente. não havia outra explicação. eu estava perdidamente, loucamente, idioticamente apaixonado pela carol, uma colega da faculdade que eu cursava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porra, tive das minhas experiências no passado, me apaixonei, quebrei a cara, traí, me fodi, segui em frente e, de verdade, sempre gostei de tudo isso. o problema não era o "estar apaixonado" era mais o "por quem".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é, eu caguei no saco mesmo, mas como eu podia imaginar que pegar a dani, moreninha que me dava mole desde o primeiro dia de aula podia foder minha vida de tal maneira? como eu poderia imaginar que ela era a melhor amiga da mulher da minha vida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, eu não podia. mas falta de imaginação nunca é justificativa nessas coisas de relações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por ter ficado com a dani eu estava interditado para tentar qualquer coisa com a carol. está certo, talvez não qualquer coisa, mas algo sério, significativo, duradouro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como passar por essas barreiras sociologicamente naturais? a resposta me causou mais problemas do que a própria pergunta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu, osmar de oliveira netto, gênio, fui pedir conselhos com meu chegado, meu parceiro, meu melhor amigo carlos mangioli, também chamado carinhosamente de carlinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;malditas ligações que acreditamos serem eternas e fiéis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;carlinhos saberia o que fazer. era feio que doía, mas tinha jeito com as mulheres, fazer o quê. estava sempre acompanhado por alguns dos melhores exemplares femininos, onde quer que fôssemos. se havia alguém que poderia me ajudar, se apiedar desta pobre alma, colocar-se no meu lugar, seria ele. e não é que ele aprendeu rápido como se colocar no meu lugar? calma, estou colocando o carro na frente dos bois, aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ele logo se debruçou sobre meu caso e, juntos, bolamos diversos planos e estratégias para contornar a situação. carlinhos se impacientava com meu jeito, sempre racionalizando demais as coisas, falava que eu parecia uma colegial, mas eu sou assim, e esse meu jeito vinha funcionando perfeitamente até então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;infelizmente, eu talvez já tivesse cometido um erro grande demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;explico: alguns dias antes, eu havia me aproximado da carol, iniciado uma relação. oferecia a ela todo o meu encanto e carisma, em troca apenas de estar perto dela, esperando que mais cedo ou mais tarde ela me notasse, você sabe, como homem, não só como amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo bem, eu sou um tanto piegas, confesso. dei até flores à guria. mas o erro não foi esse. na verdade, ela parecia até gostar disso. o erro foi ter tentado beijá-la, de surpresa, durante uma festa em que eu a havia levado. quando ela aceitou a carona, cometi o engano de pensar que aquilo era um encontro, de que éramos um casal. bem, não éramos. se havíamos de ser qualquer coisa, seria um trio, já que ela tratou de deixar claro que o problema era a dani.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e foi assim que me voltei a carlinhos. é claro que eu tinha medo de envolver qualquer homem na jogada, principalmente um jogador experiente quanto carlinhos, mas você tem de entender, eu estava desesperado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;algum tempo depois, nossos planos deram certo. de alguma forma, eu não podia acreditar que aquilo havia funcionado. no entanto, só fui me dar conta alguns dias depois, quando vi ambos, carlinhos e carol, entrando de mãos dadas pela porta do curso. era o casal mais odioso que eu já vira. tratei tudo com normalidade, mas não tenho falado com carlinhos desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o caso é que o plano deu certo. mas não o nosso plano, e sim o do filho duma puta do carlinhos. e carol, pobre coitada, nunca teve a chance de ver o perigo rondando. eu havia tirado sua atenção do verdadeiro predador à sua volta. na verdade, eu a havia colocado em sua mira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por que nunca cheguei às vias de fato com aquele cuzão de marca maior também conhecido carinhosamente como carlinhos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;oras, porque imagino que, de alguma forma, ele também não tem culpa. utilizou-se das armas e táticas das quais dispunha, e o fez muito bem. não consigo não sentir uma ponta de admiração por alguém assim. isso sem falar no fato de que é impossível não se apaixonar por carol. engraçado, a amo até hoje, embora já tenha aprendido a guardar tal sentimento pra mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é, devo ser mesmo isso que você está pensando, o maior perdedor do planeta. pelo menos hoje em dia eu sou rico, futuro presidente de uma empresa de armazenamento e distribuição de cerâmicas venesianas para a fabricação de azulejos e vasos sanitários, com uma renda que chega a duzentos mil reais por ano, enquanto carlinhos está para ser pai aos 23 anos, ainda desempregado e morando com a mãe e carol tenha sido talvez a maior corna da qual nossa faculdade teve notícia nas últimas três décadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não odeio o amor, não é sua culpa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;afinal, é como se eu jogasse o jogo, fosse razoavelmente bom nele, mas, de alguma forma, nunca cheguei a ler as regras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8036809209315028319?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8036809209315028319/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8036809209315028319&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8036809209315028319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8036809209315028319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/10/sobre-o-jogo.html' title='sobre o jogo'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2303902644752073685</id><published>2008-09-23T01:13:00.017-03:00</published><updated>2008-10-08T16:57:47.970-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre um final feliz</title><content type='html'>o amor que me perdoe, mas eu odeio políticas sexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;está bem, talvez não deva pedir perdão ao amor em si, mas ao sexo.&lt;br /&gt;e, quem sabe, não deva nem pedir desculpas ao sexo, mas aos relacionamentos humanos.&lt;br /&gt;já dizia o velho bardo: "há uma maré nos assuntos dos homens". realmente o há. e esta "maré", como assim a chamava william shakespeare, são as cretinas das políticas sexuais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;veja o caso de osmar, por exemplo. grande amigo era ele. infelizmente, osmar tinha um problema. seu problema tinha nome. tinha nome, R.G., olhos grandes e profundamente negros, pele clara com pequenas sardas salpicadas pelo nariz e na parte superior das bochechas, cabelos longos e esvoaçantes, daqueles de comercias de shampoo que se vê na televisão, se vestia muito bem, roupas vivas, descoladas e decotadas na medida certa, sorriso tímido mas apaixonante, uma pequena pinta ao lado esquerdo da boca com os dentes tão brancos e alinhados e 1,78 metro de altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;era 1,78 metro de problema, seu nome era carolina e ela estudava administração na mesma turma que ele. pobre coitado, como haveria osmar de resistir? não teve nem chance! ele ainda ficara tão feliz ao descobrir que tinham algo em comum, um assunto com o qual puxar conversa. ela era - imaginem só, entenderão o problema - a melhor amiga de daniela, a garota com quem ele ficara logo na primeira festa do curso e que estava atrás dele desde então. tudo bem, osmar era um imbecil. estava completamente, perdidamente, desesperadamente apaixonado pela melhor amiga de sua grande admiradora e não via nenhum empecilho nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;osmar, meu querido, esquece essa guria. só vai lhe dar dor de cabeça. não convém correr atrás de melhor amiga. você conhece as mulheres melhor que isso. era o que eu dizia. mas ele respondia, confiante, que não. a conquistaria de qualquer forma. estava idioticamente cego. enfim, ele não conhecia as mulheres melhor que isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;antes que alguma amiga enfurecida venha me acusar de sexismo, permitam-me a defesa. dizia "as mulheres" simplesmente pelo fato de osmar, meu amigo, ser um heterossexual muito bem resolvido. meu problema mesmo sempre foi com as políticas sexuais, sejam elas entre mulheres ou entre homens. agora, se ele não podia ver nem ao menos a encrenca em que se metera, imaginem como reagiria se eu dissesse: "osmar, meu velho. deixe disso. essas políticas sexuais são de foder. e olha que nem é no bom sentido". dá pra ouvir as velhas engrenagens tentando funcionar em meio a tanta ferrugem e teias de aranha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e lá foi osmar, partir para a ofensiva. na primeira festa, pagou bebidas a carol. na segunda, ofereceu-lhe carona. na terceira, pateticamente, tentou beijá-la.&lt;br /&gt;epa, osmar! que isso?&lt;br /&gt;poxa, é que a gente estava se dando tão bem...&lt;br /&gt;mas, osmar, - imagine aqui uma cara de piedade - você sabe o quanto a dani gosta de ti. e assim carol saiu pulando pela pista de dança, não sem antes dar aquele último olhar de piedade para trás. aquele que fica gravado na mente até o momento em que se fecha os olhos antes de dormir, isso caso consiga-se dormir. caso contrário, fica gravado até o dia seguinte, e acompanha cada momento maravilhoso proporcionado pela ressaca, física e moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você, reles mortal, há de imaginar que osmar desistiria, certo? pois devo confessar-lhe que esta possibilidade chegou a cruzar  o pensamento de meu intrépido amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao contrário, osmar e eu bolamos uma complexa estratégia para dobrarmos carol. antes de mais nada, tínhamos de descobrir se ela realmente não ficava com ele por causa de daniela ou se apenas a usava como desculpa para evitar o confronto que viria com o "cara, não quero ficar contigo, mas a cerveja e as caronas podem continuar, viu?". parecíamos duas colegiais, eu sei, cheios de estratégias e planos mirabolantes - entrega aquele bilhetinho pro luquinhas? mas não fala que fui que mandei, hein? hihihi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;políticas sexuais. se não se pode com elas, junte-se e faça proveito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;então eu comecei a ficar amigo de carol, tentar arrancar qualquer pista que fosse sobre suas verdadeiras intenções com osmar. o pobre coitado ficava morto de ansiedade pelos relatórios diários. e aí? ela deixou escapar alguma coisa? não cara, mas acho que estou chegando lá. já passamos os dois primeiros namorados, a perda da virgindade e temos discutido a vez em que ela quase fugiu de casa com o sócio do pai. acredita que o coroa nem ao menos sonha com isso? tá, tá. não quero saber dos namorados antigos. só me avisa quando ela falar alguma coisa de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o tempo passou e ela deixou, finalmente, escapar que até gostava dele. achava-o um cara divertido e, afinal, devia haver algum motivo muito forte para a dani gostar tanto dele, não?&lt;br /&gt;essa era a deixa para passarmos para a fase dois. sim, caro leitor, nosso plano tinha fases. entretanto, esta parte era mais complicada. eu teria de ir para o sacrifício. ora, o que não fazemos pelos amigos, não? minha missão era a de virar um agente-duplo ativo, tentando corromper nosso maior inimigo. neste caso, o inimigo conhecido pela alcunha de daniela, ou, simplesmente, "dani".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela tinha seu charme, apesar de ser doida de pedra. eu podia me esforçar para fazê-la esquecer o osmar, nem que isso custasse alguns beijinhos. ele era meu amigo, oras. era meu dever cívico pegá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim, enquanto osmar iniciava uma reaproximação lenta e gradual com carol, eu partia para cima de sua admiradora com tudo o que eu tinha. carreguei livros, passei a usar apenas roupas limpas, perfume importado, sorriso encantador, olhares 43, 44 e até o 45, aquela fatal ajeitada da franja caída por sobre os olhos para trás da orelha dela, com a mão descendo suavemente pela nuca até a parte frontal do pescoço. posso não ter grandes encantos, mas a vida me ensinou algumas manhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela se fez de difícil, a princípio. tinha de fazê-lo e eu não esperava mesmo que fosse coisa fácil. no entanto, a persistência é a mãe de todos os cafajestes e veio a me abençoar. cinco semanas depois, em uma festa em que a banda que se apresentava era a menos afetada pelo álcool do recinto, arranquei-lhe um beijo. de daniela, não da banda, embora quem estava lá naquela noite possa jurar que tudo era possível. ela relutou brevemente, se entregou ao beijo, depois recobrou a consciência, me empurrou e saiu em direção ao banheiro. poderia parecer uma tentativa falha, mas a duração do beijo foi longa o suficiente para atingir seu objetivo. carol estava nos arredores e testemunhou parte da cena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pronto, agora a guria já vai estar mais receptiva. deve estar confusa e achando que a outra te esqueceu. vê se não faz merda. com esse conselho em mente, osmar partiu mais uma vez determinado. estava determinado, mas não confiante. aquela primeira cagada de tentar beijá-la do nada e a rejeição o haviam abalado profunda e definitivamente. dessa forma, a reaproximação continuava lenta e gradual e, pior, não passava de uma reaproximação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com isso, continuei em meu papel de agente infiltrado na mente de carol, conversando todos os dias com ela, fazendo propaganda, você sabe, o procedimento padrão. mas o tempo passava e osmar não tomava a iniciativa, não partia para o momento decisivo. pobre infeliz. diversos avisos foram dados. desse jeito, vai perder a guria, moleque. ninguém gosta de tanta parcimônia relacionamental.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui amaldiçoado com essa minha visão objetiva sobre eventos externos aos meus interesses, mesmo que, àquela altura do campeonato, eu já seguisse meus próprios objetivos. não deu outra, alguém se adiantou e carol não estava mais desimpedida, nem mesmo interessada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ah, essas políticas sexuais, você tem de adorá-las.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje, um ano após tudo aquilo, não tenho mais a mesma relação que tinha com meu querido amigo osmar. não temos relação alguma, aliás. ele, infelizmente, não consegue superar o fato de que estou namorando a guria de seus sonhos. sinto falta dele. tudo bem, talvez nem tanto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;somos muito felizes, carol e eu. claro que dou das minhas escapadelas, mas o que se pode esperar de um relacionamento que já começou em inverdades?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nota do autor: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tema sugerido por bruno volpato, do blog &lt;a href="http://musicapraler.blogspot.com/"&gt;música pra ler&lt;/a&gt; e meu colega no curso de jornalismo.&lt;br /&gt;este texto não é auto-biográfico. ao menos a maior parte dele.&lt;br /&gt;&lt;a href="http://musicapraler.blogspot.com/"&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2303902644752073685?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2303902644752073685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2303902644752073685&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2303902644752073685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2303902644752073685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/09/sobre-um-final-feliz.html' title='sobre um final feliz'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2553019868923832678</id><published>2008-09-10T04:00:00.014-03:00</published><updated>2008-09-23T17:03:57.420-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos mestres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='kevin smith'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre a procura</title><content type='html'>&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XFw7Myb34zw&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/XFw7Myb34zw&amp;amp;hl=en&amp;amp;fs=1&amp;amp;color1=0x3a3a3a&amp;amp;color2=0x999999" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic; color: rgb(204, 204, 204);font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 102);"&gt;Chasing Amy, por Kevin Smith, 1997&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="color: rgb(51, 51, 51);"&gt;&lt;p&gt; &lt;b&gt;Silent Bob: &lt;/b&gt;Chasing Amy.&lt;br /&gt;(Shocked silence, more for the audience than anyone else)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Holden&lt;/b&gt;: What? What did you say?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Bob:&lt;/b&gt; You’re chasing Amy.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Jay:&lt;/b&gt; Why do you so shocked for, man? Fat bastard does this all the time. Think just because never says anything, it’ll have some huge impact when he does open his fucking mouth…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Bob:&lt;/b&gt; Jesus Christ, why don’t you just shut the fuck up. You’re yap, yap, yapping all the time. Give me a fucking headache. (to Holden) I went through something like what you’re talking about, a couple years ago, this chick named Amy.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Jay:&lt;/b&gt; When?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Bob:&lt;/b&gt; A couple years ago?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Jay:&lt;/b&gt; What, you live in Canada or something? Why don’t I know about this?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Bob:&lt;/b&gt; Bitch, what you don’t know about me I could just about squeeze in the Grand fucking Canyon. Did you know I always wanted to be a dancer in Vegas? (does a gesture with his hands, a reference to a move by the exotic dancers in “Showgirls”) Betcha ya didn’t even know that shit, did ya?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Jay:&lt;/b&gt; So tell your fucking story so we can get outta here and smoke this.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Bob:&lt;/b&gt; So, there’s me and Amy. And we’re all inseparable, right? Big time in love. Then four months down the road, the idiot gear kicks in, and I ask about the ex-boyfriend. Which, as we all know, is a really dumb move. But you know how you don’t wanna know, but just have to know–stupid guy bullshit. So, anyway, she starts telling me about him. How they fell in love, how they went out for a couple of yeas, how they lived together, her mother likes me better, blah blah blah blah blah. And I’m okay. Then she drops the bomb. And the bomb is this: it seems that a couple of times while they were going out, he brought some people to bed with him, “menage a troi,” I believe it’s called. And this just blows my mind, right? I mean, I am not used to this sorta thing; I was raised Catholic, for Gods sake.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Jay: &lt;/b&gt;Saint shithead.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Bob &lt;/b&gt;(to Jay): Do something. (to Holden) So I’m totally weirded out by this, right? So I start blasting her. I mean, I don’t know how to deal with what I’m feeling, so I figure the best way is to call her ’slut,’ tell her she was used. I’m out for blood, I really want to hurt this girl. I’m like, “What the fuck is your problem,” right? And she’s just trying to calmly tell me it was that time, it was that place, and she doesn’t feel like she should apologize because she doesn’t feel that she’s done anything wrong. And I say, “Oh, really?” That’s when I look her straight in the eye, tell her it’s over. I walk.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Jay:&lt;/b&gt; Fucking-A.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;b&gt;Bob:&lt;/b&gt; No, idiot, it was a mistake. I wasn’t disgusted with her, I was afraid. In that moment, I felt small, like I lacked experience, like I’d never be enough for her or something like that, you know what I’m saying? But what I did not get: she didn’t care. She wasn’t looking for that guy any more. She was looking for me, for the Bob. But by the time I figured this all out, it was too late. She had moved on. And all I had to show for it was some foolish pride which gave way to regret. She was the girl. I know that now. But (lights a cigarette) I pushed her away. (pause) So I spend every day since then chasing Amy. (pause) So to speak.&lt;/p&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2553019868923832678?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2553019868923832678/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2553019868923832678&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2553019868923832678'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2553019868923832678'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/09/silent-bob-chasing-amy.html' title='sobre a procura'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-542701648131162038</id><published>2008-08-31T06:39:00.011-03:00</published><updated>2008-09-10T04:13:37.613-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos mestres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vinicius de moraes'/><title type='text'>sobre o que não é</title><content type='html'>aqui jaz um texto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um texto bom, um texto rico&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um texto sobre a vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas que a própria vida me impede de realizá-lo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois ébrio estou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ébrio e com sono&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e as horas avançadas são como um chamado a que me junte ao reino&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a que me ceda gentilmente ao manto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;reino e manto, estes, de orfeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto muito&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto muito em deixá-los com o nada&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas deito-me agora sobre o travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;palavras desconexas parecem talvez ser mais verossímeis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e a vida tem disso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tem de suas mudanças&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mudanças e amadurecimentos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fatos tais que a tornam apenas mais digna do gozo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e é como diria o antigo mestre que a tudo viu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a tudo viu mas morreu infante&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"mesmo um amor que não compensa é melhor que a solidão".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e eu dizia&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dizia logo ali no começo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;que aqui jazia um texto sobre a vida&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um texto inspirado pelos ares e musas que somente o álcool traz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aqui jazia e aqui o jaz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e este era um poema sobre aquilo que não foi&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquilo que não era&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que não é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o que nem sei, ao menos, dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(204, 204, 204);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nota do autor: &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;agora, após um bom dia de sono, vejo o quão realmente bêbado estava ao escrever o que está acima. pois bem, deixo como uma óde à ebriedade. se você não o entendeu, eu tampouco.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-542701648131162038?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/542701648131162038/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=542701648131162038&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/542701648131162038'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/542701648131162038'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/08/sobre-o-que-no-foi.html' title='sobre o que não é'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-913290382286815901</id><published>2008-08-25T03:26:00.008-03:00</published><updated>2008-08-25T04:30:50.127-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre o momento em que me encontrei</title><content type='html'>voltava para casa, ao fim de tarde, quando eu me encontrei.&lt;br /&gt;não, não no sentido filosófico da expressão, no sentido literal.&lt;br /&gt;eu ia por ali, andando despreocupadamente pelas ruas do meu bairro, concentrando meu olhar ao chão. mas sabe quando você dá aquelas breves olhadas para cima, tentando olhar o rosto das pessoas? então, em uma dessas desviadas de olhar, avistei um rosto muito familiar. devia ter uns 15 anos a mais que eu, barba por fazer, bigode ralo, semblante despreocupado e cansado. não havia como negar; aquele era eu.&lt;br /&gt;fiquei encarando por alguns segundos, tentando desfazer o óbvio nó que havia dado em meus pensamentos, quando algo ainda mais bizarro aconteceu: ele me olhou de volta. e naqueles milésimos de segundo em que nossos olhares se encontraram, minha alma se encheu com a certeza de que eu era um cara legal. assim, de que eu seria um cara legal. melhor dizendo, de que eu serei legal.&lt;br /&gt;eu sei, isso é tudo muito confuso. não consigo nem conjulgar os verbos.&lt;br /&gt;e naquela situação esdrúxula, fiz o que, creio, a maioria faria. travei. não consegui pensar no que fazer, em como reagir, o que falar. e algo parecido deve ter acontecido com ele/comigo, já que eu também não fiz nada.&lt;br /&gt;dessa forma, nos cruzamos respeitosamente e seguimos nossos caminhos. não consigo imaginar para onde eu ia. aliás, não sei nem ao menos se essa é a verdadeira questão. talvez eu devesse me perguntar o que raios ele fazia ali, naquele momento, 15 anos antes de quando ele deveria estar vivendo. deus! lá vou eu novamente me chamando de "ele", quando o fato é que "ele" era eu.&lt;br /&gt;a esta altura você deve estar achando que sou maluco. talvez esteja certo; e talvez neste momento eu esteja mostrando à minha mulher um velho texto, que publiquei na internet 15 anos atrás, sobre o momento em que me encontrei na rua, depois de lhe ter contado a incrível experiência que foi ter cruzado comigo mesmo 15 anos mais novo; e talvez ela, minha mulher, esteja pensando em como sou maluco.&lt;br /&gt;de qualquer forma, se eu não fosse louco, isso tudo certamente contribuiu para tornar-me um pouco mais insano. mas quantas pessoas tiveram a chance de vislumbrar seu futuro?&lt;br /&gt;depois de me encontrar, sei que estou no caminho certo, sei que sou feliz, sei que continuo tranquilo e sei que meu gosto por roupas cairá com o tempo - ou isso, ou no futuro todos andam muito desleixados pela rua.&lt;br /&gt;não sei por que aconteceu comigo. não sei por que mereci esse lapso temporal. não sei nem ao menos se esse acontecimento ajudará a transformar-me naquele sujeito que caminhava tão despreocupado pelas ruas da cidade.&lt;br /&gt;há, no entanto, algo de que tenho certeza: se, em 15 anos, eu tiver estampado em minha cara um olhar tão leve e realizado, esse tempo que nos separa, eu de mim mesmo, será do caralho.&lt;br /&gt;mal vejo a hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e agora? como serei em 30 anos?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-913290382286815901?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/913290382286815901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=913290382286815901&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/913290382286815901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/913290382286815901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/08/sobre-o-momento-em-que-me-encontrei.html' title='sobre o momento em que me encontrei'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8597847492439500999</id><published>2008-08-14T19:27:00.001-03:00</published><updated>2008-08-14T19:27:22.470-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='aniversário'/><title type='text'>sobre tantos dias</title><content type='html'>e eis que hoje, um ano após o início deste blog, cá estou aqui a escrever o post de comemoração de seus 366 dias de existência - este ano foi bissexto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;confesso que nem eu acreditava que isso seria possível. nunca consegui dar muita continuidade a essas coisas. eu achava que seria mais algo que eu me empolgaria no começo e abandonaria às traças com o passar do tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;certamente que o tempo passou e a periodicidade deste blog foi diminuindo, mas creio que não deixei de postar textos novos um mês sequer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a escassez de postagens se deve a um único e simples fato: só posto aqui textos que me vêm em momento de grande inspiração. logo, não há um só post que eu não me orgulhe. logicamente que há aqueles que habitam um lugar mais especial no meu coração, seja pelo orgulho que me proporcionem ou pela simples inspiração que me levou a escrevê-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em um ano, minha vida mudou muito. quando comecei a escrever neste blog, morava em são paulo e ainda era um reles vestibulando com pretensões de ser um jornalista. hoje, moro em santa catarina, cursando uma das melhores universidades de jornalismo do país, e posso dizer categoricamente que jornalistando eu sou feliz. no entanto, vocês que acessam este despretensioso blog podem e devem ter a certeza de que continuarei a escrever, pois esta é minha grande e verdadeira paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comecei dizendo que o início deste blog seria a partida inevitável para um fim. e isto é verdade. mas durante este ano fui levado por jack kerouac, charles bukowski, orson scott card, truman capote, george orwell, jonathan safran foer, guilherme fiuza, ruy castro, josé saramago, luís fernando veríssimo e outros cronistas e escritores a escrever textos que certamente não são só meus. e tudo isso foi uma experiência única, que eu espero que dure por muitos outros anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a todos que têm acompanhado com paciência a trajetória deste blog, meu muito obrigado. se gostaram, façam uma publicidade por aí. eu agradecerei muito mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até o ano que vem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8597847492439500999?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8597847492439500999/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8597847492439500999&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8597847492439500999'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8597847492439500999'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/08/sobre-tantos-dias.html' title='sobre tantos dias'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8524741731099551443</id><published>2008-08-11T09:25:00.008-03:00</published><updated>2008-08-25T20:41:49.601-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre as três partes envolvidas</title><content type='html'>na entrada, ele pensa.&lt;br /&gt;ela me obrigou a vir à tal peça.&lt;br /&gt;eu nem queria, mas tive de vir. sabe como é, um agrado aqui, outro acolá, e se consegue uma semana de sossego. ir ao teatro com ela deve me garantir alguns dias sem lavar a louça.&lt;br /&gt;pessoas empoladas por todos os lados. tenho certeza de que ouvi o casaco de alguma madame rosnando para mim. odeio colocar terno. odeio colocar gravata. odeio, acima de tudo, colocar esses malditos sapatos velhos. tudo bem, é tudo pelo direito de colocar os pés cansados em cima da mesinha de café da sala.&lt;br /&gt;com licença, com licença. desculpe senhor, esses são os nossos lugares. não, veja. bem aqui, no bilhete. o quê? fileira H? oh, perdão. com licença, com licença.&lt;br /&gt;com licença, com licença. finalmente. não sei como a deixo me convencer a vir a essas peças. se eu tivesse que tropeçar em mais alguma barriga, surtaria. não mande eu me calar. estou falando baixo! "shhhh" o quê?! ah, perdão.&lt;br /&gt;abre a cena com nada no palco, fecha a cena com celular tocando. nada.&lt;br /&gt;abre a cena com nada no palco, fecha a cena com celular tocando. nada!&lt;br /&gt;na coxia, o diretor se desespera.&lt;br /&gt;maldição! tentemos mais uma vez.&lt;br /&gt;abre a cena com nada no palco, fecha a cena com celular tocando. nada!!!&lt;br /&gt;vamos, tente! não é possível que não haja ninguém no público com o maldito celular ligado. vamos, alguma musiquinha do gás, algum funk que seja! pelo menos aquele clássico "atende o telemóvel". de que adiantou todo aquele trabalho de pegar os números dos celulares de todos os que compraram os ingressos para ninguém atender?&lt;br /&gt;e agora? a peça inteira era baseada nessa premissa. sempre tem de haver algum mal-educado que esquece o celular ligado.&lt;br /&gt;ô, minha filha, continua tentando! continua tentando, senão é melhor cancelarmos agora toda essa porcaria!&lt;br /&gt;no bolso, o celular luta para se controlar.&lt;br /&gt;ah, não. agora não. por favor. tinha de ser agora?&lt;br /&gt;toda vez que vamos ao cinema, ao teatro, a algum recital de poesia, esse infeliz esquece de me desligar ou deixar no silencioso, e toda vez alguém liga. ele não aprende nunca? maldito seja! estou cansado de passar vergonha, de ser xingado e vaiado. como se fosse eu o sem educação!&lt;br /&gt;o que posso fazer? oh, deus! mais alguns toques e eu não aguentarei mais. a vontade é muito forte!&lt;br /&gt;não vou, não posso, não quero.&lt;br /&gt;não vou, não quero, não posso.&lt;br /&gt;não posso, não quero, não vou!&lt;br /&gt;ai, mas a natureza é muito forte. fui feito para isso! quem será o desgraçado ligando bem a essa hora? puxa vida, já são 11 horas da noite, isso não é hora para se ligar para alguém. deve ser a amante desse infeliz. sempre ligando nos momentos mais inoportunos. desiste, sua vaca!&lt;br /&gt;não, o telefone é desconhecido. de certo, a oferecida está ligando de algum outro lugar. por que ela não desiste?&lt;br /&gt;daqui a pouco começo a tremer. se isso acontecer, não resistirei mais, gritarei a plenos pulmões! filho-da-mãe, custava ter me desligado? não, não custava!&lt;br /&gt;já sei, mandarei tudo às favas e chutarei minha bateria. isso, resolvo meu próprio problema. a partir de hoje, não dependerei mais desse imbecil que nem consegue seguir as regras básicas da etiqueta.&lt;br /&gt;deixe-me ver, deixe-me ver. isso. aqui. só um chutinho, agora... foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8524741731099551443?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8524741731099551443/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8524741731099551443&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8524741731099551443'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8524741731099551443'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/08/sobre-as-trs-partes-envolvidas.html' title='sobre as três partes envolvidas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2926785125062939682</id><published>2008-07-23T06:08:00.006-03:00</published><updated>2008-09-23T21:28:41.346-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><title type='text'>sobre o bolinho de atum</title><content type='html'>o bolinho de atum não gostava de ser o que era.&lt;br /&gt;pudera, tinha uma vida entediante. uma vida de bolinho de atum.&lt;br /&gt;o que se pode esperar do cotidiano de um bolinho de atum? se você pensou em "nada", parabéns, você está correto. envie-nos seu endereço por e-mail e aguarde por prêmios maravilhosos.&lt;br /&gt;sua vida era entediante, pois o bolinho de atum era um ser inanimado. há quem diga até que um bolinho de atum não chega nem a ser um "ser", sendo apenas "comida". engana-se. pelo menos este bolinho de atum de quem falo é muito mais do que comida. é um ser entediado, aborrecido, um tanto genioso, com baixa auto-estima e uma personalidade apática.&lt;br /&gt;não bastasse ser um bolinho de atum, é também um bolinho de atum cuja receita contém cebola. e o tal bolinho de atum odeia cebola, mesmo que seja parte de quem é. apesar de lhe dar sabor e um certo tempero, o bolinho de atum acredita que a cebola azeda-lhe a vida. de certa forma, não podemos lhe tirar a razão. por que não podemos? bem, nem eu, e acredito que nem você, que está a ler esta história, somos bolinhos de atum, não chegando nem a pertencer ao fabuloso grupo que constitui os bolinhos mais diversos existentes neste planeta. assim, não podemos sequer imaginar o que se passa na mente de um bolinho de atum.&lt;br /&gt;o bolinho de atum também sofre. sofre por ter sido separado, ainda na infância, de seus irmãos, sabe, os outros bolinhos de atum que cresceram ao seu lado no forno. sofre também por ser ignorado por todos, esquecido em cima da bancada como um objeto qualquer. esse tipo de coisa pode causar profundas sequelas na confiança de um bolinho de atum. e assim esse nosso bolinho de atum foi ficando frio, duro, amargo, marcado pelo tempo e pelos duros golpes que a vida nos dá.&lt;br /&gt;é, é difícil essa vida de bolinho de atum.&lt;br /&gt;não bastasse ter sido esquecido e jogado pra escanteio como um qualquer, o bolinho de atum ainda tem que aguentar as próprias incertezas e dilemas que atravessa. pelo menos tais dúvidas não durarão muito tempo na mente do bolinho de atum. durarão somente, e tão somente, até ouvir um miado esfomeado ao seu lado.&lt;br /&gt;e agora o bolinho de atum não existe mais, não pensa mais, não se amargura mais. foi comido pelo gato de estimação da quituteira que o fizera.&lt;br /&gt;pobre bolinho de atum. depois de tanto tempo lidando com sua pobre condição de bolinho de atum, acabou depositado em uma caixa de areia qualquer, expelido pelo felino que o atacara sem piedade.&lt;br /&gt;mas não se preocupe pelo nosso herói. claro, o bolinho de atum era religioso. budista, para dizer a verdade, e acreditava em reencarnação. talvez essa sua vida que acabou de acabar fosse apenas um momento de expiação, uma fase na qual tinha de aprender a lidar com o fato de ser um reles bolinho de atum.&lt;br /&gt;quem sabe, em sua próxima encarnação, não volte como algo superior?&lt;br /&gt;quem sabe talvez não volte como um nutritivo bolinho de chuchu?&lt;br /&gt;quem sabe ele volte como um bolinho de chocolate, sempre disputado por todos, espalhando sorrisos nas faces das crianças e ajudando a espantar as tristezas do universo feminino?&lt;br /&gt;quem sabe - e digo isso com toda a fé que eu tinha no humilde bolinho de atum, confesso que aprendi a amá-lo como a um filho - volte até como algo mais do que um bolinho? um suflê, por exemplo.&lt;br /&gt;fico na torcida, e espero que vocês se unam a mim em minhas preces pelo futuro incerto daquilo que outrora fora um bolinho de atum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque, afinal, quem sabe?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2926785125062939682?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2926785125062939682/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2926785125062939682&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2926785125062939682'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2926785125062939682'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/07/sobre-o-bolinho-de-atum.html' title='sobre o bolinho de atum'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6883674542451080859</id><published>2008-07-19T03:04:00.005-03:00</published><updated>2008-07-19T03:23:51.354-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='memória'/><title type='text'>sobre a perda de um dom</title><content type='html'>não me lembro mais como se namora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sempre fui um bom namorado. é verdade. pode perguntar às minhas ex's. não são muitas, o que não lhe tomará grande parte de seu tempo.&lt;br /&gt;logicamente, convém perguntar quanto ao período anterior ao momento em que eu, impiedosamente, terminava o relacionamento, mas tenho confiança de que sempre fui um bom companheiro.&lt;br /&gt;e agora não consigo me lembrar mais como é namorar. mal consigo me lembrar de como é passar um bom tempo com alguém do sexo oposto em um relacionamento que não passe do platônico. sei lá, desaprendi. talvez o fato de ter passado os últimos dois anos sem algo verdadeiramente sério tenha causado essa falta de memória. o fato é que eu não sei mais.&lt;br /&gt;a simples idéia de passar um dia inteiro com uma mulher, sob o título de namoro, já é o suficiente para me deixar inquieto. claro, tamanho esquecimento tinha de vir acompanhado pelo medo. quem sabe, o velho medo do desconhecido, mesmo que já conhecido. talvez seja então o medo do esquecido?&lt;br /&gt;mais uma dúvida.&lt;br /&gt;não me entenda mal. eu gosto de namorar. curto relacionamentos sérios. adoro ter alguém para chamar de minha (não no modo possessivo, obviamente). o caso é que, pela primeira vez em minha breve vida, temo o namoro ao mesmo tempo em que anseio por ele.&lt;br /&gt;minha memória nunca foi das melhores. maldita seja.&lt;br /&gt;logo agora que eu imaginava já estar pegando o jeito da coisa, ela vem e apaga todo o conhecimento que lutei para reunir em meus 19 anos.&lt;br /&gt;é, como os americanos diriam, é a história da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6883674542451080859?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6883674542451080859/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6883674542451080859&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6883674542451080859'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6883674542451080859'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/07/sobre-perder-um-dom.html' title='sobre a perda de um dom'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5198050988897764256</id><published>2008-06-10T08:04:00.008-03:00</published><updated>2008-06-11T03:20:03.684-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='chico buarque'/><title type='text'>sobre pensamentos III - notas de um policial rodoviário</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;07:52 &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold; font-style: italic;"&gt;- rodovia presidente dutra, km 157. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;são paulo, 10 de junho de 2008.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;morreu na contramão para me encher o saco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5198050988897764256?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5198050988897764256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5198050988897764256&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5198050988897764256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5198050988897764256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/06/sobre-pensamentos-iii-notas-de-um.html' title='sobre pensamentos III - notas de um policial rodoviário'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3960505789119059013</id><published>2008-05-30T01:47:00.021-03:00</published><updated>2010-10-06T23:27:38.166-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='stars'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre táxis e as gotas da chuva</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;para escrever ouvindo:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-size:85%;" &gt; Stars - your ex-lover is dead&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/55FMOJMhV9s&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/55FMOJMhV9s&amp;amp;hl=pt_BR&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi através do amigo de um amigo que eu encontrei marina pela segunda vez. estávamos na festa de bodas de ouro de um casal de 70 anos ou algo do gênero. as mesas eram cobertas por toalhas de linho branco, com pequenos vasos repletos de lírios ao centro, copos de cristal e talheres de prata. as paredes eram enfeitadas por faixas prateadas e douradas, e a banda tocava sucessos dos anos 50 e 60. era um salão de festas realmente muito bonito.&lt;br /&gt;quando apresentados pelo jovem de boas intenções que não sabia que já nos conhecíamos, rimos brevemente. logo em seguida, instalou-se um silêncio, daqueles constrangedores, pelo que pode ter sido três minutos ou 13 anos. enfim, ela disse algo que teria sido considerado um clichê, caso ignorássemos o tempo que havíamos passado juntos:&lt;br /&gt;- é, eu acho que já nos encontramos antes, não?&lt;br /&gt;pude perceber pelo tom de sua voz que ela sinceramente não se lembrava de mim. quer dizer, pode ser que seu inconsciente soubesse quem eu era, mas já é sabido que a distância entre consciência e aquilo que habita as profundezas de nossa mente é enorme.&lt;br /&gt;talvez essa seja a hora na qual eu devesse contar como nos conhecemos, nos apaixonamos e nos separamos 20 anos antes. fazíamos faculdade juntos, marina e eu. jornalismo. fomos amigos por um tempo, até uma festa em que os dois, bêbados, percebemos que pertencíamos a sexos opostos. alguns meses depois, fomos morar juntos, contrariando uma amiga que dividia o apartamento com ela e dois sujeitos que viviam comigo. com o fim do contrato de 12 meses, acabou também nosso relacionamento. essas coisas acontecem, o que se pode fazer?&lt;br /&gt;enquanto eu lembrava dessa história, percebi que a hora avançava e eu tinha de ir embora. do lado de fora a chuva caía impiedosamente. ao expressar minha necessidade de partir, ela sugeriu que dividíssemos um táxi e eu, por preferir não me molhar, aceitei prontamente.&lt;br /&gt;atravessávamos uma ponte e percebi que ela parecia triste. não trocava mais que algumas poucas palavras comigo. não podia imaginar que, naquele momento, ela tentava se lembrar do meu nome.&lt;br /&gt;a separação foi amigável. concordávamos que não havia maneira de continuarmos juntos. namoramos por cerca de um ano, o qual eu passara tentando entendê-la profundamente em tempo integral. não adiantava, eu não conseguia penetrar suas defesas, ou assim pensava. eu era muito jovem, tinha 22 anos, como podia ser tão arrogante a ponto de querer conhecer todos os seus segredos? saí triste da relação, mas não magoado. ela sim, ficou um tanto deprimida. por isso acabei achando que eu era o maduro da relação, aquele que sabia lidar com relacionamentos.&lt;br /&gt;hoje vejo todos os erros cometidos. não era ela quem se distanciava, não era ela quem tinha medo, não era por culpa dela que eu não conseguia conhecê-la de verdade. ela havia escolhido sentir, amar, desejar, e eu, coitado, nem tive a chance de fazer tal escolha. nunca a amei realmente. minha tristeza depois do fim não era pelo fim em si, mas pela minha incapacidade de sentir. foi por me amar tanto que ela acabou brevemente deprimida. sua depressão era um cartão-postal dos sonhos que tivemos juntos, um recado do amor verdadeiro.&lt;br /&gt;talvez se tivesse tido a coragem de viver tudo aquilo eu não estivesse olhando para trás. marina era o que eu mais queria, e lhe entreguei o que entreguei. espero que não se arrependa de ter me conhecido. espero que não se arrependa de ter terminado. espero que não se arrependa de não haver o que salvar.&lt;br /&gt;pagamos o taxista e subimos apressadamente para o meu apartamento, pois a chuva continuava a cair forte. no dia seguinte, em minha cama, ela ainda não se lembrava de nós dois. talvez assim fosse melhor. eu era um homem melhor, um ser humano melhor. podia ser que eu finalmente conseguisse lidar com o que eu sempre quis.&lt;br /&gt;tínhamos muito tempo para nos conhecermos, para reinventarmos nossa história.&lt;br /&gt;as enormes gotas da tempestade escorriam pela minha janela, desenhando sombras na face adormecida de marina.&lt;br /&gt;naquele momento, eu não sentia muito por não haver o que salvar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3960505789119059013?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3960505789119059013/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3960505789119059013&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3960505789119059013'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3960505789119059013'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/05/sobre-txis-e-gotas-de-chuva.html' title='sobre táxis e as gotas da chuva'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-7098977346960704835</id><published>2008-05-13T02:28:00.011-03:00</published><updated>2008-08-25T20:43:45.495-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><title type='text'>sobre juras de amor eterno</title><content type='html'>durante a ligação, ele fazia juras de amor.&lt;br /&gt;"mas eu te amo, pô! será que só você não vê isso? fomos feitos um para outro! eu quero passar o resto da minha vida contigo, guria! quero acordar ao teu lado. quero fazer juras de amor eterno. quero ter filhos, netos, bisnetos. quero te chamar de 'minha fofuchinha'. quero fazer amor contigo. quero ser a azeitona da sua empada, poxa! só de ouvir tua voz, vi que era pra sempre. nunca me senti assim por alguém antes. sou teu escravo, teu criado! não consigo pensar em mais ninguém. para mim, nem existe mais alguém neste universo! só você. tu és tudo, minha amada!"&lt;br /&gt;do outro lado da linha, ela se desesperava, tentava mudar de assunto, mas ele continuava.&lt;br /&gt;"vamos fugir? a gente desliga, eu ligo pro meu chefe, mando ele à merda e a gente foge. juntos. compramos uma fazenda no interior do amapá, estocamos vinho tinto e comida enlatada, e só saímos depois de três meses de sexo animal e apaixonado! vai, diz que sim. diz que sim, senão eu me mato. não estou brincando. subo nesta cadeira, amarro meus cadarços ao redor do meu pescoço e pulo. hein? eu falei que pulo! PU-LO! essa ligação... não, não precisa chamar a polícia. você sabe que eu não tava falando sério. pelo menos não se você aceitar fugir comigo. pára de me tratar assim, com tanta frieza, tanta formalidade! você sabe meu nome, está cansada de saber. isso, assim tá melhor. ai... fala de novo. isso, me chama de 'senhor manuel'. isso. assim eu fico louco! você sabe disso. casa comigo. vou ligar pro teu pai e pedir tua mão em casamento. não, nem tente me convencer de que é loucura. sou louco, sim. louco por você! por que você não se rende a isso? é o destino! somos almas gêmeas. eu nasci pra você, e você nasceu pra mim! não acredita que todos já nascemos predestinados e ficar com alguém? pois eu acredito. e você é minha. nunca tive mais certeza sobre coisa alguma. minha vida andava tão sem rumo, tão sem sentido. até que eu te conheci. melhor dia da minha vi...alô?? tá aí ainda? ufa... você ficou quieta por tanto tempo que eu achei que pudesse ter desligado."&lt;br /&gt;ela realmente pensava em desligar. não aguentava mais.&lt;br /&gt;"e, se você tivesse desligado, acho que eu não reagiria bem. esperei por tanto tempo para te encontrar... enfiaria a cabeça no forno e deixaria o gás fazer o resto. mas deixemos tudo isso pra lá. falemos de nós. como se chamarão nossos filhos? quero ter quatro. um guri, duas gêmeazinhas lindas e outro gurizinho. posso até imaginar o cachorro tomé entrando pela casa todo coberto de lama e você gritando com ele. você grita com o pobre tomé, mas o ama. você ama o tomé, não ama? e quanto a mim? você me ama?"&lt;br /&gt;ela já desistira. faria a vontade dele. esse era seu plano.&lt;br /&gt;"AMA??? meu deus, quanta felicidade. voce não se arrependerá! farei de ti a mulher mais feliz do mundo! faz o seguinte: desliga o telefone, fala com teu chefe, pede as contas e me encontra às dez na rodoviária de malas prontas. vamos hoje mesmo lá praquela fazenda no amapá. eu te amo, meu amor. até logo, já estou com saudades!"&lt;br /&gt;ela não podia acreditar. pela primeira vez, o toque de desligado soava como as notas tiradas de harpas por pequenas mãos angelicais. olhou para o relógio pendurado na parede. ele ainda apontava para as 15 horas. para o inferno com isso! pediria demissão imediatamente. não que fosse se mudar para o amapá com aquele maluco. sua mãe bem que lhe dissera para estudar mais e virar advogada. ou médica! mas não... tinha de ser teimosa, brigar com os pais, sair de casa. aquela fora a situação mais louca na qual se envolvera em toda sua vida. não queria mais saber de telefone, não queria mais saber de seu trabalho. se levantou, trêmula, e foi em direção à sala do patrão, jurando a si mesma que nunca mais aceitaria um emprego como atendente de telemarketing.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-7098977346960704835?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/7098977346960704835/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=7098977346960704835&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/7098977346960704835'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/7098977346960704835'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/05/sobre-juras-de-amor.html' title='sobre juras de amor eterno'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3621962821664962039</id><published>2008-04-29T00:10:00.017-03:00</published><updated>2008-05-02T16:41:24.898-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><title type='text'>sobre asdrúbal e o violino</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;a história de &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:verdana;font-size:100%;"  &gt;asdrúbal terminou no dia 17 de março de 1994.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; para ser mais exato, os médicos legistas registraram sua hora de óbito às três horas, 46 minutos e 27 segundos da madrugada, o que, por si só, era um engano. o relógio musical do responsável pela marcação estava cinco segundos atrasados, devido à uma música que tocava, todo dia, ao meio-dia e o alterava em nanossegundos.&lt;br /&gt;sua vida - a de asdrúbal, não a do relógio - era uma longa sucessão de enganos musicais.&lt;br /&gt;duas semanas antes, ele havia sido desqualificado de um concurso público por assoviar Chopin durante a prova. o monitor, um antigo regente da orquestra sinfônica de taubaté, assegurava que ele havia colocado um dó no lugar de um sol, expulsando-o da classe. ele apenas tentara segurar uma tosse que lhe acometera durante a canção, perdendo o tom por alguns segundos. com isso, asdrúbal continuava desempregado.&lt;br /&gt;certa vez, por volta de 30 dias antes de falecer, ele havia cedido à pressão de uma amiga e decidira aceitar o encontro às escuras que ela lhe arranjara. chegando ao local marcado, o bar Jobim, asdrúbal passou a cortejar seu par, pensando em como havia errado em pensar que a amiga não teria bom gosto. se havia estado enganado em muitas coisas ao longo de sua vida, naquela vez estava certo. aquela não era sua prometida. na verdade, a escolhida estava sentada do outro lado do bar, próxima aos toaletes e ao cheiro de empadinhas, cantarolando incessantemente Chico, o sinal combinado para que se reconhecessem, e acabaria indo embora após uma hora de espera prometendo a si mesma nunca mais aceitar sair com alguém com um nome tão patético quanto asdrúbal. no entanto, o engano dele deu frutos, já que, naquela noite, não voltou sozinho para casa.&lt;br /&gt;o nome dela era marina, uma morena apaixonante que cantarolava Caetano. bem, o forte de asdrúbal nunca fora a música popular brasileira, e isso lhe valeu uma namorada.&lt;br /&gt;o nascimento de asdrúbal também fora uma incertidão. passara a vida toda pensando ser filho de seu fabinho, um pobre artesão de instrumentos musicais, mas era na verdade filho do vizinho, que aproveitava as muitas horas passadas por fábio na oficina para ir dançar a macarena na horizontal em sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enquanto asdrúbal era concebido, seu fabinho construía o violino. feito em madeira nobre, o instrumento fora encomendado por barão, um músico abastado das redondezas que reconhecia o talento do artesão com as cordas.&lt;br /&gt;o violino tinha um estojo. feito em coro e revestido internamente por um veludo avermelhado, parecia aqueles usados pelos gângsteres dos filmes para guardar seu armamento. entalhado nele estava "13-06-36", a data em que ficara pronto. seu fabinho realmente estava orgulhoso de seu trabalho.&lt;br /&gt;e com motivo, o instrumento era magnífico. dele sairiam notas que não eram crédito de quem o portasse, mas sim de seu criador e de suas formas.&lt;br /&gt;mesmo assim, barão não obteve sucesso, com o violino ou sem ele. frustrado por saber que carregava a culpa pelo próprio fracasso, descontou sua raiva no pobre objeto inanimado que se recusava a casar com suas habilidades. aquele não era um violino qualquer, teria de ser portado por quem tivesse braço para domá-lo. e assim barão se vingou, privando-o do que nascera para realizar, para fazer, para ser. nos anos seguintes, todos que passavam pela casa de barão não podiam deixar de notar aquele estojo empoeirado guardado sob a escada, parecendo clamar por uma chance de ser ouvido.&lt;br /&gt;e o silêncio perduraria eternamente, não fosse o sobrinho do barão achá-lo, dez anos depois, enquanto limpava a casa do tio recém-falecido. músico em início de carreira e herdeiro de todas as posses do barão, se empenhou em consertar aquele belo objeto esquecido.&lt;br /&gt;de volta ao seu esplendor, o violino tratou de recompensar seu benfeitor. recompensou-o tanto que seu dono não se viu capaz de acompanhá-lo. sabia que as notas produzidas não eram suas e esperava um dia vê-lo no máximo de suas capacidades. com isso, tratou de passar o instrumento adiante.&lt;br /&gt;com o correr dos anos, o objeto de orgulho de seu fabinho, construído nos anos 30, passou por diversas mãos.&lt;br /&gt;foi tocado pelo 4º violinista da sinfônica da cidade de são paulo; acompanhou um show de baião no agreste do sertão do nordeste que virou mar; regeu um conjunto de cordas que cruzou a américa; viu bailes de carnaval virarem celebrações fúnebres; atraiu as massas a teatros municipais e poucas pessoas a recitais de poesia; até que, assim quis o destino, fosse parar no bar jobim, vendo a namorada de seu dono saindo pela porta com outro, enquanto fazia o que fora feito para fazer.&lt;br /&gt;no mês seguinte, cada vez que era manuseado pelo músico, sentia no apertar das cordas toda a mágoa do indivíduo abandonado. o tempo passou e podia prever uma tragédia, tragédia que não tardaria, pois ouvia as emoções do dono, e este conversava com o instrumento, como que pedindo por conselhos de algo que já vira muito, já passara por tanto. infelizmente, não podia responder, não por outro meio que não sua música. e isso, ele já sabia, não seria suficiente para saciar a maldade que crescia naquele que o empunhava.&lt;br /&gt;o violino então foi banhado de sangue. na beira da lagoa de guanabara, iluminado pelas luzes reluzentes dos postes, durante a madrugada do dia 17 de março de 1994.&lt;br /&gt;seu dono, abominado pelo que fizera, saíra correndo, encoberto pelas sombras.&lt;br /&gt;marina, a morena apaixonante que havia conquistado o coração de asdrúbal, gritava por socorro. mas já era tarde, para ele e o violino.&lt;br /&gt;asdrúbal deixava de ser humano para virar estatística. o violino largava a vida de instrumento para virar prova.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e, naquele momento, acabaram-se suas histórias, seus ensaios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ensaios sobre asdrúbal e o violino.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3621962821664962039?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3621962821664962039/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3621962821664962039&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3621962821664962039'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3621962821664962039'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/04/sobre-asdrbal-e-o-violino.html' title='sobre asdrúbal e o violino'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8700049137802334486</id><published>2008-03-14T16:59:00.016-03:00</published><updated>2010-04-06T11:57:43.017-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saudade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagem'/><title type='text'>sobre sacolas deixadas num trem</title><content type='html'>&lt;p style="margin-bottom: 0cm; widows: 2; orphans: 2; color: rgb(255, 255, 255);" lang="pt-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);font-size:85%;" &gt;&lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;certa feita ouvi sobre um garoto que, durante uma viagem, esquecera uma sacola no trem entre uma cidade e outra. logo que chegou ao hotel, se deu conta da falta da bagagem, mas, como é possível saber, nada havia a ser feito. o país era outro, a língua era estrangeira, e nenhum dos presentes sabia como reivindicar as posses perdidas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;a sacola não era qualquer sacola, e sim aquela na qual ele levava suas compras mais queridas e desejadas, um conjunto de chapéus com as quais sonhava desde que ficara sabendo que deixaria o brasil. sua reação foi das mais simples e previsíveis: chorou. errado há de ser aquele que pensar que o garoto era apenas mais um que dava importância às coisas materiais, assim como há de estar errado aquele que acredita que é fútil chorar por sonhos perdidos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;aqueles chapéus eram mais que reles compras, eram a própria materialização de desejos profundos, infantis até, mas que caracterizavam sua própria personalidade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;obviamente, sua mãe e seu irmão mais velho não foram capazes de entender de imediato a importância daquela perda, e chegaram até mesmo a se impacientar com o pobre garoto. no entanto, sua infelicidade era tão profunda e seu desespero tão genuíno que não puderam se conter em acalentar o infante. comprariam outros assim que pudessem, e foi assim que aos poucos o pranto cessou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;difícil dizer se a sensação de vazio naquele jovem peito tenha passado tão facilmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;há aqueles que se vêem, em determinado momento de suas vidas, em posição similar. têm de deixar para trás bens preciosos que sabem que dificilmente irão recuperar, ao menos da forma como um dia foram. as formas de lidar com tais acontecimentos são as mais diversas, mas o princípio é o mesmo.&lt;br /&gt;de início, a sensação de perda vem forte, e olhar para trás causa uma dor incomensurável.&lt;br /&gt;em seguida vem a negação. evita-se que o pensamento passeie pelos campos da saudade, e a mente preocupa-se em se manter ocupada.&lt;br /&gt;no entanto, é da natureza humana sentir a falta, a saudade, o vazio deixado por algo que se ama. dessa forma, enquanto a mente luta para ser forte, a alma sente e, embora as ações sejam de quem parece seguir olhando para frente, conhecendo novos destinos e vislumbrando novas vidas, o coração se mostra ainda soberano e sofre calado, até que o cérebro esteja forte o suficiente para acompanhá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nesse momento que se chora verdadeiramente por aqueles que tiveram de ser deixados para trás, irmãos, amigos, parentes - assim como uma sacola esquecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;finalmente este irmão mais velho que vos fala entende da dor madura sentida por alguém que tinha tanto para ensinar, por ser tão infinitamente mais inocente a ponto de derramar lágrimas por um bando de chapéus deixados num trem para veneza.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(51, 51, 255);"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nota do autor:&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt; em homenagem a Gabriel, meu irmão, e a honra que é poder chamá-lo assim, e a todos aqueles que, mesmo não tendo o sangue em comum, já pude um dia fazer o mesmo. obrigado por tudo.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;p style="margin-bottom: 0cm; widows: 2; orphans: 2; color: rgb(51, 51, 255);" lang="pt-BR"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-family:Georgia,serif;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(192, 192, 192);font-size:85%;" &gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; widows: 2; orphans: 2; color: rgb(51, 51, 255);" lang="pt-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin-bottom: 0cm; widows: 2; orphans: 2;" lang="pt-BR"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8700049137802334486?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8700049137802334486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8700049137802334486&amp;isPopup=true' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8700049137802334486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8700049137802334486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/03/certa-feita-ouvi-sobre-um-garoto-que.html' title='sobre sacolas deixadas num trem'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-4610604750012885112</id><published>2008-02-18T02:25:00.010-03:00</published><updated>2008-08-25T20:35:40.783-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><title type='text'>sobre dias mais simples</title><content type='html'>tinha nove anos, seu nome era gustavo e aquela era, obviamente, a primeira vez que se apaixonava.&lt;br /&gt;ele viu quando a garota nova entrou na sala, seguindo-a com seus olhos infantis enquanto ela deslizava em direção à sua carteira. engraçado, ela tinha uma mochila rosa, e um estojo rosa, e um sapato rosa e um pequeno laço laranja.&lt;br /&gt;nunca tinha reparado numa menina assim antes. todas eram tão nojentas, tão frescas, tão chatas e bobas. ela não. ela era a menina mais bonita que ele tinha visto. ficou pensando em como falar com ela.&lt;br /&gt;gustavo corou quando os olhos dela encontraram os dele. a professora chamou sua atenção e ele procurou se concentrar nos exercícios de matemática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;durante o recreio, após o lanche, constatou que ela já havia se enturmado. sorte a dele, ela estava com sua melhor amiga menina. se aproximou, descontraído e nervoso, perguntando se elas queriam brincar de esconde-esconde. o primeiro contato estava feito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nas semanas seguintes, passou um bocado de tempo do recreio com ela. se chamava fernanda. brincavam com as outras crianças. ele sempre descobria seu esconderijo, sempre a pegava no pega-pega e usava um pouco mais de sua habilidade para fugir dela.&lt;br /&gt;sim, ele estava apaixonado e não sabia. oras, não tinha como saber, ele tinha apenas nove anos.&lt;br /&gt;implicava com ela mais do que com as outras meninas. a chamava de boba e vivia mostrando a língua pra ela, enfiando o dedo no nariz quando sabia que ela estava olhando e escondendo o seu estojo.&lt;br /&gt;ela honestamente não sabia porque ele agia assim.&lt;br /&gt;ele tampouco. só sabia que queria chamar sua atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem nunca reparou como os meninos agem quando se apaixonam? crianças, xingam mais, provocam mais, empurram mais e usam palavras como "boba", "chata", "nojenta" e "boboca".&lt;br /&gt;essa é sua demonstração de afeto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com o tempo, todos vêm a entender isso. uma reação normal do crescimento. no entanto, essa história não é sobre um garoto de nove anos. sinto muito. eu menti.&lt;br /&gt;ele tinha 22 anos feitos, e ainda não fazia idéia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-4610604750012885112?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/4610604750012885112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=4610604750012885112&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4610604750012885112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4610604750012885112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/02/sobre-dias-mais-simples.html' title='sobre dias mais simples'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2953766736503264931</id><published>2008-02-03T21:54:00.004-02:00</published><updated>2008-09-10T04:11:58.278-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos mestres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='cartola'/><title type='text'>sobre os dissabores</title><content type='html'>há um tempo atrás, eu tinha um amigo. não tanto um amigo, um conhecido. a verdade é que ele confiava em mim, me contava coisas. coisas que pensava, coisas em que acreditava.&lt;br /&gt;não me perguntem por quê contava logo a mim. talvez fosse porque eu chegava a entendê-lo. muitas das vezes não concordava, mas eu o entendia.&lt;br /&gt;não tinha uma grande vida, esse conhecido meu. mal saía de casa, não tinha amigos de verdade, seu último relacionamento significativo fora há tantos anos que mal conseguia se lembrar. continuava em seu emprego seguro, vivendo sua vida pacata na segurança de seu lar, se protegendo do violento mundo hostil que acontecia à sua volta.&lt;br /&gt;as coisas que me contava não eram bem coisas. digo, não assim, no plural. ele tinha uma teoria.&lt;br /&gt;pelo jeito, passava horas conferindo suas idéias, repassando argumentos, relacionando adendos. tudo ligado à sua teoria.&lt;br /&gt;ele acreditava, realmente confiava, que existem coisas boas por aí. risadas, música, poesia, brincadeiras, jogos, amor. e era apaixonado por tudo isso. talvez fosse um de seus maiores admiradores. sabe, do lado bom da vida.&lt;br /&gt;no entanto, acreditava também no outro lado. na dor, na traição, na mentira e, de certo modo, no fim.&lt;br /&gt;infelizmente, não sei se por opção ou por natureza, dava maior importância a tais coisas, deixando toda a sua admiração ser ofuscada pelo medo.&lt;br /&gt;assim, ele não se arriscava. não escrevia por medo de críticas. não cantava temendo desafinar. não ria para não chorar. não namorava para não brigar, trair, terminar. enfim, não amava para não se preocupar com rejeição e desapontamento.&lt;br /&gt;e eu não sentia pena dele. não passava horas tentando dissuadi-lo de seus ideais. eu apenas ouvia. era o máximo que podia fazer por ele. dono de sua própria existência era o que era. quem sou eu para dizer o contrário?&lt;br /&gt;ele já passara por muito, vivera o suficiente de desilusões e dissabores, muito além do que eu podia compreender. e ele vivia assim, vivendo uma quase não vida.&lt;br /&gt;há muito perdemos contato, mas imagino que ele siga perseguindo a segurança que somente uma existência sem riscos pode oferecer.&lt;br /&gt;até hoje me pergunto que existência seria essa. se seria algo que vale a pena almejar. talvez a resposta seja óbvia. talvez esteja flutando ao meu redor, em cada desapontamento, em cada tristeza, em cada comida queimada na panela, em cada hematoma, em cada nota fora do lugar, em cada insulto e em cada lágrima.&lt;br /&gt;podem me chamar de teimoso, ou até mesmo de tolo. saibam apenas que não sou um admirador dessas coisas. pessoalmente, se pudesse evitá-las total e completamente, o faria. no entanto, sou um apaixonado por todo o processo que leva a cada um de tais dissabores, do que vem antes e daquilo que virá depois.&lt;br /&gt;quem souber como evitar, serei todo ouvidos. ouvi uma teoria a respeito certa vez. não funcionou para mim.&lt;br /&gt;no fundo, acredito que de nada adianta lembrar do passado, viver o presente, sem acreditar no futuro.&lt;br /&gt;tinha um conhecido que, ao lembrar do passado, não vivia o presente por temer o futuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;nota do autor: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;agradeço ao mestre cartola pela inspiração. não só nessa história, mas na vida e na música.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2953766736503264931?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2953766736503264931/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2953766736503264931&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2953766736503264931'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2953766736503264931'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/02/sobre-os-dissabores.html' title='sobre os dissabores'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-7456400410984597281</id><published>2008-01-28T16:14:00.002-02:00</published><updated>2008-08-25T20:37:43.654-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='sonhos'/><title type='text'>sobre o heterônimo</title><content type='html'>uma outra noite, um outro sonho. desta vez, totalmente diferente do último. mas ele ainda está lá.&lt;br /&gt;o pássaro. ainda no parapeito da janela, seja do quarto, seja do trem, seja do Vectra avermelhado cor-de-sangue que dirige agora.&lt;br /&gt;os sonhos têm sido assim, todos eles. a cada dia, um novo cenário. a ave diz que quer vê-lo conhecer o mundo. o carro dirigido pelo jovem passa pela placa em que se lê: "Praga, 47 km."&lt;br /&gt;"agora entendi. vou morrer, não vou?", pergunta o jovem ao pássaro empoleirado, agora, no volante.&lt;br /&gt;"não diga tolices. muito menos as pergunte. que história é essa de morte?"&lt;br /&gt;"estava apenas pensando. a cada noite de sonhos, sou transportado, independentemente de minha vontade, para os lugares mais variados. esta noite, no entanto, vim parar em Praga, a cidade que eu sempre quis conhecer. aliás, durante toda a semana, fui somente a lugares de, ironicamente falando, meu 'sonhos'. acho isso estranho. você nunca foi de me agradar. seria possível que o tempo o está suavizando?"&lt;br /&gt;"já lhe disse para parar com as tolices", a ave respondeu, logo após uma forte bicada no dedo do rapaz que lhe arrancou sangue. "ninguém aqui lhe permitiu 'pensar' sobre merda alguma. apenas continue guiando."&lt;br /&gt;"mas nesta escuridão é impossível ver coisa alguma à nossa frente." logo após dizer tais palavras, o jovem se surpreendeu ao piscar os olhos e encontrar o sol brilhando ao seu redor.&lt;br /&gt;com o Sol, ele podia ver longas distâncias. a paisagem lhe acalmava e confortava. era como se nunca tivesse tido preocupação alguma em sua vida. foi então que percebeu. ele conhecera o pássaro há apenas poucas semanas, durante um sonho no qual jogava pebolim com Tolstoi, Stephen Hawking e, para sua surpresa, Dona Júlia, a mulher que lavava a roupa de seus pais quando era apenas um infante. o pássaro viera voando e pousara na cabeça do goleiro do time controlado por Hawking. nesta hora, o jovem fizera um gol fenomenal, enquanto seus oponentes tentavam espantar a ave. assim, o romancista russo, que fazia dupla com o físico britânico, lhe rogara uma praga. a partir daquela noite, o animal alado sempre habitaria os sonhos do estudante brasileiro.&lt;br /&gt;contudo, o que era para ser uma maldição se mostrou uma bênção. logo na noite seguinte, durante uma discussão acalorada sobre nanotecnologia (solução ou destruição?), a ave lhe revelara ser Álvaro de Campos, o heterônimo do poeta português. Admirador profundo de seu trabalho, o garoto passou dias calado e obediente, tentando aprender sempre o máximo com o poeta/pássaro/mestre. mas a arrogância e prepotência do animal-autor lhe foi desgastando a paciência. após noites sem fim e diversos lugares visitados - incluindo uma visita a uma amiga muito próxima, atravessando a ponte sobre o rio Furness - havia decidido confrontar aquele que não lhe permitia uma noite de sono tranqüilo sequer.&lt;br /&gt;suficientes eram as dúvidas que tinha quando acordado, - se iria passar em uma boa faculdade; que tipo de vida teria; se aquela sensação de conhecer alguém uma existência inteira, mesmo a tendo encontrado pela primeira vez há não mais que um ano, significaria algo - agora tinha que se preocupar com outras tensões e debates enquanto se aconchegava no abraço de Orfeu, o antigo deus grego que embalava os homens em tempos remotos?&lt;br /&gt;isso não era justo. a vida não poderia ter lhe pregado tal peça. sempre fora do tipo que acreditava que não existiam forças além da compreensão que regiam as vontades da humanidade, que dirá de um único ser. como poderia lhe entregar assim, de mão beijada, a responsabilidade sobre tudo o que lhe acontecia em vida? não era ele quem era mestre do próprio destino, controlando tudo com as próprias mãos?&lt;br /&gt;daquela vez, a ave pagaria. daquela vez, sumiria de uma vez por todas e, junto a ela, suas preocupações, medos e incertezas. daquela vez, atravez da janela do Vectra ensangüentado de cor vermelha, a ave e ele mesmo conheceriam suas sortes.&lt;br /&gt;e foi assim, assim mesmo, mundanamente, que o volante foi virado violentamente para a direita, direcionando o automóvel para uma cerca que separava a estrada de um rio localizado por volta de cinco metros abaixo do nível da rodovia. jovem e animal mergulharam para o incerto e, enquanto a ave gritava, ele ria. sua excitação com o desconhecido ainda chamava seu coração de lar.&lt;br /&gt;o barulho surdo do choque do carro contra a água fez o garoto acordar em sua cama, com o sol levantando-se ao horizonte.&lt;br /&gt;na noite seguinte, no entanto, um jovem abriu seus olhos novamente para um mundo de sonhos, quando um grasnado familiar soou ao seu lado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-7456400410984597281?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/7456400410984597281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=7456400410984597281&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/7456400410984597281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/7456400410984597281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/01/sobre-o-heternimo.html' title='sobre o heterônimo'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3917982525547086550</id><published>2008-01-28T16:05:00.001-02:00</published><updated>2008-08-25T04:18:50.197-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gravidade'/><title type='text'>sobre a Queda</title><content type='html'>e durante aquele tempo havia sofrido e se alegrado; havia comparecido a homenagens póstumas em salões funerários e dançado em pomposos bailes; havia temido a incerteza daquilo que sabia e cantado poesias em prosa e verso; havia chorado por pessoas que nem ao menos conhecia e sorrido pela beleza de eventos alheios à sua pessoa; havia amado e amado.&lt;br /&gt;tudo isto durante; durante a Queda.&lt;br /&gt;de certo que um dia, sobre chão sólido, caminhara, engatinhara e se arrastara. no entanto, o tempo que separava o hoje daquela época era tamanho que pareciam não mais do que meros sonhos, lembranças de vidas passadas.&lt;br /&gt;a Queda era tudo que se lembrava. tornara-se tudo o que conhecia. tornara-se sua vida.&lt;br /&gt;a origem da Mesma já não lhe era importante. sabia apenas que caía. nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no instante seguinte, a primeira coisa que sentiu foi o forte gosto de ferro em sua boca, seguido de uma dor lascinante em todos os membros de seu corpo. sentia os efeitos da gravidade.&lt;br /&gt;sentia também o contato com o solo, pressionado contra a sua pele.&lt;br /&gt;percebia que a queda se fora.&lt;br /&gt;ainda desorientado, procurou habituar-se à sua nova condição. os membros, fracos pelo desuso, lutavam para se sustentarem.&lt;br /&gt;enfim, se ajoelhou e conseguiu se manter em pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com uma das pernas se dobrando para frente, deu seu primeiro passo, visando o horizonte com um sol nascente tão distante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3917982525547086550?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3917982525547086550/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3917982525547086550&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3917982525547086550'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3917982525547086550'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/01/sobre-queda.html' title='sobre a Queda'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5679820461682302848</id><published>2008-01-21T05:30:00.002-02:00</published><updated>2008-08-25T20:53:02.703-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='família'/><title type='text'>sobre pensamentos II - os malditos</title><content type='html'>às vezes, dá a louca na Natureza e ela acha por bem criar irmãos sem qualquer laço genético. felizmente, a Amizade se encarrega deles.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5679820461682302848?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5679820461682302848/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5679820461682302848&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5679820461682302848'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5679820461682302848'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/01/sobre-pensamentos-ii-os-malditos.html' title='sobre pensamentos II - os malditos'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-9128728188616904112</id><published>2008-01-14T03:19:00.001-02:00</published><updated>2008-08-25T20:41:08.745-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><title type='text'>sobre talita viana</title><content type='html'>atirou os documentos na parede e gritou:&lt;br /&gt;- eu não aguento mais isso!&lt;br /&gt;a gata, gorda desde que era filhote, tomou um susto e desceu do ármario, preparada para a bronca. felizmente, o problema não era ela.&lt;br /&gt;caio morava sozinho num pequeno apartamento. bem, sozinho mesmo, não. havia a gata.&lt;br /&gt;as folhas ainda voavam pela sala quando percebeu que não havia mais ninguém ali, com excessão do felino obeso que atendia pela alcunha de talita viana. ele sabia que esse não era um nome comum a animais de estimação, sua mãe e sua ex-namorada já haviam lhe alertado quanto a isso, mas o bicho realmente tinha cara de talita viana, parecia gostar do nome dado.&lt;br /&gt;- desculpem, caras. fica pra outro dia. tenho que voltar para casa. vocês sabem, talita não consegue se virar sozinha. - de fato, ela não conseguia. era apenas uma gata gorda. no entanto, os 'caras' não faziam idéia. era menos humilhante fingir que tinha alguém esperando em casa do que apenas dizer que não tinha saco para ficar no bar até altas horas, tomando cerveja e trocando conversa pequena. também era menos patético que esse alguém fosse uma mulher, e não um simples animal.&lt;br /&gt;nenhum dos colegas de trabalho jamais havia conhecido o apartamento de caio. ele sempre tomara o cuidado para não deixar nenhuma espécie de convite no ar.&lt;br /&gt;- pô, mais tarde passo na tua casa, quero te mostrar um disco fodido da rita lee que eu comprei. coisa rara. curtes rita lee?&lt;br /&gt;- curto, curto. infelizmente, hoje não é um dia bom pra mim... - e era isso. nada de "quem sabe outro dia" ou "fica pra próxima". caio não podia entregar que era um farsante.&lt;br /&gt;no trabalho, era conhecido como um cara de família. um exemplo da velha guarda. um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gentleman&lt;/span&gt;, por assim dizer. depois do trabalho, nada de esticar a conversa no boteco da esquina. tinha de voltar para casa, voltar para a sua talita. ironicamente, por se passar por uma espécie em extinção, caio era admirado. não tinha amigos próximos, ou até mesmo amigos distantes. mas tinha admiradores.&lt;br /&gt;de qualquer forma, a farsa não duraria para sempre. e ele sabia disso. começara a trabalhar na repartição há distantes dez anos e desde então conseguia manter a ilusão funcionando. com a passagem dos anos, no entanto, começara a perder o sono. tinha horríveis pesadelos com uma talita gigantescamente deformada, gorda, destroçando as pessoas no escritório. ninguém corria, apenas se entregavam à sua bocarra gritando: "eu sabia que era mentira! mentirosooooooooo!...".&lt;br /&gt;com o fim das noites de sono, tinha começado a delirar acordado. certa vez, seu chefe de calças cáqui e careca lustrosa entrou em seu escritório agarrado a um cipó, lhe oferecendo um cacho de virgens e um estoque para a vida toda de areia para gatos.&lt;br /&gt;foi num desses delírios que caio atirou as dinamites que tinha nas mãos para matar a salsicha sambista com chapéu côco que se arrastava pela parede de sua sala. vendo as contas sendo levadas pelo vento da janela aberta e da chuva que não demoraria a cair, teve consciência de que não conseguiria segurar. tinha atingido o limite.&lt;br /&gt;não aguentava mais a pressão de suas mentiras. não tolerava mais o peso da vida falsa que apresentava no trabalho. no dia seguinte, levaria talita viana ao trabalho, vestida como ele sempre a vestira, com um gorrinho de lã azul com dois cordões que serviam para amarrar abaixo do queixo e um suéter laranja, que combinava com as listras de suas patas, preparado para a humilhação total.&lt;br /&gt;- isso, amanhã é o dia, talita. amanhã você conhecerá a todos do escritório. seja boazinha com eles, sim? tenho certeza que eles lhe parecerão hostis à primeira vista, enquanto jogam o café quente e as rosquinhas em mim, mas não se preocupe comigo. eu mereço.&lt;br /&gt;talita o observava desde que começaram a morar juntos. tinha visto quando ele chegara em casa animado com o novo emprego e quando começou a perder o sono e a ter alucinações. nada disso lhe dizia muita coisa. ele lhe dava comida, lhe dava almofadas fofas e trocava a areia. acima de tudo, nunca lhe enchia muito o saco quando subia em cima do armário, seu lugar preferido.&lt;br /&gt;enfim, caio bastos era um ótimo animal de estimação.&lt;br /&gt;bocejou e balançou a cabeça afirmativamente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-9128728188616904112?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/9128728188616904112/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=9128728188616904112&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/9128728188616904112'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/9128728188616904112'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/01/sobre-talita-viana.html' title='sobre talita viana'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8895179332052136414</id><published>2008-01-07T02:20:00.002-02:00</published><updated>2008-08-25T20:42:24.778-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='infância'/><title type='text'>sobre desenhos animados</title><content type='html'>ele ainda assistia a desenhos animados.&lt;br /&gt;ainda chegava em casa, ligava a televisão e se deliciava com as aventuras de um gato e um rato; ainda pegava dinheiro com a mamãe; ainda fumava escondido; ainda chorava.&lt;br /&gt;como poderia que o mundo, a sociedade, a vida esperassem que ele se tornasse, automaticamente, um adulto? o que estipula que, em determinada idade, um ser humano já não é mais uma criança?&lt;br /&gt;seria a lei? neste caso, a lei dos homens, a lei de deus ou a lei da natureza?&lt;br /&gt;que mecanismo movido a engrenagens e molas que o obriga a se tornar um homem?&lt;br /&gt;ele passara a vida ouvindo que tinha que crescer e se tornar um homem. todos que conhecia tinham passado por tal processo. e a pergunta que lhe castigava a mente era: por quê?&lt;br /&gt;por que não se pode crescer e virar apenas uma criança mais velha? afinal, era isso que ele era. um crianção. um tolo, que não sabia mais ou menos da vida do que um jovem de 5 anos.&lt;br /&gt;lutava contra tais impulsos agarrando-se à infância como o bem mais precioso que possuía. podia ir morar sozinho. podia entrar na faculdade. podia, até, se apaixonar, casar e ter filhos. ainda seria uma criança.&lt;br /&gt;antes de dormir, sua mente era um turbilhão de idéias. teria feito tudo o que tinha de fazer no dia? de certo que deixara algo não feito, algo que teria que correr atrás na manhã seguinte. não conseguia se lembrar de quando fora a última vez que se deitara sem pensar isso e tal incapacidade lhe angustiava.&lt;br /&gt;suas responsabilidades eram inúmeras. comer, limpar, estudar, trabalhar, caminhar, exercitar, pagar, descansar. sua própria humanidade, sua infância, se mesclava com as diversas máquinas que atravessavam seu caminho. suas engrenagens agora habitavam o corpo dele, pulsando o sangue e o óleo quente, movimentando as molas de seu cérebro e os neurônios de seu computador.&lt;br /&gt;fumava, um cigarro após o outro, tragando cada miligrama da fumaça espeça que se acumulava em seus pulmões.&lt;br /&gt;dormia um sono inquieto, atravessando as barreiras de tudo que esquecera de fazer no dia.&lt;br /&gt;não era mais uma criança, tampouco era um homem.&lt;br /&gt;o que era? não poderia responder.&lt;br /&gt;ele ainda assistia a desenhos animados!...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8895179332052136414?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8895179332052136414/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8895179332052136414&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8895179332052136414'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8895179332052136414'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/01/sobre-desenhos-animados.html' title='sobre desenhos animados'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5905812625473022977</id><published>2008-01-02T05:05:00.001-02:00</published><updated>2008-08-25T20:46:33.919-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='charles bukowski'/><title type='text'>sobre os devaneios e bukowski</title><content type='html'>eu tinha 19 anos, certo?&lt;br /&gt;era a idade em que ninguém quer saber de nada, muito menos eu. sempre fui um daqueles rebeldes, que eu julgava ver em filmes de james dean. o que ia fazer? era assim e ponto.&lt;br /&gt;o cigarro na boca me dava a sensação de poder. a jaqueta me dava coragem. o ronco da moto me empurrava por abismos.&lt;br /&gt;piegas? talvez. só não me peça agora para olhar pra trás e sentir vergonha de tudo. muito tarde para isso. há muito cheguei em um ponto em minha vida que sentir vergonha não me adianta de muita coisa.&lt;br /&gt;pare pra pensar. quando foi que sentir vergonha lhe causou algum bem? você já ficou com aquela menina que você desejava por meses por perceber quão patético era não conversar com ela por medo? você já correu pelado na rua, com o cabelo meio raspado, o nome daquela faculdade na tua cara, aquela que você acabara de ser aprovado, ao se dar conta de que negar tal felicidade não lhe levaria a lugar nenhum?&lt;br /&gt;não.&lt;br /&gt;você não fez nada disso. eu tampouco o fiz. e isso me dá pena. sou agora aquele gordo suado que senta atrás de uma maldita mesa branca de compensado de madeira e sente pena de si mesmo pela vidinha que leva, atendendo a você - você mesmo - e tendo de aturar aquele seu sorriso de piedade que tenta disfarçar em vão.&lt;br /&gt;e agora vivemos, nesse ritmo de autopiedade e consumismo que fomos levados a manter.&lt;br /&gt;sei que tudo isso parece uma desculpa esfarrapada por tudo que não tive coragem de viver, de sentir, mas não se iluda, não tenho bolas para tanto. inventar desculpas nunca foi comigo.&lt;br /&gt;para inventar boas desculpas, desculpas que realmente colassem, eu teria que botar a culpa em um terceiro, real ou inventado, e minha existêcia sempre foi tão pequena, tão ínfima, que eu não ousaria criar qualquer tipo de problema a alguém que não o merecesse menos que eu.&lt;br /&gt;e esse é exatamente o problema. eu sempre mereci muito mais.&lt;br /&gt;sabe quando alguém chega fodido à sua porta, lágrimas nos olhos e te conta aquela história de vida que não lhe deixará dormir por semanas, só por se lembrar dela, e você, sem saber como lidar com tais problemas, com tais pessoas, sente aquela iluminação divina lhe chegando e solta aquelas (porras) daquelas palavras: "hey, podia ser pior."?&lt;br /&gt;então, eu sou aquela porra daquele pior. eu sou a raspa do tacho, aquele sentimento inumano que não atinge nem as drogas daqueles ratos que se vê na sarjeta do cemitério da consolação, por volta das duas da madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, você já entendeu. eu tinha 19 anos.&lt;br /&gt;eu era jovem e não sabia que porra fazer. não sabia como encarar aquela situação. só pensava nos pais dela dizendo: "você acabou com a vida da nossa princesa, seu burguesinho de merda".&lt;br /&gt;caralho, nunca fui burguesinho. nunca fui magnata. nunca fui pobre. nunca morei no morumbi ou embaixo da porra do elevado da artur.&lt;br /&gt;me casei. e esses são o melhor que pude imaginar como votos de casamento.&lt;br /&gt;sinceramente,&lt;br /&gt;não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinto, em algum íntimo do meu ser, que charles bukowski revira no túmulo neste momento.&lt;br /&gt;quer saber?&lt;br /&gt;ao inferno com ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nota do autor: &lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;levemente embriagado, nenhum pouco deprimido. sei lá que porra me levou a escrever tal texto numa só paulada. as únicas pausas dadas foram para corrigir os inúmeros erros cometidos, aqueles erros que só acontecem quando os dez dedos vão em tal velocidade que na verdade parecem 30. quem sabe amanhã, lendo tudo isso, eu não venha a apagar toda essa merda? até lá, me mantenho fiel ao narrador: caralho, "não sei".&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5905812625473022977?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5905812625473022977/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5905812625473022977&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5905812625473022977'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5905812625473022977'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2008/01/eu-tinha-19-anos-certo-era-idade-em-que.html' title='sobre os devaneios e bukowski'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8178746576775649006</id><published>2007-12-22T05:37:00.003-02:00</published><updated>2008-09-10T04:12:05.819-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos mestres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='charles bukowski'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre Henry Chinasky e as pessoas</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;"&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;- As pessoas não precisam de amor. Precisam é de sucesso, de uma forma ou de outra. Pode ser que seja no amor, mas não necessariamente.&lt;/span&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-Henry Chinaski, em "Factótum", de Charles Bukowski&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8178746576775649006?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8178746576775649006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8178746576775649006&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8178746576775649006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8178746576775649006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/12/sobre-henry-chinasky-e-o-sucesso.html' title='sobre Henry Chinasky e as pessoas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6920842834851288033</id><published>2007-12-15T02:17:00.003-02:00</published><updated>2008-08-25T20:48:11.001-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre dias chuvosos</title><content type='html'>e foi num absurdo,  numa topada, numa ilusão, num milésimo de segundo antes de conseguir dormir que João se lembrou de Thaís. haviam namorado por dois anos. ele tinha 18, ela era apenas alguns meses mais jovem.&lt;br /&gt;agora, no entanto, já habitava a casa dos 40 anos. sustentava aquela barriga típica dos quarentões que abandonaram qualquer tipo de esporte há mais de dez anos. não era gordo, mas tinha uma senhora barriga. pelo menos era o que lhe falava sua mulher.&lt;br /&gt;no dia seguinte, após um café-da-manhã calado, foi trabalhar. procurou se concentrar nos seus serviços, mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;flashs&lt;/span&gt; de sua vida com Thaís lhe cruzavam a mente, dançando pelo monitor e indo pousar sobre a impressora. era como se estivesse imprimindo seu passado, lentamente, preparando-o para entregá-lo a seu editor. era como se uma obra do acaso pudesse estampá-lo na primeira página do jornal para o qual trabalhava. não é preciso dizer, foi um dia de trabalho muito improdutivo. pelo menos profissionalmente falando, pois há colegas que poderiam jurar ter visto João rindo sozinho defronte ao computador, de pé na sala do café, na fila do restaurante.&lt;br /&gt;deitado na cama ao lado de sua mulher, fingia estar dormindo, mas já se decidira. daria um jeito de arrumar o telefone de Thaís.&lt;br /&gt;através de Marcon, um amigo próximo afastado desde o início de seu casamento, conseguiu notícias de Thaís. não eram muitas, provavelmente solteira, trabalhando com publicidade, e um cartão. pegou o telefone. discou. uma suave voz feminina atendeu do outro lado da linha, mostrando que já era muito tarde para voltar atrás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;encontraram-se num bar que costumavam frequentar quando ainda eram um casal. ela certamente se apresentava mais velha, mas ainda tinha aquela beleza que João um dia jurara ser a maior do mundo, sussurando ao ouvido da namorada. o quê de menina desaparecera, dando lugar a uma aparente experiência de vida. divorciada, já acumulava sua própria bagagem.&lt;br /&gt;após atender à ligação, Thaís tinha demorado certo tempo para se lembrar do antigo parceiro. contudo, logo aceitou o reencontro.&lt;br /&gt;durante o namoro, haviam se amado muito. no começo, pelo menos. sua assim chamada "ignorância" aborrecia João, mas era contraposta ao seu gênio forte. tal gênio viria a provocar inúmeras discussões ao longo do relacionamento, principalmente quando confrontado pelo jeito leve e irresponsável deste, mas era exatamente o que João mais amava, mesmo sem saber. ironicamente, 18 anos depois do término do namoro, ele havia se casado com uma mulher muito dócil.&lt;br /&gt;a conversa se desenrolava com desenvoltura. eram dois estranhos com uma forte intimidade que só se adquire com o tempo. não falavam sobre as antigas desavenças, pois os anos haviam se encarregado delas. na verdade, discutiam como era possível que tivessem se afastado tanto. ele mesmo lutava para compreender o que acontecera. teria a vida se encarregado de afastá-los? ou foram ambos que, após a útima grande separação, haviam construído muros tão altos entre si que a distância se tornara intransponível?&lt;br /&gt;as horas passavam e João se entorpecia com a presença dela e com mais um copo de cerveja. se lembrava dos dias que passavam em sua cama, abraçados, confessando sentimentos que nunca mais seriam compartilhados com ninguém, dos filmes vistos no sofá de seu antigo apartamento no jardins, com os pés e as pernas entrelaçados para se manterem protegidos contra o frio de mais um dia chuvoso de são paulo.&lt;br /&gt;e foi num absurdo, numa topada, numa ilusão que então entendeu. havia sido ele o responsável pelo distanciamento entre os dois. ele havia construído o tal muro intransponível. ele ainda a amava.&lt;br /&gt;ele ainda a amava quando terminara o namoro. passava por uma turbulência em sua vida como nunca havia passado antes e a simples idéia de tê-la ao seu lado já lhe sustentava. no entanto, fôra obrigado a terminar o relacionamento de pouco mais de dois anos. em seguida, tentara seguir adiante, empurrando com a barriga, mas ambos frequentavam o mesmo círculo de amizades e seguir com a vida parecia difícil demais. assim, começou a levantar uma barreira, tijolo a tijolo, dia após dia, até que, mesmo quando sentados na mesma mesa de bar, sua presença não passava de uma voz tão abafada por concreto e cimento que ele mal podia distinguir.&lt;br /&gt;por muito tempo, considerou-se vitorioso. havia vencido uma força ímpar em sua vida. agora, cerca de 20 anos após o rompimento, decidiu levantar bandeira branca para si mesmo, permitindo-se ser feliz, admitindo a derrota. nunca havia sido capaz de deixar de amá-la.&lt;br /&gt;sentou-se mais próximo a ela, sentindo um perfume que não era o mesmo que sentia quando eram jovens, mas não menos agradável. tirou o cabelo de sua face como costumava fazer. percebeu os pêlos de seu braço se eriçando. enfim, decidiu mentir ao responder a pergunta que ela lhe fizera sobre ser casado.&lt;br /&gt;procurou pelo garçom e pediu a conta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sua mulher reclamou quando João se debruçou por cima dela, acordando-a. cheirando a cerveja, ele obstruiu seus protestos com um beijo suave. finalmente se dando conta de que poderia passar o resto de sua vida com aquela mulher, João a amou como nunca.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6920842834851288033?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6920842834851288033/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6920842834851288033&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6920842834851288033'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6920842834851288033'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/12/sobre-dias-chuvosos.html' title='sobre dias chuvosos'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-7747063355244872255</id><published>2007-11-21T17:11:00.001-02:00</published><updated>2008-08-25T20:49:35.936-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><title type='text'>sobre cigarros, solidão, tiros, propostas e inocentes</title><content type='html'>dois amigos em algum bar da vida, por aí, deus sabe onde. conversam sobre suas marcas de cigarro prediletas. queria eu conhecer metade delas. atrás do balcão, um homem com um avental que um dia, não tenho certeza, já fora branco e com os cabelos ficando ralos, puxados para trás, bem apertados num elástico que forma um rabo-de-cavalo daqueles que só se vê nos piores botecos (ou nos melhores salões de beleza). a oleosidade flutua pelo ar como uma entidade, não se sabe se vinda da gordura usada para fritar as batatas ou se do próprio rabo-de-cavalo do homem de avental. um jogo de futebol qualquer passa na pequena televisão posicionada acima da geladeira. na mesa localizada entre os dois amigos, uma garrafa da mais fina cerveja servida no local e dois copos, cheios pela metade.&lt;br /&gt;no entanto, menti quando disse que era um bar. na verdade, era um belíssimo restaurante localizado no bairro mais afortunado da cidade. menti também quando disse que eram dois os que conversavam. era um só e se mantia calado, quieto, mergulhado na própria instrospecção. logo, seria estranho se houvesse dois copos à sua frente. esse único copo não estava cheio de cerveja, e sim de vinho, o mais barato servido no estabelecimento. a oleosidade, no entanto, era a mesma, que podia vir tanto da cozinha quanto do rabo-de-cavalo do garçom, um homem ainda moço, com longos cabelos negros unidos suavemente num elástico que lhe dava um quê francês se unido ao bigode fino sobre seus lábios e vestindo um avental de brancura tão intensa que podia ser comparada apenas à de seus dentes. no telão, localizado à esquerda do homem calado, passavam as notícias do dia.&lt;br /&gt;de súbito, tiros. o homem agora era três, que conversavam animadamente até ter a discussão interrompida pelos disparos, felizmente saídos do cano de um .38 que se encontrava do outro lado de uma bela tela de plasma do aparelho televisor do local. recompostos do susto, chamaram a franzina garçonete alemã da cantina italiana em que se encontravam e pediram, de sobremesa, uma torta holandesa. aproveitaram também para pedir que a moça, com seus curtos cabelos tão claros que pareciam com o branco do avental que usava, enchesse novamente suas xícaras com café.&lt;br /&gt;ao ouvir o pedido, a jovem não podia entender o que estava acontecendo. se conheciam há tão pouco tempo e ele já lhe propunha em casamento? só podia ser algum louco. afinal, em apenas três meses não dá pra saber com exatidão se a pessoa é normal ou não. isso, era um lunático. mas era um lunático rico, lindo, com olhos verdes e por quem ela estava perdidamente apaixonada. diabos, pensava que aquele jantar à beira do cais era apenas alguma armação dele para conseguir dela o que vinha pedindo desde que haviam começado a dividir a cama. e ela cederia, facilmente. debaixo do vestido comportado, podia sentir a lingerie branquíssima rendada que comprara para a ocasião. tentou ganhar tempo, recuperar o fôlego. ajeitou os cabelos ruivos ondulados que se prendiam em um sensual rabo-de-cavalo. próxima à mesa do casal, a banda continuava seu concerto em cima do palco. ao final da música, palmas calorosas. no entanto, o pretendente continuava a esperar sua resposta.&lt;br /&gt;suando, podia sentir suas unhas se enfincando nas palmas das próprias mãos. sempre fazia isso quando estava nervoso. a resposta daquela mulher era o momento crucial de sua vida. olhava ansioso para o relógio, mas mesmo que o ponteiro dos segundos avançasse apenas uma casa, para ele era como se um dia inteiro houvesse passado. pensamentos de culpa e de vergonha inundavam sua mente. talvez tivesse cometido algum erro. talvez não devesse ter feito aquilo, no final das contas! agora era tarde, ela havia se levantado de sua cadeira com uma cara de profunda certeza. "inocente", foi o que disse a jurada número um, e seu rabo-de-cavalo de cabelos tão negros quanto a morte balançou lentamente. um sorriso se estampou na face do acusado, mesmo que continuasse suando. o tribunal entrou num caos de enormes proporções. a grande maioria das pessoas que assistiam ao julgamento, indignadas, protestavam. a mãe das duas meninas que haviam sido vítimas daquele monstro chorava compulsivamente. as câmeras de tv, que haviam acompanhado o julgamento desde o início, procuravam registrar todas as emoções presentes. enquanto o inocentado saía do tribunal por um corredor que os policiais haviam conseguido abrir entre a multidão enfurecida, a oleosidade podia ser sentida fortemente no ar. talvez vinda do próprio homem suado que caminhava solitário pensando na felicidade que tivera. um sujeito grisalho, gordo, vermelho de raiva conseguiu forçar passagem até os policiais. era o marido da mãe que chorava e pai das meninas que haviam deixado a vida.&lt;br /&gt;tiros. desta vez, de verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-7747063355244872255?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/7747063355244872255/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=7747063355244872255&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/7747063355244872255'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/7747063355244872255'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/11/sobre-realidade.html' title='sobre cigarros, solidão, tiros, propostas e inocentes'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-2028506146063243050</id><published>2007-10-09T02:41:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T20:50:11.431-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><title type='text'>sobre páginas em branco</title><content type='html'>sentado à frente de uma tela em branco, não sabia sobre quais letras repousaria seus dedos.&lt;br /&gt;tivera sempre uma habilidade nata para transcrever a arte da vida em palavras. e tinha um bloqueio.&lt;br /&gt;não era bom em conversas. se enrolava em discursos. corava ao trocar mais que duas sentenças com um desconhecido.&lt;br /&gt;mas escrevendo, ah, escrevendo tinha o mundo em suas mãos. o destino de inúmeros personagens se desenlaçava em sua mente como que por um passe de mágica. sua vida, sua e a de todos aqueles que estavam ao seu redor tomavam forma sob nomes e aparências distintas àquelas da vida real. só assim sentia ter o controle.&lt;br /&gt;só assim, e tinha um bloqueio. a branquidão imensurável da tela a sua frente era uma afronte, um cuspe bem dado em sua face. o monitor zombava dele. não só dele, mas também de toda a sua vida.&lt;br /&gt;a agonia transpirava por seus dedos, posicionados em riste contra o teclado. se este fosse um conto de época, estariam entrelaçados com força contra algum lápis nº2 que fosse. este não é o caso. é um conto moderno sobre um escritor, seu computador e uma vida em branco.&lt;br /&gt;quando havia sido a última vez que lhe acontecera algo desse tipo? não mais que um par de anos atrás. mesmo assim, aquela não tinha representado tamanho fracasso.&lt;br /&gt;pois o bloqueio vinha na hora de sua autobiografia. uma obra aguardada pelos leitores fiéis e ansiada pela crítica. aos 78 anos, era de se esperar que deixasse alguma espécie de legado assinado de sua própria vida.&lt;br /&gt;tudo que via, no entanto, era uma tela em branco. páginas em branco que viriam a representar uma vida vazia. uma vida de livros, e não de ações.&lt;br /&gt;dias, semanas e meses se passavam em branco. sim, sua epopéia contra a máquina e a obra havia começado há muito tempo atrás. a angústia não era de agora. julgava que começara no momento de seu nascimento, mas a memória lhe traía. não era mais um escritor, um autor. era um reles mortal com uma vida gasta em vão.&lt;br /&gt;em vão, não.&lt;br /&gt;finalmente, percebia a beleza de tudo isso.&lt;br /&gt;a beleza de ter uma tela em branco a sua frente, uma tela que poderia refletir quaisquer desejos que desejasse refletir. teria a vida que quisesse, e seria a partir deste momento.&lt;br /&gt;a tela, afinal, podia estar em negro, impossibilitando seu trabalho e inviabilizando que gerações futuras viessem a conhecer a vida que levara em sua mente.&lt;br /&gt;foi com isso em conta que tomou um gole de whisky do copo que se encontrava ao lado do teclado e repousou, pela última vez, o dedo médio sobre a tecla da letra w.&lt;br /&gt;no dia seguinte, a diarista gritou ao achar o corpo do patrão sem vida em frente a um monitor com uma única letra escrita nele, além de sua assinatura padrão, mais abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"w&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;C.S."&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-2028506146063243050?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/2028506146063243050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=2028506146063243050&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2028506146063243050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/2028506146063243050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/10/sobre-pginas-em-branco.html' title='sobre páginas em branco'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-1009967342391325455</id><published>2007-10-01T17:51:00.000-03:00</published><updated>2007-10-13T19:14:31.720-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mentira'/><title type='text'>sobre a arte de mentir</title><content type='html'>em meu nascimento, fui agraciado com um dom. uma habilidade que ultrapassa a de um ser humano normal. se algum dia houvesse uma competição mundial, eu seria proibido de participar para dar chance aos outros concorrentes. enfim, eu minto. falando assim, parece simples, mas a verdade é que não se pode medir o tamanho da minha maestria para a decepção - engraçado usar a palavra "verdade" em um texto sobre a mentira.&lt;br /&gt;desde pequeno, escapei das mais variadas situações, broncas, sinucas, buracos e problemas usando deste meu presente divino. simplesmente olhava bem fundo nos olhos daquele que me inquiria pelo que realmente havia acontecido, abria a boca e a magia acontecia. sinceramente, digo aqui que não sei exatamente como acontece. meus lábios se distanciam e o som sai, formando uma história tão falsa e coerente que não há como meu pobre cérebro ter inventado algo parecido. isso - meu dom é ainda maior que minha própria inteligência, que, sejamos honestos, é bem limitada.&lt;br /&gt;sempre tive orgulho desta habilidade. quando amigos estão em apuros, eu mais que prontamente me ofereço para resgatá-los e as palavras se formam com velocidade e ferocidade, inventando uma realidade totalmente distorcida. eu literalmente mergulho neste mundo mentiroso que habita as mais sombrias profundesas da minha alma. não gaguejo, não olho para os lados, não fico mentalmente inventando histórias. é como se elas já existissem, já fossem verdades existentes em alguma outra dimensão além desta.&lt;br /&gt;mesmo com toda essa alegria, toda essa calmaria que tal habilidade me proporciona, outro dia o tiro me saiu pela culatra. a vida tem dessas coisas, vejam só. minto, minto e dificilmente sou descoberto. no entando, sempre fica no ar aquela inquietação, aquele mal-estar que só uma mentira bem contada proporciona. claro, quando a mentira é descarada, logo é desmascarada e todos podem rir ou punir o autor. agora, quando não se pode provar a farsa, todos sabem no seu inconsciente que estão sendo enganadas, que há algo de podre no reino da dinamarca - como já dizia o bardo -, mas não há provas. por isso, por mais que ninguém até hoje tenha conseguido provar com exatidão que eu estava mentindo, todos sempre me olham com desconfiança. e foi isso que me pegou pelo cangote.&lt;br /&gt;estava eu, numa dessas voltas que só a vida dá, em uma situação na qual eu precisava desesperadamente falar de forma sincera. e era assim que eu me comportava. quisera eu ter a frieza de controlar meu dom e poder mentir como nunca. infelizmente, cada vez que eu falava alguma coisa era a mais pura realidade que atingia os ouvidos do meu interlocutor. isso me exasperava, me afogava num mar de sinceridades. por ironia, não se acreditava em uma palavra que eu dizia. eu lutava por uma brecha de ar, uma chance de provar que estava bem-intencionado, mas todas as minhas tentativas eram vãs. acabei admitindo a derrota, mesmo me sacrificando até o último minuto.&lt;br /&gt;é. sempre tive o dom da palavra. sempre tive a maestria para a mentira. mas o universo observava e decidiu me punir. e não é que me puniu bem quando falava a verdade?&lt;br /&gt;enfim, o universo é mesmo um gozador. fazer o quê. aprende-se que, às vezes, é muito mais fácil de se acreditar em uma mentira do que na mais pura verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em um texto sobre a mentira, como saber se alguma coisa do que eu disse é verdade? afinal, abri o texto dizendo que domino todos os aspectos que envolvem uma boa fraude. irônico. bem, minto.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;minto?&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-1009967342391325455?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/1009967342391325455/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=1009967342391325455&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/1009967342391325455'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/1009967342391325455'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/10/sobre-arte-de-mentir.html' title='sobre a arte de mentir'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-8886371679361420477</id><published>2007-09-20T23:09:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T20:51:17.386-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='snow patrol'/><title type='text'>sobre a distância I</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:Verdana;font-size:180%;"  &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-size:130%;" &gt;&lt;br /&gt;Snow Patrol - Set The Fire To The Third Bar&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic; font-weight: bold;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt;(feat. Martha Wainwright)&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I find the map and draw a straight line&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; Over rivers, farms, and state lines&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; The distance from 'A' to where you'd be&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; It's only finger-lengths that I see&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I touch the place where I'd find your face&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; My finger in creases of distant dark places&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I hang my coat up in the first bar&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; There is no peace that I've found so far&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; The laughter penetrates my silence&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; As drunken men find flaws in science&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; Their words mostly noises&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; Ghosts with just voices&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; Your words in my memory&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; Are like music to me&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I'm miles from where you are,&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I lay down on the cold ground&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I, I pray that something picks me up&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; And sets me down in your warm arms&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; After I have travelled so far&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; We'd set the fire to the third bar&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; We'd share each other like an island&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; Until exhausted, close our eyelids&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; And dreaming, pick up from&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; The last place we left off&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; Your soft skin is weeping&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; A joy you can't keep in&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I'm miles from where you are,&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I lay down on the cold ground&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; And I, I pray that something picks me up&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; and sets me down in your warm arms&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt; &lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I'm miles from where you are,&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; I lay down on the cold ground&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; and I, I pray that something picks me up&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:arial;font-size:85%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;font-family:georgia;font-size:85%;"  &gt; and sets me down in your warm arms&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-8886371679361420477?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/8886371679361420477/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=8886371679361420477&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8886371679361420477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/8886371679361420477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/09/sobre-distncia-i.html' title='sobre a distância I'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3178113352832740141</id><published>2007-09-17T22:53:00.002-03:00</published><updated>2008-06-10T17:54:14.114-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='pensamentos'/><title type='text'>sobre pensamentos I - a trilha</title><content type='html'>e, como nada é pra sempre, seguimos no ritmo alucinante de quem tem um pneu furado.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3178113352832740141?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3178113352832740141/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3178113352832740141&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3178113352832740141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3178113352832740141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/09/sobre-pensamentos-pt1.html' title='sobre pensamentos I - a trilha'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3443314735941757757</id><published>2007-09-13T22:27:00.003-03:00</published><updated>2010-04-06T11:56:58.025-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saudade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amigos'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='viagem'/><title type='text'>sobre feriados</title><content type='html'>a vida segue normalmente. todo dia a neura de seguir a rotina nos abate implacavelmente.&lt;br /&gt;acordar, estudar, andar, jogar, sonhar, ganhar, exercitar, trabalhar, lutar, respirar, digitar, correr, viver, perder, acender, morder, ser, sentir, dirigir, fingir, atingir, parir, fugir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fugir. fugir finalmente para longe, para todo o sempre, nem que por apenas um minuto. é importante que no meio do caos da rotina consiga-se fugir. ou isso, ou ficamos loucos. fugir num feriado, reunindo os amigos para aquela escapada que nos garantirá a sanidade ao mesmo tempo em que a anula. fugir para longe, para o meio do mato se possível. se não for possível, para um sítio distante de todo esse ambiente urbano que nos afaga e nos sufoca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;em carros, guiando pela estrada, se pode sentir o momento exato em que já não se é tanto um só, mas se é todos. em que todos querem apenas abstrair a vida, vivendo aquele momento insandecidamente embebido em álcool, de preferência.&lt;br /&gt;lá chegando, é importante constatar a total ausência de água pela casa, até mesmo na piscina. também se deve sair para comprar gelo, afinal a geladeira com a qual todos contavam, inexiste. por fim, coloca-se a cerveja num imenso balde para gelar, quem sabe assim a noite começa.&lt;br /&gt;e começa. logo as brincadeiras têm início e o nível de sangue na corrente alcoólica de todos baixa drasticamente.&lt;br /&gt;sete e múltiplos de sete. catorze! lá se vai a primeira dose de vodka. 56 é múltiplo de 7? é! então bebe.&lt;br /&gt;as perguntas correm soltas, não se pode respondê-las. a cada pergunta emenda-se uma nova, é isso? isso mesmo...xiii. bebe!&lt;br /&gt;há sempre aquele que resolve pegar no pé de alguém, principalmente se isso puder causar o maior mal-estar possível. felizmente, a benvinda ebriedade já chegou há tempos e se juntou ao grupo. ninguém liga.&lt;br /&gt;todos gritam e falam simultaneamente. todos se escutam e ninguém se ouve, ao mesmo tempo que a música vinda do porta-malas de um dos veículos atinge seu máximo volume.&lt;br /&gt;finalmente, alguem obtém o privilegio de ter a prioridade sobre o último gole de vodka.&lt;br /&gt;sirenes na porta e a convidada temida mas indispensável se mostra presente. pelo menos, sua presença é passageira e a polícia vai embora depois de pegar todos os dados de uma das poucas que conseguiu a proeza de se manter razoavelmente sóbria. isso no portão, pois lá nos fundos o grupo de bêbados tenta um improvisado jogo de queimada, com latinhas amassadas demarcando territórios.&lt;br /&gt;sob a ameaça de uma agradável noite na prisão, todos entram à casa e começam um jogo de regras complexamente simples, no qual quem fizer o primeiro par de três cartas vence.&lt;br /&gt;o sono finalmente começa a ganhar força e deposita seu peso sobre as pálpebras de alguns. os que resistem, decidem ir à cidade, para o maior rodeio minúsculo de uma pequena metrópole rural.&lt;br /&gt;no dia seguinte, o tom é o mesmo, acrescido do calor trazido pelo sol tão brilhante. mais cerveja e gelo, por favor. a piscina vazia ri da cara de todos e a piscina do vizinho, tão limpa e reluzente, olha só, sorri. o carrasco solar aflige, e não se vê outra saída a não ser procurar refúgio sob as águas contidas passando o muro da casa ao lado.&lt;br /&gt;o líquido transparente voa para o espaço a medida em que os corpos furtivamente mergulham, procurando fazer o maior barulho possível no meio do silêncio obrigatório de quem está fazendo algo ilícito.&lt;br /&gt;como saco vazio não pára em pé e nem alça vôo sobre as savanas, todos se fartam com o maldito pão seco abençoado pelas fatias sagradas da mortadela. jesus cristo, aquele que se sacrificou pelos nossos pecados, está lá e, com sua estatura modesta, grita a plenos pulmões que a esbórnia não é mais loucura, é esparta.&lt;br /&gt;vencido o calor, uma nova brincadeira é iniciada. resolvem brincar de carrinho. mas deus me perdoe se forem carrinhos daqueles da infância. agora são todos automotores puxados por cavalos nem sempre muito potentes. um dos jovens que, coitado, ainda nem mesmo conhece as belezas bíblicas carnais, perde sua virgindade (apenas aquela atrás do volante) e mostra mais habilidade até mesmo do que aqueles que já suaram para comprar suas habilitações.&lt;br /&gt;finalmente, não se tolera mais a fome e uma última incursão à cidade é indispensável. vestidos a caráter, invadem as ruas causando espanto na irriquieta população local. uma pizzaria é agraciada com a sua presença. na telinha da tv, a seleção brasileira de futebol dá show em cima dos estadunidenses. três pizzas e duas cocas depois, a santa ceia se encerra e é necessário começar a articular a partida.&lt;br /&gt;a casa lavada com o pouco d'água contido no tanque, o sono espantado após uma bela soneca e todos estão em seus assentos novamente. o destino é são paulo. o destino é suas próprias vidas, marcadas com o que vier pela frente.&lt;br /&gt;infelizmente, nada é certo e este grupo irá se separar. um deles irá partir para o outro lado do globo em breve e esta foi uma mais que merecida despedida. separados, mas unidos para sempre, pois, mesmo que a memória falhe com os amores e o coração se esqueça das lembranças, ainda terão, gravados para sempre, os filmes desta incrível família que se formou em tão pouco tempo.&lt;br /&gt;e eu, tão humildemente que vos falo, tenho orgulho e me sinto honrado de poder dizer que faço parte dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acredito que existem dois tipos de pessoa neste mundo: as que existem e as que vivem. as que existem se prendem às suas vidinhas tranqüilas, recatadas e retilínias. sua maior preocupação é se a salada será de tomate ou se seria ousadia demais colocar também algumas folhas de alface. as que vivem têm formas indefinidas que inundam suas vidas. em suas biografias, contradições, antíteses e paradoxos jorrariam das páginas e agarrariam o leitor pelo colarinho, agitando-o de tal maneira que ele mal veria a hora para ter o mesmo. enormes trechos de páginas em branco, como que redigidas por um escritor ébrio e são, que teve tempo para expressar as pausas que infestam suas vidas. na capa, estampados em letras garrafais estariam os dizeres: amor e saudade. talvez esta fosse a única parte do livro que não entraria em conflito consigo mesma. isso porque a saudade é a forma mais leve e carregada do amor sadio. na contracapa, uma única ilustração. a de uma mochila de viagem totalmente carregada de experiências, boas e más, deixada para trás após uma vida completa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;enfim, o que seria da vida sem suas pausas e suas contradições? acima de tudo, o que seria da vida sem a saudade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;span style="font-style: italic;"&gt;este texto é dedicado a todos que estiveram no infame sítio em boituva. obrigado por campartilharem tantos momentos juntos. e, mayara, que sua viagem seja tudo o que você quer, e tudo aquilo que nós mais lhe desejamos.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3443314735941757757?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3443314735941757757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3443314735941757757&amp;isPopup=true' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3443314735941757757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3443314735941757757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/09/sobre-amigos-e-feriados.html' title='sobre feriados'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-406116192340725314</id><published>2007-09-08T01:47:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T20:54:29.833-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><title type='text'>sobre a felicidade</title><content type='html'>lucas era o príncipe e rei de seu próprio reino. seu reino era sua Vida. ele era juíz, júri, carrasco, povo, clero, nobreza e burguesia. era governante de si mesmo.&lt;br /&gt;lucas era um garoto honrado, nobre até, um grande amigo. sua vida caminhava segundo sua própria vontade. infelizmente, nem tudo é perfeito. apesar de possuir inúmeros amigos verdadeiros, estes não podiam deixar de vê-lo como alguém um tanto ignorante. nas rodas de conversas, ele nunca sabia as últimas novidades ou havia lidos as mais novas críticas culturais/políticas/econômicas. mesmo assim, sua ausência, quando ocorria, era fortemente sentida no grupo.&lt;br /&gt;não escolhia seus livros por ordem dos mais respeitados críticos literários, mas sim pelas suas palavras. não ouvia canções de bandas porque haviam vendido o maior número de discos, ouvia cada acorde como se fosse único. não admirava os filmes pela sua bilheteria, se encantava realmente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;frame&lt;/span&gt; a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;frame&lt;/span&gt;. até mesmo as árvores que optava para se abrigar sob as folhas não seguiam padrões, eram escolhidas puramente por sua beleza ou pela qualidade do ar que liberavam. as garotas com quem saía muitas vezes não agradavam esteticamente a todos de seu grupo, afinal, não era o sexo que procurava, mas a satisfação de encontrar alguém com quem pudesse se sentir feliz, verdadeiramente feliz, nem que apenas por um segundo.&lt;br /&gt;enfim, sua vida, seu reino, não eram compreendidos por aqueles a quem se pode chamar de seus amigos. de qualquer forma, ele era incapaz de perceber a estranheza que provocava entre seus conhecidos. talvez fosse exatamente por isso que lucas era o mais realizado de todos. talvez, isso nem mesmo ele sabia. nem mesmo eu, que tenho me mantido na humilde posição de locutor em terceira pessoa até agora e me vejo obrigado a tomar a posição da primeira pessoa, posso dizer se lucas era ciente de sua própria ignorância, sua felicidade.&lt;br /&gt;digo apenas que ainda tenho a honra de conhecer lucas, um jovem que caminha incompreendido pelas ruas, com a cabeça erguida, sustentada pela sabedoria do seu conhecimento de absolutamente nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-406116192340725314?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/406116192340725314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=406116192340725314&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/406116192340725314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/406116192340725314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/09/sobre-felicidade.html' title='sobre a felicidade'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3562686024905973633</id><published>2007-08-27T23:31:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T20:55:00.538-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='saudade'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre correspondências guardadas</title><content type='html'>São Paulo, 27 de agosto de 2007&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;X,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;faz tempos que não nos falamos, não nos falamos de verdade, e sei que essa carta não será o veículo que nos manterá mais perto, mas qual o remédio?&lt;br /&gt;nos vemos distantes há meses, separados por essa enorme massa que se chama mundo. se a culpa é minha, se a culpa é sua, se a culpa é daquilo a que chamamos destino, não posso afirmar com certeza.&lt;br /&gt;tenho certeza apenas que sinto falta. sinto falta daqueles que partiram, e você é um deles.&lt;br /&gt;sinto falta daqueles que partirão, e você também é um deles.&lt;br /&gt;sinto falta, sobretudo, sinto falta daqueles que estão aqui. tolice dizer quem.&lt;br /&gt;sim, pois não posso afirmar se você partiu, se irá partir, se não irá de qualquer forma. isso pois o intangível lhe é mais apropriado. quereria poder segurá-la, abraçá-la, equacioná-la tal qual o nome que sustenta, X. infelizmente, matemática e sentimentos me faltam.&lt;br /&gt;faltam de tal forma que não sei se tenho raiva, se tenho paixão, se tenho mágoa.&lt;br /&gt;a única coisa que sei é que estamos distantes, como nunca estivemos. distantes enquanto estamos perto, tão perto que sinto como se meus dedos pudessem tocá-la a qualquer momento, mas não está lá.&lt;br /&gt;seja como for, X, a distância ao mesmo tempo em que é algoz dos sentimentos que dirigem esta carta também é aquilo que os impulsionam.&lt;br /&gt;Saudade, pois, é como lhe chamarei, X.&lt;br /&gt;saiba que, se um dia resolver retornar, ainda estarei aqui. grisalho, talvez. mas aqui.&lt;br /&gt;caso decida que o melhor é continuar onde está, fique tranqüila. Saudade é quem me guia. você me guia.&lt;br /&gt;e é pra finalizar esta que pode ser a última comunicação existente entre nós que uso o seu nome para dar vazão a tudo o que quero dizer mas não sei como.&lt;br /&gt;sinto Saudade. sinta-se amada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sinceramente, como nunca antes,&lt;br /&gt;                                                                                      o Autor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3562686024905973633?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3562686024905973633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3562686024905973633&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3562686024905973633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3562686024905973633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/so-paulo-27-de-agosto-de-2007-x-faz.html' title='sobre correspondências guardadas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-5569291985375013619</id><published>2007-08-27T22:57:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T20:55:54.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><title type='text'>sobre acontecimentos</title><content type='html'>tive a idéia pra mais um conto. uma idéia boa, uma idéia madura, uma idéia criativa.&lt;br /&gt;infelizmente, foi durante o enem, o que me custou uns belos 15 minutos da prova e me fez esquecer completamente sobre o que se tratava a história.&lt;br /&gt;acontece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-5569291985375013619?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/5569291985375013619/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=5569291985375013619&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5569291985375013619'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/5569291985375013619'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/sobre-acontecimentos.html' title='sobre acontecimentos'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-4054080541672867386</id><published>2007-08-26T01:48:00.002-03:00</published><updated>2008-08-25T20:57:21.121-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vida'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='manifesto'/><title type='text'>sobre um manifesto acovardado</title><content type='html'>nada como um dia após o outro, um dia de cada vez.&lt;br /&gt;clichês, mas, nem por isso, menos verdades.&lt;br /&gt;o importante é ligar-se ao presente, viver agora o agora. tem-se a infeliz mania de se manter preso por correntes, não do passado, que já foi há tanto tempo que vive apenas por intermeio de memórias, mas do futuro.&lt;br /&gt;sim, vive-se acorrentado por lembranças de coisas que poderiam acontecer, que iriam acontecer, que ainda nem aconteceram.&lt;br /&gt;oras, mas a vida não é exata. o tempo é inconstante. o amanhã não chegará nunca. por que perder tempo com tais coisas? por que se preocupar com o destino se o que realmente importa é a viagem??&lt;br /&gt;digo que feliz é aquele que se lembra do hoje, que se preocupa em ser feliz neste instante. este sim conhecerá a felicidade eterna. a tristeza e a agonia vêm apenas de nossas preocupações, de nossos arrependimentos, de nossas mágoas. aquele que não der atenção a tais coisas merece aplausos.&lt;br /&gt;merece, como merece. aqui falo, como se fosse a coisa mais fácil do mundo simplesmente não se preocupar. não se enganem. este que vos fala não se ilude de tal forma. sei que ainda carrego mais bagagem que muitos e que anseio muito pela chegada, enfim, ao meu destino final.&lt;br /&gt;mas não é por isso que deixarei de aproveitar a paisagem que passa tão velozmente pela janela. aproveito cada segundo, cada detalhe, cada maravilha dos borrões em alta velocidade em minha vida.&lt;br /&gt;vai que, um dia, tomo coragem e jogo minha mala de lembranças para fora?&lt;br /&gt;não sei se um dia terei colhões suficientes para tal. agarro-me apenas à alegria que é realmente desejar subir ao teto deste veículo e, abrindo os braços ao vento contrário tão forte que me desestabiliza, gritar:&lt;br /&gt;- PÁRA ESSA MERDA QUE EU QUERO ANDAR!&lt;br /&gt;sim, um dia de cada vez, um dia após o outro, andando até o fim.&lt;br /&gt;por ora, na segurança das acomodações da minha poltrona, deixo o trem seguir, acovardado.&lt;br /&gt;mas aplaudo. ah, aplaudo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-4054080541672867386?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/4054080541672867386/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=4054080541672867386&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4054080541672867386'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/4054080541672867386'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/sobre-borres-e-velocidade.html' title='sobre um manifesto acovardado'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-6454705107888316036</id><published>2007-08-22T21:09:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T04:21:39.478-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='encontros'/><title type='text'>sobre decepções e culpas</title><content type='html'>no outro dia, cruzei com essa garota que eu costumava sair às vezes, no meio da Consolação.&lt;br /&gt;- olá.&lt;br /&gt;- alô. tudo certinho?&lt;br /&gt;- opa, tudo em cima. e você?&lt;br /&gt;- tranqüilo, tranqüilo...&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;- mas então, como andam as novidades? - disse eu, tentando quebrar aquele clima estranho.&lt;br /&gt;- ah, quase tudo na mesma. puxa, quanto tempo, né?&lt;br /&gt;- pois é. a gente diz que vai manter o contato, mas...&lt;br /&gt;- ah! você não adivinha quem tá namorando...&lt;br /&gt;- não adivinho. quem?&lt;br /&gt;- tenta adivinhar, vai.&lt;br /&gt;- poxa, mas eu não faço idéia!&lt;br /&gt;- uma dica: é alguém que você já gostou muito.&lt;br /&gt;- mamãe! não, eu ainda gosto muito de mamãe.&lt;br /&gt;- não, bobo! alguém com quem você já teve noites maravilhosas...&lt;br /&gt;- xiii, daí você complica minha vida.&lt;br /&gt;- ih, "don juan". até parece que você já teve muitos casos do tipo.&lt;br /&gt;- mas tive, viu. ah, as noites de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;WAR &lt;/span&gt;com o tio carlos. sabe, outro dia ele teve um problema de apendicite. coisa braba.&lt;br /&gt;- deixa de ser tonto! sou eu, tolinho. tô namorando! dois meses, já.&lt;br /&gt;- ahn... - ela já tinha me perdido. nessa hora, eu lutava pra lembrar o que havia acontecido com tio carlos e seu apêndice.&lt;br /&gt;- ele é ótimo, eu o conheci no ônibus, se é que dá pra imaginar uma coisa dessas. foi ótimo. engraçado como, quando se menos espera, pode se conhecer alguém ótimo. - ela tinha a mania de ficar repetindo "ótimo". isso me deixava louco desde o tempo em que éramos um casal.&lt;br /&gt;- puxa vida, não diga. - respostas automáticas! o que seria da vida sem as respostas automáticas? diabos, como andaria o tio carlos? precisava ligar pra ele, aliás...&lt;br /&gt;- digo sim! ai, como a vida pode ser ótima. acho que esse é pra casar. não é santo, mas também não é que nem você, né? lembra? você já tinha saído com metade da turma antes de me chamar pra um "cineminha". seu cineminha era famoso. compravam-se as balas no caixa do cinema e íamos acabar de comê-las na tua casa, na manhã seguinte.&lt;br /&gt;- é verdade, é verdade. - teria ele ficado internado no hospital? meu deus, como ficaram meus primos com a notícia da doença? primeira coisa a fazer quando chegar em casa: ligar pra tia édna e saber como andam as coisas. tadinha, ela também já não era mais nenhuma mocinha.&lt;br /&gt;- enfim, o nome dele é daniel, é arquiteto. tem alguns prédios na Paulista que são dele, sabia? ele tá trabalhando pra prefeitura, ultimamente...&lt;br /&gt;- desculpa, mas eu realmente tenho que ir andando...&lt;br /&gt;- ah, tá. desculpa eu, você deve ter mais coisas pra fazer, né? que você anda fazendo da vida? ainda servindo mesas naquele restaurante na Pompéia? - a decepção na voz dela era evidente. ou percebeu que eu não havia ouvido uma só palavra do que dissera ou então achava que ficar falando do namorado não surtira o efeito desejado. em ambos os casos, ela estava certa.&lt;br /&gt;- não, eu... olha, desculpa mesmo. tenho que ir. mas viu, vamos marcar alguma coisa, reunir a galera. daí você pode me contar as novidades com mais calma, tá?&lt;br /&gt;- tá certo, então. se cuida.&lt;br /&gt;- se cuida.&lt;br /&gt;ao chegar em casa, peguei o telefone e liguei para a família toda. todos estavam bem, com excessão do meu primo marcos, que havia sofrido leves lesões ao dar de cara com um poste de concreto no meio da rua. dizem que havia sido instalado ali para introduzir um efeito de humor em alguma história, sei lá. nada sério, no entanto. tio carlos estava melhor da apendicite havia semanas. me senti mais leve e prometi a mim mesmo nunca mais esquecer das pessoas que amo.&lt;br /&gt;só restava uma dúvida: o que diabos teria aquela garota falado no meio da rua? algo sobre um arquiteto paulista de ônibus, talvez...&lt;br /&gt;bah, deixa pra lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-6454705107888316036?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/6454705107888316036/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=6454705107888316036&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6454705107888316036'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/6454705107888316036'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/sobre-decepes-e-culpas.html' title='sobre decepções e culpas'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-1694057348957565660</id><published>2007-08-16T23:42:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T20:57:59.681-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='música'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='orquestra imperial'/><title type='text'>sobre o perdoar I</title><content type='html'>&lt;pre style="font-family: verdana; font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b style="font-size: 15px;"&gt;Orquestra Imperial - Não Foi Em Vão&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;Thalma de Freitas&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora posso ir e não olhar pra trás&lt;br /&gt;Passado tudo aquilo que se desfaz&lt;br /&gt;Foi bom viver mais uma vez&lt;br /&gt;saber te perdoar&lt;br /&gt;e dar por fim da mágoa desse mal amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje quero crer que não foi mesmo em vão&lt;br /&gt;escolho solitude à solidão&lt;br /&gt;foi bom te ter mais uma vez&lt;br /&gt;poder te abandonar&lt;br /&gt;e dar por fim a mágoa desse mal amar&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quem feriu meu coração fui eu mais ninguém&lt;br /&gt;quem feriu meu coração foi você também&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/pre&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-1694057348957565660?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/1694057348957565660/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=1694057348957565660&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/1694057348957565660'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/1694057348957565660'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/orquestra-imperial-no-foi-em-vo-thalma.html' title='sobre o perdoar I'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-3231812337082480973</id><published>2007-08-16T23:35:00.003-03:00</published><updated>2008-09-10T04:12:13.832-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='outros seres'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='jack kerouac'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dos mestres'/><title type='text'>sobre Ray Smith, a essência e a mente da casca de banana</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;"Tudo é possível. Eu sou Deus, eu sou o Buda, eu sou o imperfeito Ray Smith, tudo ao mesmo tempo, sou o espaço vazio, sou todas as coisas. Tenho todo o tempo do mundo e vida para fazer o que deve ser feito, para fazer o que está feito, para fazer o feito atemporal, infinitamente perfeito em si mesmo, por que chorar, por que se preocupar, perfeito como a essência e a mente da casca de banana."&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;                                                                                 -Ray Smith, em "Vagabudos Iluminados", de Jack Kerouac&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-3231812337082480973?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/3231812337082480973/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=3231812337082480973&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3231812337082480973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/3231812337082480973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/sobre.html' title='sobre Ray Smith, a essência e a mente da casca de banana'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-18797888313526396</id><published>2007-08-14T22:15:00.001-03:00</published><updated>2008-08-25T20:59:45.446-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='amor'/><title type='text'>sobre histórias e amores</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;e há coisas que realmente passam. passam, e não voltam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;marcos, vamos chamá-lo de marcos, outro dia percebeu isso súbita e drasticamente. andava pela rua distraído a pensar e a conclusão lhe atingiu com tal força na face que lhe quebrou um dente e lhe deixou um calombo do tamanho de um punho na testa. infelizmente, não posso afirmar categoricamente se as contusões foram resultado do impacto da percepção ou do impacto de um enorme poste de concreto que fora posicionado estrategicamente naquela parte da rua apenas para acrescentar um pouco de humor a esta história. de uma maneira ou de outra, o que nos importa é que, recobrado os sentidos, marcos só conseguia pensar naquilo.&lt;br /&gt;ao chegar em casa e se livrar agilmente dos braços preocupados da mãe - "que raios você andou fazendo lá fora?" - marcos se dirigiu diretamente a seu quarto, onde se trancou para poder pensar com maior segurança sobre o assunto.&lt;br /&gt;não, definitivamente não atravessava uma onda de sorte com as mulheres. apesar de jovem, já havia amado imensamente duas delas. o relacionamento com a primeira tinha terminado mal. assim marcos pensava. mas falaremos dela mais tarde. o que nos interessa por ora é a segunda.&lt;br /&gt;eu falava que marcos não atravessava uma onda de sorte com as mulheres. menti. quero dizer, não menti, equivoquei-me. marcos atravessava uma onda de azar era com o amor. mulheres nunca lhe foram problema.&lt;br /&gt;enfim, havia essa segunda garota. seu relacionamento com ela havia terminado... bem, tal relacionamento nunca havia nem ao menos começado. entendem? eles estiveram juntos, claro, mas sempre fora "eu E você", nunca "nós".&lt;br /&gt;marcos havia passado meses tentando entender o que dera errado. isso, talvez nem mesmo eu possa lhes dizer. sabe-se apenas que ambos seguiram suas vidas, separados. ele certamente seguia a dele, mas seu pensamento, de vez em quando, se perdia por estes trajetos e ele apenas permitia que fosse. não havia depressão, nem mesmo tristeza ou raiva. havia apenas decepção.&lt;br /&gt;o futuro lhe aguardava, ele sabia disso. contudo, olhar pra trás era inevitável. e pensava nas coisas que lhe acontecera, nos caminhos que havia percorrido para chegar até ali. e se lembrava dela. não, não da segunda; da primeira.&lt;br /&gt;e foi numa dessas lembranças que encontrou a conclusão que lhe fez trombar estrondosamente com um enorme poste de concreto que fora &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;posicionado estrategicamente naquela parte da rua apenas para acrescentar um pouco de humor a esta história, mordendo a língua e perdendo uma lasca do dente da frente, o que lhe causaria um chiado na fala que só seria resolvido anos mais tarde, quando finalmente pôde pagar um dentista decente com seu salário medíocre.&lt;br /&gt;eu havia dito, havia dito e repito, que ele pensava que seu primeiro relacionamento verdadeiramente amoroso tinha conhecido um fim amargo. bem, já não pensava mais nisso. na verdade, olhava agora com carinho por cima do ombro para recordações tão antigas. percebia que podia ver o exato momento em que havia descoberto o que é realmente se preocupar com alguém de forma completamente altruísta. preocupar-se por se preocupar, sem esperar algo em troca. e como era bom tal sentimento. e como ele gostava de gostar tanto de alguém.&lt;br /&gt;marcos se levantou de sua cama com um salto e esqueceu da decepção, e também de seus medos, e também de suas preocupações, e também de seus problemas.&lt;br /&gt;decidido e impulsionado pela força que o amor que outrora sentira e que tudo que mais queria agora era sentir novamente, marcos abriu a porta e foi viver. viver uma vida nova, uma vida dos destinos que virão, sem lugar para o passado.&lt;br /&gt;isso, pois percebia que há coisas que realmente passam. passam, e não voltam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas, e se voltassem? ah, se voltassem, meus caros, eu não estaria aqui para lhes contar esta história. estaria aqui para lhes contar uma história sobre marcos, o garoto que encontrou a felicidade cedo demais e não soube o que fazer com ela. de uma maneira ou de outra, esta seria exatamente a mesma história, não é mesmo?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-18797888313526396?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/18797888313526396/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=18797888313526396&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/18797888313526396'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/18797888313526396'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/e-h-coisas-que-realmente-passam.html' title='sobre histórias e amores'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-757837120134091210</id><published>2007-08-14T21:40:00.000-03:00</published><updated>2007-10-18T23:34:39.268-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='vazio'/><title type='text'>vazio (sobre o vazio)</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;há correntes do budismo que nos dizem que o mundo não existe e que somos todos feitos da mesma matéria e que esta matéria é, na verdade, o vazio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;à primeira vista, isso pode parecer absurdo, obviamente. no entanto, pensando bem - não por horas ou dias, mas por semanas, meses - há de se admitir que existe uma certa lógica por trás disso. não cabe a mim discutir tal lógica. não ousaria roubar o momento precioso no qual a descoberta do vazio se realiza na vida de cada pessoa. contudo, essa conclusão é quase que imediatamente sucedida por um conforto único.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tudo o que existe; nossos sentidos, nossos sentimentos, nossas posses, concretas ou abstratas; existe apenas porque nossas mentes percebem, realizam. de outra forma, voltaria tudo para sua forma original, o vazio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;a liberdade que tal percepção pode trazer é ilimitada. as preocupações só existem se se preocuparem com elas. os problemas só atrapalham se acreditarem neles. e os amores só se formam porque existem corações e mentes que permitem que eles se amem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;assim sendo, se mostra inegável a força do ser humano, e de qualquer outro ser vivo, se fizer diferença.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;por isso, sonhe, idealize, viva. os limites estão presos apenas pelas próprias pessoas. não há terceiros. há apenas a vontade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;e ah, diabos, eu tenho Vontade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;tenho vontade de viver o vazio e, assim, viver o Tudo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-757837120134091210?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/757837120134091210/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=757837120134091210&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/757837120134091210'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/757837120134091210'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/vazio.html' title='vazio (sobre o vazio)'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6420107399722888707.post-750273140591955426</id><published>2007-08-14T21:21:00.000-03:00</published><updated>2007-08-14T21:27:04.583-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='início'/><title type='text'>o caminho para o Fim.</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: trebuchet ms;"&gt;eu andava precisando de algum lugar para escrever e me publicar há muito tempo. enfim, arrumei.&lt;br /&gt;aproveitem. como tudo na vida, este blog só foi criado para, um dia, encontrar seu fim.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6420107399722888707-750273140591955426?l=sobreovazio.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sobreovazio.blogspot.com/feeds/750273140591955426/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6420107399722888707&amp;postID=750273140591955426&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/750273140591955426'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6420107399722888707/posts/default/750273140591955426'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sobreovazio.blogspot.com/2007/08/o-caminho-para-o-fim.html' title='o caminho para o Fim.'/><author><name>César Soto</name><uri>http://www.blogger.com/profile/01495185237586711640</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/_08FJn7l9TPk/SFH4podo2gI/AAAAAAAAAEY/aMhVuc0o2m0/S220/modificado.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry></feed>
